Captare recomenda: Apostolado Tradição em Foco com Roma

Liga dos Blogueiros Católicos

Não é segredo para ninguém que apesar de eu não ser tradicionalista, eu me considero um amigo dos tradicionalistas – um conservador filotradicionalista”. E até mesmo entre os tradicionalistas mais radicais eu tenho bons amigos.

Mas existem aqueles que podem ser considerados tradicionalistas por darem prioridade ou exclusividade a frequentar a Missa na Forma Extraordinária (Rito Antigo), por defenderem a precisão nas fórmulas doutrinárias, por preferirem os métodos catequéticos tradicionais, por serem mais rígidos que a maioria dos católicos em matéria de moral e disciplina, etc., mas que não podem ser considerados radicais, por não considerarem o magistério Conciliar e pós-Conciliar errôneo. Entre estes tradicionalistas está o pessoal do Apostolado Tradição em Foco com Roma.

O David Conceição é um dos escritores mais assíduos do Apostolado, e faz parte da Liga dos Blogueiros Católicos desde o seu surgimento. O Apostolado Tradição em Foco com Roma pode ser considerado o único representante da banda tradicionalista da blogosfera católica na Liga.

Os artigos do Apostolado são sobre assuntos bem variados: notícias católicas, castidade, questões filosóficas, direito canônico, cinema, etc., sempre com um vocabulário muito católico e tradicional e citendo sempre legítimas fontes católicas. A lista não acaba mais. Há duas sessões no site do apostolado dedicadas a refutar os argumentos dos tradicionalistas mais radicais: Summa Adversus Sine Roma e Collectio Adversus Sine Roma. Mas hoje eu gostaria de recomendar dois artigos, do David, em especial: De onde vem o ódio contra a SSPX?, no qual o David explica de onde vem tanto ódio injustificado, até mesmo da parte dos católicos comuns, contra os grupos tradicionalistas, em especial a Fraternidade Sacerdotal São Pio X; e A pena da excomunhão, tratando deste assunto polêmico que, inclusive, deu muito que falar no último programa da Liga.

A Liga dos Blogueiros Católicos é uma iniciativa que congrega católicos de muitas mentalidades e espiritualidades diferentes. Os tradicionalistas não estão excluídos deste seleto grupo. Portanto, leiam e acompanhem o Apostolado Tradição em Foco com Roma.

Identidade Católica 1 – A defesa da Identidade Católica


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Eu fico feliz em ver a quantidade de apostolados católicos, de matiz mais conservadora, que têm surgido ultimamente, especialmente na internet (blogs e fanpages no Facebook). É somente em vista dessa realidade que foi possível reunir a Liga dos Blogueiros Católicos. Mas esse despontar de apostolados católicos também serviu para pôr em evidência as divergências que naturalmente acontecem quando se trata de grupos de matiz conservadora. Para efeito deste artigo incluo grosseiramente os tradicionalistas e os neocons no grupo dos conservadores.

O conservadorismo implica uma prontidão, que às vezes parece até exagerada, de defender firmemente o que é certo contra o que é errado. É típico da mentalidade conservadora se preocupar com o que é correto, mais do que com o que é agradável. O conservador é aquele que deve defender o que é certo contra o que é fácil e cômodo. Este tipo de atitude, que parece exagerada e ultrapassada nos dias de hoje, é necessária como um mecanismo de defesa: é comum que o erro se insinue como uma aparentemente inocente tentativa de apaziguar conflitos entre idéias e atitudes que seriam igualmente legítimas. O conservador defende que é necessário sustentar o lado mais correto, mesmo pagando o preço do conflito e de rejeitar uma idéia que às vezes nem é danosa em si, mas que pode dar margem a outras idéias e atitudes danosas no futuro.

Com isso é comum que os conservadores estejam em conflito não só com os progressistas, mas também entre eles mesmos. Eu sou daqueles que defende que, apesar de estes conflitos serem inevitáveis, por serem parte da essência do conservadorismo, os conservadores devem se esforçar continuamente em não deixar que eles atrapalhem a ação conjunta e coordenada que eles devem empreender na atual guerra cultural contra os inimigos de Deus e da Igreja.  E o único modo de não deixar que os conflitos entre os conservadores não atrapalhe esta ação conjunta e coordenada é ordenar esta ação em torno do conceito de Identidade Católica.

Minhas definições favoritas de identidade católica, isto é, do que é ser um católico de verdade, daquilo que é verdadeiramente essencial para alguém poder se chamar católico são, primeiro, a definição do Catecismo de São Pio X: “Verdadeiro Cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos pastores da Igreja”; segundo, a definição baseada nos três “C’s”: o católico é aquele que busca preservar o Credo, o Código e o Culto. Pretendo me aprofundar análise destas definições a as razões da minha preferência em outro artigo. Por agora, basta observar que, se conseguirmos dar mais importância ao que vai nestas definições, e dar menos importância ao que não está nelas, conseguiremos liberdade o suficiente para coordenarmos as diversas convicções dos conservadores. E por quer deveríamos fazer este esforço? Há duas razões principais.

A primeira é que uma opinião ganha força pela quantidade de pessoas que a divulga e pela homogeneidade destes testemunhos. Não estou dizendo aqui que a quantidade seja critério de veracidade. A veracidade da opinião deve ser apurada de outro modo. Mas é fato que quanto mais pessoas difundirem determinada opinião, mais conhecida ela será. Não adianta apenas estarmos certos. Nossas opiniões têm que ser conhecidas.

A segunda razão é que, pelo fato de as divergências fazerem parte da natureza dos grupos conservadores, buscar se concentrar em questões mais centrais e fundamentais, como o que significa de verdade ser cristão, é uma boa estratégia para fazer surgir pistas para a futura solução destas divergências. É ridículo dizer, como os “católicos” delicadinhos de hoje em dia vivem dizendo, que devemos simplesmente esquecer as divergências. Não devemos, não! Até porque as razões pelas quais os conservadores divergem são coisas importantes, que não podem simplesmente ser jogadas para debaixo do tapete. O que devemos fazer é adiar a solução definitiva destas divergências (elas terão que ser resolvidas algum dia, não restam dúvidas) para um momento em que estivermos recebendo relativamente poucos ataques dos inimigos da Igreja. Além disso, focar no essencial, de ajudar a expôr quem são os verdadeiros inimigos em quem todos devem concentrar os ataques nos momentos mais críticos (como os pronunciamentos complicados do Papa Francisco, que acabam sendo distorcidos antes que a maioria dos católicos tomem conhecimento deles).

Devemos dar cada vez mais atenção a esta questão. Se eu pelo menos conseguir convencer os católicos que eu conheço da importância desta mudança de foco poderei considerar que dei a minha contribuição pessoal à defesa da fé.

Testemunho: Primeira Missa Tridentina do Leandro Salvagnane

NOTA: Recebi este texto por e-mail há alguns dias e o publico na íntegra. Ele é o testemunho do Leandro Salvagnane Correia, leitor do Battle Site, cuja primeira contribuição para este espaço aconteceu na postagem Captare recomenda: In Prælio e que motivou a redação da postagem Esclarecimentos sobre mim e sobre o tradicionalismo. Este testemunho é como que um eco do testemunho que eu mesmo dei em situação semelhante e que vocês podem conferir na postagem Experiências religiosas. Fico muito feliz quando vejo católicos que conseguem romper as muitas barreiras de preconceitos do, por assim dizer, “catolicismo moderno” e conseguem descobrir os magníficos tesouros de nossa Tradição bimilenar!

Pessoal, boa noite.

Gostaria hoje de, na simplicidade de coração, compartir com vocês um pouco da experiência que tivemos domingo último (23/10/2011) na participação pela primeira vez em nossas vidas de uma Missa no rito Tridentino (que tem este nome por ter sido estabelecido pelo Papa São Pio V seguindo o mandato que recebeu no Concílio de Trento, séc XVI, mas cuja forma existe na Igreja Católica desde o século II, conforme atestado por S. Justino, mártir no ano 165 d.C.). Pudemos conhecer mais de perto uma parte da Tradição Católica que não conhecíamos antes.

A Missa Tridentina tem uma estrutura um pouco diferente, há várias orações que não existem na Missa nova que conhecemos (promulgada pelo Papa Paulo VI em 1969), em especial nas partes dedicadas à Oferta, ao Sacrifício (mais conhecido como Consagração) e à Comunhão, onde há algumas orações diferentes das modernas. Mas mais superficialmente notáveis são três diferenças:

Idioma litúrgico: a utilização do latim como a língua da oração da Igreja, e o motivo é que uma vez que o latim é uma língua “morta”, isto é, não sofre mais alterações semânticas e ortográficas como ocorrem nas línguas vernáculas, preserva-se o rito imune de erros litúrgicos ou doutrinais que podem ocorrer por regionalismos ou alteração de significado. As partes que não são orantes (ex. intenções da Missa, leituras e homilia) são feitas em língua vernácula. Nesta Missa que participamos foi assim, em latim,  no folheto havia, lado a lado, as orações em latim e em português, o que nos auxiliou na compreensão.

Posição do sacerdote: o sacerdote faz todo o ritual de Ofertório e Sacrifício versus Deum (vulgarmente conhecido como “de costas ao povo”) onde toda a assembleia em conjunto com o celebrante estão em um mesmo sentido ante o altar, dirigindo orações ao Deus Filho, guardado no Sacrário sob as espécies consagradas. Nesta Missa que participamos foi assim, com o sacerdote versus Deum.

Música: Talvez o ponto que chame mais a atenção é a ausência total de instrumentos musicais, então em todas as partes da Missa que são destinadas à música são usados cantos gregorianos, em latim. Nesta Missa que participamos foi assim, onde um coral de cerca de oito homens entoaram, em geral em uníssono, belos cantos com voz serena e sem estridência.

Minha “turma” nesta aventura do domingo foram nossos amigos (casal) Suzana e Henrique, minha esposa Karina, minha filha de 18 meses Maria Gabriela (a Gabi) e eu.

MAS AO FINAL DAS CONTAS, QUAL O SENTIDO DO RITO TRIDENTINO HOJE QUANDO TEMOS O RITO DE PAULO VI, MAIS MODERNO E – É IMPORTANTE RESSALTAR – NUMA LÍNGUA QUE TODOS COMPREENDEM? Quando recebi o convite do amigo Edwin para participar desta Missa, talvez a primeira imagem que me veio à cabeça é que estaríamos numa igreja cheia de velhas senhoras que resistem à modernidade, e que gostam de ficar em seu “gueto”. Puro engano!

A visão que me surpreendeu no momento da Missa foi a quantidade de jovens, assim como a maioria de nós: casais jovens, menos de 30 anos de idade, com ou sem filhos, além dos solteiros, estes jovens compunham pelo menos 80% da assembleia. Havia crianças também, e muitas. Até tive a graça de presenciar, no decorrer desta mesma Missa, a Primeira Eucaristia de um rapazinho de 8 anos, Rafael, que Deus o abençoe. Quanto aos adolescentes, devo confessar que só vi uma, acompanhada dos pais. No total éramos cerca de 60 pessoas na capela.

Mas voltando um pouco para alguns minutos antes do início da Missa, os jovens lá estavam fazendo um grupo de estudos católicos (talvez seja mais comum ao nosso vocabulário se dissermos “grupo de jovens”) onde foram debatidos temas atuais e o testemunho cristão de vida na sociedade – esta reunião estava acontecendo ao lado da capela no momento em que eu cheguei, havia cerca de vinte jovens reunidos, enquanto seus filhos, umas dez crianças de 0 a 4 anos, brincavam na quadra ao lado. Coloquei a Gabi para brincar com eles… ela se enturmou rapidinho… hehehe.

“Nos reunimos sempre e estudamos porque nos dias atuais o mundo perdeu a referência do que é ser católico”, disse-me o Edwin em outro momento.

Enquanto isso nossos amigos Suzana e Henrique e minha esposa Karina, dentro da capela, recebiam a acolhida e boas-vindas do pessoal que cuida da celebração, juntamente com uma explicaçãozinha rápida de como acompanhar a Missa com o folheto.

Quando a Missa finalmente começou, foi aí que entendemos o porque de haver tantos jovens dentro da igreja: nesta Missa, o que presenciamos foi, ao contrário de muitas Missas que temos visto recentemente, onde ao invés de se educar os jovens para a santidade e valores cristãos, ao contrário, tenta-se imitar o que há lá fora, no mundo, na esperança de agradar ao mundo – o sentimento que tivemos é que a Missa da Igreja, este colosso espiritual que existe há dois milênios e tem em seu centro Jesus Cristo cuja celebração é atualizada todos os Domingos, independe da criatividade do celebrante ou do instinto competitivo das equipes de liturgia (cada uma querendo fazer mais “bonito” e chamar mais a atenção para si que a outra), onde teatros, cartazes e solos de guitarra tentam se colocar no centro da Celebração Eucarística ao invés de apontar para Cristo.

Em uma época em que vivemos num relativismo que tenta contagiar todos os âmbitos de nossa vida, onde a concepção geral é que “tudo é bom e belo desde que alguém consiga assimilar”, foi uma excelente experiência para mim e minha família presenciar o que é belo de verdade, lembrando-se sempre que Deus deixou uma ordem objetiva para as coisas; o “belo” ou “feio” não são questões subjetivas a serem avaliadas independentemente de seu contexto e consequências morais. Muitos católicos ou até padres hoje não fazem questão de lembrar que fazem parte da Igreja Una de Cristo, mas o fato de não se lembrarem não reduz esta verdade objetiva. Sei que há não-católicos lendo isto, mas mesmo assim não posso fugir desta realidade, vocês devem tentar entender o que estou tentando dizer sem apelar para o irenismo.

Foi bom para nós saber que, apesar de haver muitas Missas prejudicadas pela falta de obediência ou de fé de alguns sacerdotes e Bispos (especialmente naquelas Missas transmitidas pela televisão), que mudam deliberadamente as orações da Missa e desobedecem as rubricas do Missal, ainda assim podemos estar em comunhão plena com a Igreja que Cristo, o Filho de Deus, nos deixou e da qual é a Cabeça. E nem foi necessário ir à Praça de São Pedro no Vaticano para perceber isto, não foi necessário ir a uma reunião do Opus Dei, nem mesmo entrar num Mosteiro beneditino. Pudemos conhecer esta Comunhão Eterna (Eterna porque está em todos os lugares e em todas as épocas) ali, numa capela anexa a uma creche de uma esquina da Avenida Campos Sales, da cidade de Americana, e nem precisamos pagar pedágio para isto!

Enfim, nós não tivemos nenhum êxtase durante a santa Missa, não foi aquilo que acontece em uma reunião de espiritualidade onde dizem “foi uma bênção porque eu senti Deus”, mas sim: foi uma bênção para nossas vidas conhecer este âmbito do Catolicismo que nunca deveria ter saído do foco.

Sinceramente, eu ainda não sei responder à pergunta que eu mesmo formulei nove parágrafos acima (está em negrito); gente mais gabaritada do que eu diz que é porque a Missa Tridentina é mais tradicional, ou porque as partes da Missa são mais claramente distinguidas, que a sacralidade é maior, agrada mais a Deus… tudo isso é verdade, mas confesso que ainda não sei a resposta exata.

Só sei que, se for pela graça de Deus, no próximo domingo, dia 30, estarei lá novamente, se Deus quiser, para buscar aprender mais. A Missa acontecerá às 18h, mas vou aproveitar a viagem para participar do início da Novena de Natal que se iniciará uma hora antes, às 17h, na mesma capela. Convido a quem desejar participar conosco, que venha, se desejar fale comigo para saber mais detalhes.

Assim como o Edwin conseguiu me convencer e, por que não dizer, me venceu pela curiosidade até, estou tentando despertar em vocês, caros amigos, quem sabe, uma pequena semente. Não que seja um convite derradeiro (“é agora ou nunca”) e muito menos uma pretensão de exclusividade (“esta Missa está certa e as outras estão erradas”), mas a mensagem que tenho é que vocês não podem passar desta vida sem ter conhecido, ao menos uma vez na vida, uma Missa Tridentina. O fervor com o qual o padre celebra. O ambiente orante no qual se dá todo o processo.

Para completar, sabemos bem que devemos julgar uma árvore pelos frutos, e fiquei sabendo hoje que entre aquelas pessoas que frequentam a Missa Tridentina há três vocacionados: dois rapazes que irão para o Instituto Bom Pastor na França, e uma moça que está ingressando no Carmelo Eremítico de Atibaia. Rezemos, pois, por eles.

A Missa Tridentina acontece todo domingo em Americana, rua Casemiro de Abreu, esquina com a avenida Campos Sales, a partir das 18 horas, na capela São Vicente de Paulo. Eu também não sei chegar lá exatamente, mas o GPS sabe.

Paz e bem.

A visita do papa e os panfletos dos jovens tradicionalistas

Na ocasião da visita do papa à Alemanha, os jovens tradicionalistas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X mandaram confeccionar dois panfletos: um sobre o Motu Proprio de 2007, que deu plena liberdade à celebração do Rito Antigo, e outro agradecendo ao papa por retirar as excomunhões de Dom Lefebrve e dos outros bispos da FSSPX. Os panfletos foram distribuídos para a população. A notícia foi divulgada no sempre excelente Fratres in Unum.

O gesto daqueles jovens, além de doce, é de uma inteligência refinada. Como já expliquei inúmeras vezes, não sou tradicionalista. Mas concordo com a maioria deles que os tradicionalistas – a FSSPX em especial – têm muito o que reclamar do Papa Bento XVI. Tinham muito mais o que reclamar de João Paulo II, é verdade, mas o papa Bento XVI ainda insiste teimosamente em levar adiante certos discursos e atitudes que são bem prejudiciais à defesa da identidade cristã. E tudo apenas para continuar a defender o elefante branco do Concílio Vaticano II. Mas apesar de todas essas razões para se considerarem injustiçados, os jovens da Fraternidade preferiram, mesmo que por um momento, focar nas coisas que Bento XVI de fato fez de positivo para o movimento tradicionalista. Assim eles apresentaram gratidão por estes esforços particulares do Santo Padre e, de quebra, apresentaram ao povo comum um movimento tradicionalista verdadeiramente católico, que é leal ao papa e solidário a ele no momento que ele sofre com protestos cheios de ódio irracional em praticamente todos os países que visita.

O exemplo dos jovens lefebvrianos deveria ser uma grande inspiração para todos os cristãos brasileiros, principalmente para os jovens. Nós deveríamos aproveitar a ocasião oportuna da JMJ 2012 para uma grande mobilização voltada para o público em geral, mostrando as boas ações do papa na luta contra o maldito modernismo e em favor da verdadeira identidade cristã, como também para defendê-lo de eventuais calúnias lançadas por aqueles grupos revoltadinhos que sempre soltam gritinhos histéricos quando o papa visita seus paí­ses (como aquele bando que foi açulado pelo Dawkins quando o papa foi na Inglaterra, ou os “católicos” progressistas da Alemanha, logo antes da visita do papa).

Além disso, é preciso considerar seriamente a situação do catolicismo no Brasil: vivemos num país em que vários padres e até mesmo bispos estão em franca desobediência ao papa e à perene Tradição da Igreja, que ele tem o dever de guardar. Se houvesse união das pessoas mobilizadas para tanto, talvez fosse uma boa idéia que alguém conseguisse entregar pessoalmente ao papa um dossiê com exemplos concretos dessa desobediência e ainda alguma indicação de com quem exatamente o Santo Padre pode contar por aqui.

Os cristãos do Brasil, especialmente os mais tradicionais, devem começar a tomar consciência de que enquanto só tiverem boca para reclamar – até do papa – continuarão isolados, podendo apenas rezar para que Deus aja e acabe com a crise de fé. Não há apenas um grupo prejudicado com a aventura modernista e é exatamente isso que pode fazer toda a diferença em momentos como esse em que a providência divina parece nos apontar o melhor modo de agir.

Captare recomenda: Fratres in Unum

Dos espaços na internet que hoje veiculam notícias cristãs ou sobre o cristianismo, um deles se destaca pela variedade das fontes, pela firme defesa do ponto-de-vista tradicional e pela relevância das matérias apresentadas: é o blog Fratres in Unum. Este que eu chamo de “um dos grandes da blogosfera católica” (classificação que inclui o Deus lo Vult e o Contra Impugnantes) tem novas postagens praticamente todos os dias e sua gama ampla de assuntos cobre desde nomeações da hierarquia da Igreja, passando por publicações de documentos eclesiásticos, questões envolvendo as comunidades da tradição, comentários de vaticanistas, entrevistas com homens da Igreja e até notícias sobre a Igreja veiculadas na mídia secular. Às vezes, vemos lá artigos que só saíram em sites e blogs estrangeiros (de língua inglesa, italiana ou espanhola).

Um grande destaque deve ser dado ao recente caso do padre Leonardo Holtz, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que deixou esta para ingressar na FSSPX, caso este que envolveu outros blogs como o Contra Impugnantes e o blog da Associação Cultural Montfort. Neste particular o Fratres in Unum serviu como um canal privilegiado onde o padre Leonardo pôde tornar público seu pensamento e sua versão dos acontecimentos.

Mas minhas recomendações particulares vão para a Carta Pastoral “Aggiornamento” e Tradição, na qual o grande bastião da tradição católica do Brasil, de saudosa memória, Dom Antônio Castro Mayerexcelentes diretrizes para reconhecer e combater as novidades que atacam ou se opõem à perene Tradição da Igreja; e para a notícia que saiu no Le Fígaro: As discussões doutrinais entre Roma e Ecône estão concluídas, que dá conta do término do debate entre a Santa Sé e a FSSPX, debate esse tão importante para o tempo em que nós nos encontramos.

Boa Leitura!

Captare recomenda: blog do Angueth

Como vocês devem ter reparado, há poucos links ali na barra Recomendo. Isto acontece porque todos os links que estão ali estão recomendados por uma razão, que é concernente às coisas que eu defendo e que é explicada em postagens como esta, que eu faço no momento que adiciono o link na barra. Há poucos não só porque há poucas coisas que eu realmente recomende na internet hoje em dia, mas porque considero necessário dizer por que, afinal de contas, eu recomendo este ou aquele site.

Com este meu novo ímpeto de dinamizar o site, vou tentar preencher logo esta barra com todos os sites que tenho em mente, pois para isso não é necessária nenhuma pesquisa mais aprofundada.

Hoje estou aqui para recomendar um blog excelente para aqueles que estão interessados numa cultura e num pensamento verdadeiramente cristãos. Melhor ainda se estas coisas forem ilustradas freqüentemente por textos destes que eu considero os maiores pensadores que existiram no Séc. XX, e que – ironia das ironias! – infelizmente são tão pouco conhecidos pelos católicos e/ou brasileiros de hoje em dia: G. K. Chesterton e Hilaire Belloc. E é justamente isto que vocês vão encontrar no blog do Angueth.

Antônio Emílio Angueth de Araújo é um professor de Belo Horizonte – MG, tradicionalista e fã dos pensadores acima mencionados. Sua principal contribuição para a blogosfera católica – e para a conservadora também! – vem na forma das traduções que ele faz dos textos de Chesterton e Belloc, tendo inclusive traduzido alguns livros inteiros como “As Grandes Heresias” do Belloc. Mas ele também responde perguntas de seus leitores e faz comentários de notícias atuais de modo fiel à Tradição. Portanto é também um ótimo exemplo de qual deve ser a postura de um verdadeiro católico.

Para vocês terem uma noção do que estou falando, e para conferirem um pouco da genialidade do G. K. Chesterton, recomendo o texto “Será o Humanismo uma religião?”, que demonstra como o humanismo secular não é nada em comparação com o “super-humanismo” da Religião. E para que vocês possam conferir um pouco da genialidade de Mr Belloc, recomendo o começo da tradução de um outro livro seu: “O Estado Servil”, que trata de um sistema econômico baseado em verdadeiros valores cristãos e alternativo tanto ao capitalismo quanto ao socialismo. E como um exemplo de ortodoxia cristã, recomendo o texto “Nossa participação na Vida Divina”, que traz um excerto do Compêndio de Teologia ascética e Mística, do padre Tanquerey, livro que eu chamo de “Manual de Instruções do Ser Humano”.

Dito isto, boa leitura!

Esclarecimentos sobre mim e sobre o tradicionalismo

O leitor Leandro postou dois comentários (primeiro e segundo) no post em que eu recomendei o blog In Prælio. Suas considerações e dúvidas são pertinentes, pois me permitem esclarecer alguns pontos que considero importantes sobre Concílio Vaticano II, tradicionalismo e sites de apologética. Como ele colocou muitas observações, estas seguem em azul e abaixo de cada citação vai a minha resposta.

Visitei o In Praelio por sua indicação e achei quase excelente o site, com a ressalva de que seu editor “tem sua interpretação pessoal” sobre o CVII, logo sua comunhão com a Igreja é apenas parcial.

Olha, Leandro, é difícil falar em “interpretação pessoal sobre o CVII” porque aí já estamos entrando no campo do que cada um conhece ou desconhece sobre o Concílio. E neste campo há sempre o risco de se fazer uma afirmação precipitada sobre o que uma pessoa sabe ou não sabe.

O que eu posso dizer é que, como eu já mencionei por alto em outro artigo, normalmente quando alguém fala que “fulano tem apenas uma interpretação particular do CVII” é devido a certo preconceito disseminado contra os tradicionalistas, principalmente pelo Veritatis na “era Alessandro Lima”. Sei que esse não é o seu caso, mas isso é mais comum e mais grave do que parece.

Mas há com certeza um erro em dizer que os críticos ao Concílio Vaticano II estão em “comunhão parcial com a Igreja”, pois a Igreja é muito maior que o CVII. O único grupo tradicionalista que não estava em comunhão com  Roma, e mesmo assim devido a outro motivo que não o CVII era a FSSPX, mas isso já foi resolvido pelo Papa.

Apesar de você ter afirmado que ele é tradicionalista (também o sou, e não vejo discrepância irreconciliável entre ser tradicionalista e seguir a Igreja) seria mais objetivo se você afirmasse claramente em seu post acima “o In Praelio não comunga do CVII” do que deixar cada leitor descobrir de maneira individual; poupando-nos assim de eventual perda de tempo ou decepção.

Tradicionalista é uma classificação bem objetiva, apesar de que seu significado atual é bem específico. Como você verá adiante não basta defender a Tradição bimilenar da Igreja – eu também o faço! – para ser tradicionalista. Hoje é preciso algo mais. Para aqueles que defendem a Tradição, mas não consideram o CVII mau em si cabe melhor o nome de conservadores.

Como complemento, sugiro aos leitores do Battle Site a leitura de: http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/09/diversos-grupos-e-solucoes-diante-da-crise-liturgica/ (sem preconceitos, se possível, já que eu percebi em http://praelio.blogspot.com/2009/08/vitola-e-suas-contradicoes.html que o Jefferson do In Praelio não gosta muito do Rafael Vitola do Veritatis).

Como eu já tinha indicado no meu comentário, a classificação feita pelo Rafael Vitola não é tão abrangente, pois seu artigo fala apenas de crise litúrgica. Eu não sei se o Rafael Vitola pensa que a crise é apenas litúrgica, ou se ele apenas quis dar ênfase a um aspecto particular da crise, mas o esquema que engloba os tradicionalistas é baseado em mais coisas que simplesmente a liturgia.

Quanto ao segundo artigo, não sei se o Jefferson nutre algum sentimento, positivo ou negativo, quanto à pessoa do Rafael Vitola, mas eu sei que durante uma época, o Rafael se envolveu em polêmicas com o pessoal da Montfort, estas sim, bastante despropositadas (as que aconteceram entre o Alessandro Lima e o Prof. Fedeli eu não considero que tenham sido despropositadas). E nesta época, muita gente foi levada a atacar o Rafael Vitola no arraste dos ataques da Montfort. Então, é fato que muita gente não gosta do Rafael, mas têm uns que tem lá seus motivos, e têm outros que só tem os motivos da Montfort.

Existe um velho dito popular (não me lembro muito bem se é assim) que dizia “podemos ser contra qualquer lei, e lutar para mudá-la. Enquanto não tivermos sucesso, não temos o direito de desobedecê-la.” Acredito que se encaixa bem neste caso.

Não encaixa porque o Vaticano II não promulgou nenhuma lei. Há muitas orientações, mas nada com força de lei. Ninguém pode decidir questioná-lo de acordo com sua própria cabeça, mas aqueles que têm bons motivos para fazê-lo também não podem ser chamados de cismáticos ou rebeldes.

Citei sobre minha cidadezinha apenas para colocar uma referência para você e demais leitores que eu nunca conheci ninguém destes “entendidos” pessoalmente (Alessandro Lima, Rafael Vitola, Carlos Nabeto, +Dom Estêvão, Orlando Fedeli, Jefferson Nóbrega, Diogo Linhares, etc […]

Olha, eu fico lisonjeado e agradeço a bondade de  me considerar um entendido no assunto, mas eu mesmo não me considero tal. Creio que o Jefferson também. Sou apenas alguém que está estudando para compreender melhor tudo o que está acontecendo, e procuro ajudar outros que estejam dispostos a fazer o mesmo.

Já li argumentos “dos dois lados” sobre a validade ou não do CVII (é claro que não existem apenas “dois lados”), mas minha pouca experiência prática (afinal das contas, tenho 25 anos e nasci depois do CVII e do novo Missal) me diz que quem aceita o CVII como válido porém instrui seus amigos/leitores a se desvencilhar de abusos e interpretações forçadas parece mais coerente do que quem rejeita o CVII como um todo.

É coerente, sim. Mas é insuficiente. Os abusos e as interpretações forçadas não foram tiradas “da cartola”, não surgiram “por mágica” na mente dos modernistas. Pense do seguinte modo: um texto que é redigido com a preocupação de que não tenha mais de uma interpretação, corre um risco muito menor de que haja uma interpretação dúbia. Ora, essa preocupação não houve na redação dos textos do CVII, ou pelo menos não foi a principal. Então não basta alertar para os abusos e interpretações errôneas, deve ser feito um estudo franco de tudo o que possibilita estes abusos e interpretações.

Não julgo saber tudo, tem muita coisa que preciso aprender ainda, mas para mim acreditar diferente do que eu acredito neste assunto é ser um sedevacantista, pois João Paulo II e Bento XVI já confirmaram (o CVII) diversas vezes. Me perdoem se estiver errado.

Não se preocupe. Até porque essa visão errada de que “quem recusa o Vaticano II está ou beira o sedevacantismo” é outro erro da era Alessandro Lima, que inclusive foi o primeiro a colocar as coisas nestes termos. Isto foi também o início de uma discussão no finado Fórum do Veritatis, da qual eu participei e que foi responsável por eu ficar afastado dos debates católicos na Internet por muitos meses, devido ao desânimo que se abateu sobre mim.

Quanto a você, Captare, sinceramente não sei a sua posição neste assunto (acredito que seja “tradicionalista anti-CVII” por indicar o In Praelio, mas posso estar errado), e gostaria que me dissesse sua opinião a respeito ou indicasse um artigo anterior seu em que fale sobre isso.

Lamento dizer que você está errado. (hehehe) Não sou tradicionalista, muito menos anti-Vaticano II. Ao contrário daqueles, eu considero que houve pontos positivos no Vaticano II. Minha posição, entretanto,  se aproxima da do Jefferson, que foi exposta no comentário dele lá no outro artigo (a qual eu também fiquei conhecendo lá), com a diferença – talvez, não tenho certeza – destes pontos positivos.

O que proponho, diferente do artigo do Rafael Vitola, é que há na Igreja, assim como em qualquer sociedade, apenas três tipos de pessoas: os conservadores, os indiferentes e os progressistas. Tradicionalistas não podem ser situados no mesmo plano geral, sendo na verdade um forma mais radical (no bom sentido) de conservadorismo. Aqueles que ele chamou de reformistas, também não podem ser colocados no mesmo eixo, pois só existem em relação à Liturgia. E por fim, os ultramontanos não podem também estar no eixo geral porque ora podem estar de um lado, ora podem estar de outro, dependendo do papa que esteja reinando.

Só uma coisa a ressaltar: apesar de me considerar conservador, tenho meus pontos de discordância com os demais conservadores justamente onde minha visão se aproxima da do Jefferson e demais tradicionalistas, isto é, com relação à critica ao CVII.

Se algo ainda não ficou suficientemente claro, peço desculpas. É só colocar no comentário e eu explicarei melhor. Os demais leitores que tiverem outras dúvidas sobre o mesmo assunto, ou que sejam ligadas a ele, podem também expressar isto nos comentários.

Espero ter ajudado. 🙂