Captare recomenda: Apostolado Tradição em Foco com Roma

Liga dos Blogueiros Católicos

Não é segredo para ninguém que apesar de eu não ser tradicionalista, eu me considero um amigo dos tradicionalistas – um conservador filotradicionalista”. E até mesmo entre os tradicionalistas mais radicais eu tenho bons amigos.

Mas existem aqueles que podem ser considerados tradicionalistas por darem prioridade ou exclusividade a frequentar a Missa na Forma Extraordinária (Rito Antigo), por defenderem a precisão nas fórmulas doutrinárias, por preferirem os métodos catequéticos tradicionais, por serem mais rígidos que a maioria dos católicos em matéria de moral e disciplina, etc., mas que não podem ser considerados radicais, por não considerarem o magistério Conciliar e pós-Conciliar errôneo. Entre estes tradicionalistas está o pessoal do Apostolado Tradição em Foco com Roma.

O David Conceição é um dos escritores mais assíduos do Apostolado, e faz parte da Liga dos Blogueiros Católicos desde o seu surgimento. O Apostolado Tradição em Foco com Roma pode ser considerado o único representante da banda tradicionalista da blogosfera católica na Liga.

Os artigos do Apostolado são sobre assuntos bem variados: notícias católicas, castidade, questões filosóficas, direito canônico, cinema, etc., sempre com um vocabulário muito católico e tradicional e citendo sempre legítimas fontes católicas. A lista não acaba mais. Há duas sessões no site do apostolado dedicadas a refutar os argumentos dos tradicionalistas mais radicais: Summa Adversus Sine Roma e Collectio Adversus Sine Roma. Mas hoje eu gostaria de recomendar dois artigos, do David, em especial: De onde vem o ódio contra a SSPX?, no qual o David explica de onde vem tanto ódio injustificado, até mesmo da parte dos católicos comuns, contra os grupos tradicionalistas, em especial a Fraternidade Sacerdotal São Pio X; e A pena da excomunhão, tratando deste assunto polêmico que, inclusive, deu muito que falar no último programa da Liga.

A Liga dos Blogueiros Católicos é uma iniciativa que congrega católicos de muitas mentalidades e espiritualidades diferentes. Os tradicionalistas não estão excluídos deste seleto grupo. Portanto, leiam e acompanhem o Apostolado Tradição em Foco com Roma.

Experiências religiosas

Hoje em dia é muito comum se ouvir falar em experiências religiosas, ou experiências espirituais. Infelizmente, até os teólogos entraram nessa onda. Digo infelizmente porque o que se entende comumente por experiência religiosa não passa de um conjunto de sensações e impressões confusas. O que é uma grande futilidade! Além de cheirar gravemente à heresia do modernismo!

Para essa gente, ao que parece, não adianta de nada toda a advertência da verdadeira teologia, principalmente a teologia ascético-mística, que diz que eventos sensíveis de origem divina, isto é, experiências místicas autênticas são apenas aquelas que confirmam o fiel na fé da Igreja Católica. A campanha mundial de “glamourização” da ignorância, que começou com o romantismo e com o humanismo, conseguiu inverter esses valores: hoje se considera que o simples fato de haver algum fenômeno sensível é prova irrefutável de que foi um fenômeno místico autêntico. Se esta experiência contraria a doutrina católica, tanto pior para a doutrina católica…

Futilidade. Que cheira a heresia.

No Domingo passado, entretanto, posso dizer que eu tive uma experiência religiosa legítima! E afirmo isso mesmo na ausência de fenômenos sensíveis extraordinários: não houve fenômenos sensíveis extraordinários! Tudo o que vi, ouvi e senti estava concretamente lá. O que houve de extraordinário foram as várias conexões de sentido entre os eventos, e o modo como estas conexões e estes eventos confirmam a doutrina católica. Claro. Senão não seria experiência mística autêntica.

Para começo de conversa, fui à minha primeira Missa no Rito Gregoriano (Missa Tridentina, Tradicional, pré-conciliar, etc.). O que me levou lá foi algo em si mesmo extraordinário: estaria presente meu grande amigo Frei Egídio-Maria Monteiro de Carvalho, que estudou comigo no ensino médio, e hoje está seguindo os passos de São Tomás de Aquino nos dominicanos. Acontece que há vários dias estava pensando em escrever ao frei e no Sábado fui surpreendido pela manhã com um e-mail seu, dizendo que ele estava no Brasil. Mais à frente, explico a importância do frei na minha relação com a Missa e com o próprio conservadorismo.

Para quem quiser ouvir eu sempre digo que, apesar de não considerar a Missa Paulina (Rito Moderno) essencialmente prejudicial, considero a Missa Gregoriana teologicamente superior. As razões são bem simples: a Missa Gregoriana é claríssima nos conceitos teológicos que expressa, o que não acontece com a Missa Moderna, na qual você tem que ser um entendido para perceber a ortodoxia de sua teologia; a Missa Gregoriana é fruto de séculos de amadurecimento, enquanto a Missa Moderna foi feita no espaço de alguns anos; Existe também o aspecto prático: quem celebra a Missa Gregoriana hoje, normalmente é movido por espírito militante. O resultado disso é que é extremamente difícil ver alguém celebrando mal a Missa Gregoriana, ao passo que a má celebração da Missa Moderna é um problema generalizado! Por essas e outras, é tão importante, para mim, poder assistir à Missa neste rito.

O padre não decepcionou. Em sua homilia lembrou aos presentes a necessidade que tem o católico de fazer apostolado, mesmo que seja apenas alertando as pessoas de que estão erradas, e de que podem ir para o inferno por isso. Por mais que isto pareça paradoxal, foi reconfortante ouvir um padre falando no inferno. E falando sério! Ele usou o exemplo de São João Batista, que por dizer que o rei estava errado, foi preso e martirizado. Todo católico que faz apostolado é um pequeno mártir, principalmente quando passa pelo desconforto de lidar com a incompreensão e a rispidez daqueles a quem faz a caridade de alertar.

Este foi para mim o Frei Egídio, quando ainda se chamava Felipe e era apenas um aluno do ensino médio como eu e ainda mais novo em idade que eu mesmo. A verdade é que houve uma ocasião em que ele me humilhou profundamente. E com razão: ele estava certo e eu errado. Como eu já disse em outra postagem, naquela época eu era um defensor da reforma litúrgica que gerou a Missa Moderna, e o era simplesmente porque me sentia bem com os slogans que são usados comumente para defendê-la. Futilidade. Futilidade e rebeldia que o Frei Egídio tratou de pôr a descoberto em um debate que tivemos pelo MSN, do qual saí terrivelmente humilhado pela precisão de seus argumentos e pela paciência que ele demonstrava mesmo diante da minha afetação de indignação. Aquele debate me fez questionar profundamente meus pontos de vista sobre a Missa Moderna e sobre muito do que é moderno no geral. Foi o começo da minha conversão ao conservadorismo e ao apostolado católico de verdade. À intelectualidade de verdade, diga-se.

Percebam: fui à minha primeira Missa Gregoriana justamente para encontrar o principal responsável pelo meu reconhecimento da superioridade teológica deste rito! Disse claramente, em presença dele e da sua mãe, que foi bastante reticente quando ele anunciou sua vocação religiosa. Frei Egídio foi meu São João Batista. Eu tentei decapitá-lo e fui humilhado. Hoje eu agradeço de coração a surra moral que ele me deu.

Além destas conexões houve outras coisas dignas de nota neste dia. Estavam presentes na Missa representantes de apostolados tradicionalistas e neo-conservadores da internet, como o Sidney Silveira, a Maitê Tosta, o seminarista Allan Lopes. Pouco tempo depois de eu escrever sobre a necessária colaboração entre estas duas correntes, vejo representantes seus unidos em verdadeiro espírito de caridade, na Santa Missa e após ela!

Depois da Missa, eu iria me encontrar com minha esposa, meu irmão e a namorada dele para irmos ao monumento do Cristo Redentor. Tive que esperar cerca de duas horas na Central do Brasil, pois o centro do Rio, aos Domingos, é um grande deserto. Na central do Brasil eu descbri um espaço que eu nunca imaginei existir num ambiente assim: um altar dedicado à Nossa Senhora de Santana, também com imagens do Senhor crucificado e de Nossa Senhora Aparecida. Fiquei longos momentos ali, em oração, contemplando o crucifixo, pensando em Seu Sacrifício que tinha presenciado havia pouco.

Depois de me encontrar com minha esposa e meu irmão fomos todos aos pés de outra imagem do Senhor. Esta parte do dia também foi cheia de significados. A começar pela nebulosidade no alto do Morro do Corcovado onde fica o monumento, que às vezes escondia e às vezes revelava o Redentor. Estar no meio das nuvens e aos pés do Cristo dava a sensação que estávamos no céu. Eu estava no céu depois de ter assistido a uma Missa levada realmente a sério! O Cristo ora escondido, ora revelado pelas nuvens, faz lembrar a realidade das experiências místicas, que revelam o Cristo, mas de modo escondido, no íntimo de quem vive a experiência. Faz lembrar também a realidade de nossas lutas cotidianas, cheias de dúvidas e quedas, onde o Cristo ora se esconde, ora se revela também. Muito significativo também foi reparar pela primeira vez, apesar de já ter estado duas vezes no monumento, que aos seus pés existe uma capela, onde estava tendo também uma Missa!

Foi um dia permeado de significados religiosos. E eu afirmo que foi uma legítima experiência mística, não pelo fato de as conexões entre os eventos serem impressionantes, e sim porque tudo isso serviu para me confirmar na fé católica! Se não houveram fenômenos sensíveis extraordinários, tanto pior para os fenômenos… Além do mais, foi uma manifestação da grande misericórdia de Deus, pois, como já disse outras vezes, estou longe de merecer que Deus se mostre tão evidentemente assim para mim, mas Ele o faz assim mesmo.

Laudetur Dominus! É só o que eu tenho a dizer, diante de tudo isso.

Laudetur Dominus!!!

O Papa e a camisinha aqui também!

Novo entrechoque entre os neo-cons (como eu) e os tradicionalistas. As palavras do papa, na entrevista que concedeu ao jornalista Peter Seewald, que deve ser publicada em um livro na próxima Quaresma, fizeram o que vários acontecimentos têm conseguido fazer: criaram um atrito entre as duas únicas correntes interessadas em defender a Santa Igreja de Deus dos ataques covardes de seus inimigos – que estão em toda parte, até mesmo dentro d’Ela! – e, é claro, com esse atrito, uma terrível perda de tempo no cumprimento dessa tarefa.

Eu não ia me envolver nessa questão. E, aliás, este texto não é nem mesmo para parte dos leitores habituais deste site: pessoas comuns que às vezes só conhecem este espaço como meio de saber o que realmente está acontecendo na Igreja e no mundo. Para estes leitores recomendo que leiam os seguintes textos, pois que eles esclarecem bem a questão:

O meu texto é na verdade para examinar o que se pode ver com o conjunto dos textos acima. É para os autores destes textos e de outros da blogosfera católica, caso alguns deles cheguem por acaso a ler estas humildes palavras.

A situação bizarra em que a Santa Igreja de Deus se encontra hoje – com autoridades confusas, despreparadas e totalmente ignorantes dos ensinamentos que deveriam defender – exige que, quando sai na mídia qualquer coisa relativa à Doutrina da Igreja ou à moral cristã, os autores dos apostolados católicos da Internet sejam obrigados a tomar uma posição: eles tentam suprir a lacuna deixada por bispos e teólogos que estão mais interessados em posar de grandes intelectuais ante os olhos da opinião pública, do que em cumprir os votos que fizeram ao escolherem seus caminhos como bispos ou teólogos.

A situação normalmente exige pressa nessa tomada de posição. A ironia disso tudo é que essa pressa também causa animosidades, principalmente entre neo-cons e tradicionalistas que, como eu disse, são as únicas correntes úteis e fiéis a Igreja hoje em dia.

Alguém aqui já viu o que acontece quando as peças de uma máquina (Sim, novamente a analogia da máquina!) não estão bem lubrificadas? Elas entram em atrito, geram calor, causam dano a si mesmas e ao resto da máquina, e o pior: reduzem ou anulam a eficiência da máquina. E sabem o que pode impedir uma boa lubrificação da máquina? Isso mesmo, seus espertinhos! A pressa em pôr as engrenagens para rodar: elas podem começar a girar sem que tenha dado tempo de o óleo chegar nas partes onde acontece o atrito.

Caríssimos, eu entendo a situação bizarra e dolorosa em que a Nossa Igreja – a única Igreja de Jesus Cristo – se encontra, e eu seria o último a sugerir que esquecêssemos nossas diferenças: as diferenças são boas quando bem mediadas e quando aqueles que estão errados têm a coragem e a humildade de reconhecer isto, mesmo que seja depois de muito tempo. Não se trata de esquecermos as diferenças, nem mesmo por um instante. Mas eu não vejo nos apostolados de um e de outro lado uma preocupação que me parece óbvia: a de coordenar as ações e declarações, de modo a evitar justamente aquilo que tentamos combater, que é o caos que causa desinformação. A preocupação de tomar imediatamente uma posição sempre vem primeiro.

É claro que o uso da camisinha é imoral! É claro que o papa não defendeu ipsis litteris a moralidade deste uso! É claro que pensar que usar a camisinha para evitar infectar outras pessoas se trata de um primeiro passo na moralização – em princípio! – é uma grande ilusão! Mas é claro que existem, mesmo que poucas, mesmo que só teóricas, exceções, pois a preocupação com o bem de outra pessoa é sim uma via pela qual a pessoa pode começar a entender os preceitos morais!

Imaginem como sairíamos na frente da imprensa mundana se antes de agitarmos nossos dedos, tornando públicas as posições que nos sentimos obrigados a assumir, tivéssemos dividido atribuições de modo a cada apostolado tratar da questão em seu próprio campo de especialidade, porém sem conflitos, pois algumas medidas já teriam sido negociadas de antemão para evitar os ruídos causados pelas diferenças de pensamento. Infelizmente só podemos imaginar como seria, pois apesar de esta me parecer uma estratégia extremamente óbvia, me parece que ao tomar conhecimento do problema, absolutamente ninguém propôs ou ao menos pensou nisto.

Não temos, de modo algum uma defesa coordenada e, por isso, coesa e firme da moral cristã. Temos, isso sim, preceitos morais e raciocínios jogados de maneira frenética na blogosfera católica. Não precisamos mais disto. Precisamos daquilo.

Normalmente eu não me preocupo com nada, mas hoje eu estou preocupado…