Resposta às perguntas Frei Clemente Rojão

Liga dos Blogueiros Católicos


O Frei Clemente Rojão ainda tem dúvidas de que os membros da Liga de Blogueiros Católicos o lêem. Não só o lemos, como a Viviane gostou muito do título de um dos artigos dele sobre a polêmica com o padre Fábio de Melo (“Peidei, mas não fui eu…”) e o Diogo citou seus quatro artigos no artigo em que resumia e comentava esta mesma polêmica.

Agora, o Frei faz à Liga uma série de perguntas sobre o cenário cultural e político do país. Perguntas deveras pertinentes! Só que nós da Liga tememos que, por tratar de assuntos que estão bem acima do nível de interesse geral dos brasileiros – católicos inclusos, infelizmente – responder de modo completo no programa, como as perguntas merecem, poderia tornar o episódio do programa muito prolixo, o que foge um pouco da proposta do hangout. A sugestão então foi responder em forma de artigo. No próximo programa a Liga fará referência ao artigo do Frei e ao artigo de resposta para que todos os espectadores tenham acesso ao que foi dito pelos dois lados. As perguntas do Frei são as seguintes (em “Roxo Quaresma” como ele postou em seu blog):

O ano de 2013 foi marcado pela quebra da espiral do silêncio do pensamento político conservador no Brasil, com o lançamento (e sucesso) dos livros de Lobão (Manifesto), Olavo de Carvalho (O Mínimo), Rodrigo Constantino (Esquerda Caviar) e Villa (Década Perdida). Ainda que seja muito pouco comparado à hegemonia cultural e política esquerdista, toda jornada começa com o primeiro passo. Sabendo que a criação da hegemonia cultural precede a hegemonia política, e a que setores da Igreja foram historicamente fundamentais na construção deste hegemonia esquerdista, por mais contrafação que possa parecer.

A primeira pergunta é: Como, na prática, o pensamento católico conservador pode ajudar este esforço de quebra da hegemonia esquerdista no país?

O advento das obras políticas conservadoras citadas veio em muito boa hora para lembrar a todos os simpáticos ao conservadorismo que ainda temos intelectuais atentos ao cenário político. Todas contribuem excelentemente para fortalecer o nosso discurso, aperfeiçoando nossa retórica e nos munindo com dados para combater as falácias dos esquerdistas de todas as tribos. Entretanto, para virar o jogo, não basta ser hábil em estapear os adversários porque o público da luta – os cidadãos comuns, que não militam – está de tal modo entorpecido por décadas de marxismo cultural que se encontra num estado de obtusidade mental desfavorável à apreciação da nossa argumentação. Urge, portanto, que o encanto seja quebrado; foi pela (má) cultura que o povo foi estragado e por ela deve ser conduzido à reeducação.

Nosso potencial intelectual precisa, portanto, voltar-se à produção cultural: literatura, dramaturgia, música, etc. Foi nesses campos onde os inimigos da moral cristã foram mais pródigos, está aí o exemplo recente do grupo “Porta dos fundos”. O elenco de artistas em plena atividade hoje, no Brasil, é composto por homens e mulheres que aprenderam a produzir material de propaganda ideológica anticristã desde o início dos seus estudos. Ocorre que eles aprenderam a fazê-lo com um nível razoável de qualidade – devemos atentar para isso também.

Precisamos produzir romances que, de forma atraente, apresentem os nossos valores! Por exemplo, uma aventura fantástica que instigasse nos adolescentes um sentimento de admiração pelo heroísmo pró-vida, com feminazis vilãs. Peças de teatro onde aconteça reversão do homossexualismo (se possível à força de interferência sacramental) ou a vitória de planos políticos conservadores contra políticos corruptos/esquerdistas. Promover grifes de vestimenta como a comercializada pelo “Veste Sacra” (vestesacra.com) e “São Camisas” (do membro da Liga Cristiano Ramos). Confeccionar artes plásticas embebidas da beleza sacra e dar-lhes visibilidade, etc.

Cabe fazer aqui uma “menção honrosa” ao novo diretor da Ed. Record, que teve a coragem de desafiar o mainstream editorial e apostar em um segmento ultra-patrulhado pelos “guerrilheiros de Facebook”. E esta aposta foi enormemente acertada, dado que todos os livros dessa linha estão esgotados em quase todas as livrarias físicas. O Alexandre mesmo, quando procurava pelo livro do Lobão recebia sempre a mesma resposta: “acabou. Estão todos atrás desse livro!”.

Na primeira metade do século XX, o pensamento católico foi não só influente como o motor do pensamento político católico conservador do país. Era a época gloriosa do Cardeal Leme, do Instituto Dom Vital, de Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção e tantos outros. É uma tal profusão de conteúdo cultural como essa que precisa ser revivida. Traduzir mais e mais Chesterton… Enfim, oferecer alternativas de qualidade, no nosso padrão de qualidade (mas que satisfaça o do público em geral) às lambanças publicadas aqui. Se conseguíssemos reproduzir esse movimento intelectual católico que já existiu, poderíamos contribuir e muito com essa quebra de hegemonia.

Um dos escritores mais presentes do blog Oficina de Valores vem estudando o pensamento social católico brasileiro, o que inclusive é o tema do doutorado dele na UFRJ. Ele manda bem demais da conta: Alceu, Corção, Sobral, Leme entre outros. Dois anos atrás o pessoal deste blog teve um Encontro de Intelectuais católicos. Teve palestra sobre vários desses, até sobre Pe. Penido entre outros. O Movimento de Vida Cristã que organizou.

Já conseguimos estabelecer uma posição de visibilidade com os nobres conservadores supracitados. O organizador de “Idiota”, o blogueiro Felipe Moura Brasil, bem como o Lobão e mesmo o Roger da “Ultraje a Rigor” serviriam como os comunicadores que chamariam a atenção para esse novo conteúdo artístico conservador a ser criado, despertando de imediato o interesse (ainda que pela desqualificação) até mesmo dos nossos adversários culturais.

Segunda pergunta: Quanto tempo levaremos, e como faremos, para que esta hegemonia seja quebrada no clero, especialmente no episcopado brasileiro?

Essa parte é um pouquinho mais complicada de se responder, pois não há um único fator responsável por esta hegemonia em meio ao clero.

O primeiro fator, o mais evidente e de longe o único que não devia interferir na independência de pensamento do clero, é que o pensamento do clero também é influenciado pelo quadro cultural e político do país, por pior que ele seja. Assim, se essa hegemonia for quebrada fora da Igreja, os membros da Hierarquia que apenas refletem esse quadro imaginando que a opinião da maioria é a mesma coisa que o bom senso, também refletiriam essa quebra de hegemonia, passando a aceitar a possibilidade da validade das idéias de direita e até mesmo tomar para si algumas destas ideias. Nós não saberíamos quanto tempo levaria para se efetuar essa mudança, mas seguindo a opinião dos estudiosos, no caso a do Olavo de Carvalho que é um dos principais estudiosos do assunto em questão, o intervalo de tempo entre o lançamento de idéias no meio intelectual e a sua adoção pela sociedade, inclusive como sugestão de ação política, é em torno de 30 anos. Foi mais ou menos esse tempo que levou desde a ocupação dos meios intelectuais pela esquerda no Brasil até as ondas de movimentos esquerdistas que preparam a ascensão da esquerda ao poder. Alguns de nós são até um pouco mais pessimistas que o Olavo de Carvalho: São trinta anos pra brotarem as ideias, tome mais vinte ou trinta para ser um projeto de poder viável, mas há uma série de fatores que podem ser catalisadores. Todos esses fatores são sangrentos…

Outros dois fatores quase tão decisivos quanto o primeiro, e que estão muito ligados entre si, são a qualidade da educação religiosa que se recebe nas paróquias e a qualidade da educação religiosa que se recebe no seminário, dado que o clero foi educado nas paróquias e nos seminários. Esses dois fatores são mais fáceis de mudar “de cima” do que “de baixo”. Se as ordens de mudança nestes dois lugares de ensino viessem de Roma e com pulso firme, em alguns anos elas já estariam se refletindo nas declarações públicas do clero. Mas se ela tiver que ser feita com uma mudança gradual da mentalidade do católico médio, causada pelas estratégias dos católicos conservadores e seus apostolados, poderia levar várias décadas e até séculos pra que isso acontecesse. Acontece que dentro da Igreja as mudanças são mais lentas, porque faz parte da natureza do católico ser resistente a mudanças. Aliás, graças a Deus que é assim! Esse é um dos mecanismos sociais de preservação da fé e da moral. Novamente, devemos olhar como a esquerda foi se tornando hegemônica dentro da Igreja, para ter uma idéia de como seria o processo inverso. Ora, desde os primeiros relatos de infiltrados dentro da Igreja com essa finalidade – os escritos do Cônego Roca, a Permanent Instruction of the Alta Vendita, etc. – até a atual hegemonia passaram-se dois séculos.

Aqui também deve ser feita outra menção honrosa: a dos padres que, como nós, leigos engajados, lutam por uma Igreja mais comprometida com seus reais valores. Esses caras serão a nossa esperança para a próxima geração de seminaristas. Só citando de passagem, temos o Pe. Paulo Ricardo, que inclusive é reitor de seminário, e o Pe. Demétrio, que também está na mídia. E nós, leigos engajados, não ficamos para trás, assumimos corajosamente o nosso papel de “chatos” apontando insistentemente para a tradição, mesmo contra a “jujubice” reinante.

Existem, é claro, outros fatores que influenciam o pensamento do clero, como sua educação familiar ou os rumos que seus estudos acadêmicos acabam tomando quando feitos sem cuidado, mas creio que o Frei não se refere a nenhum deles, por serem casos individuais.

Terceira – e a mais capciosa – pergunta: Como o atual pontificado pode ajudar ou atrapalhar o desenvolvimento deste pensamento no pais?

Por si mesmo, o pontificado do Papa Francisco não deve nem atrapalhar nem ajudar, simplesmente porque o foco do Papa atual não é a Guerra Cultural, como foi em boa parte o foco de Bento XVI e do final do pontificado de João Paulo II.

O problema é que os esquerdistas ainda gostam muito desse Papa, e algumas de suas declaração são ocasiões seriíssimas de os esquerdistas encherem o saco dos conservadores dizendo que “eles não pensam ou não agem de acordo com o Papa atual”, etc. Isso pode atrapalhar bastante o desenvolvimento deste pensamento no país, principalmente porque ao ver essas acusações dos esquerdistas, possíveis novos adeptos do pensamento conservador podem se sentir “melindrados”, temendo ficar contra o Papa. Um leitor d’O Catequista, se referindo à visão que os ateus têm do Papa Francisco, deu uma resposta ótima: “É o papa de quem eles adoram colocar palavras na boca”. O Papa Francisco é um gigante bondoso – um Gentle Giant… e os fdp’s vão colocar palavras na boca dele como fizeram com São Felipe Néri, São Tomás de Aquino e São Pio.

Contudo existe uma oportunidade a ser explorada, na medida que o Papa tem aberto de mansinho, mais portas para o pensamento católico. Ainda que na base da estética (só estética!) “jujuba”. É um belo início para a reversão do preconceito dos mais jovens contra todos os pensamentos que vem da Igreja.

Esperamos que este breve artigo tenha respondido à altura as questões do Frei Rojão. Se restar alguma dúvida, basta ele postar em seu próprio blog e ter certeza de que estaremos de olho.

Este artigo é uma produção coletiva da Liga dos Blogueiros Católicos.

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Declarações políticas das conferências episcopais: Qual a desvantagem?

Caríssimos, o artigo a seguir estava linkado na página inicial do site NewAdvent.org. Na minha humilde opinião, o site NewAdvent.org é O Site católico na internet. Isto porque logo na página inicial estão relacionados vários artigos de formadores de opinião com posições católicas de verdade. Além disso, o site conta com a Enciclopédia Católica completa, a Suma Teológica de São Tomás de Aquino completa, os escritos dos Padres da Igreja, e uma biblioteca vastíssima, com muitíssimos documentos da Igreja sobre os mais variados assuntos. Pena – não pra mim, que leio bem inglês! – que está tudo em inglês.

O artigo fala sobre as desvantagens de a Conferência dos Bispos dos EUA emitir declarações tão freqüentes, sobre uma gama tão variada de assuntos políticos e que, além disso, são meramente prudenciais, não havendo nenhum ensinamento certo do Magistério sobre estas questões, isto é, elas podem ser objeto de livre debate. Mas apesar de ser direcionado para os bispos daquela conferência episcopal, este artigo cai como uma luva para a conferência episcopal de nosso próprio país!

A razão sinal-ruído na USCCB

Durante as várias últimas semanas os bispos dos EUA estiveram engajados numa batalha política crítica sobre o mandato de contracepção da HHS (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA), e a USCCB (Conferência dos Bispos dos EUA) emitiu uma série de fortes declarações sobre este assunto. Bom.

Durante estas mesmas semanas, contudo, a USCCB também emitiu declarações sobre corte de taxas e benefícios de desemprego, o código de direitos do consumidor, a política dos EUA no Oriente Médio, armas nucleares, e agora política agrícola. Aqui eu estou incluindo apenas declarações lançadas pela conferência episcopal. Bispos individuais adicionaram suas próprias opiniões em matéria de políticas públicas, variando de imigração a mudança climática.

Não é óbvio por que os bispos se sentem obrigados a falar sobre todos estes assuntos. Há uma clara posição “Católica” sobre política agrícola? Não. Os bispos tem alguma autoridade especial de ensino em relação a política agrícola? Novamente, não.

Mas porque USCCB continua pondo em marcha recomendações sobre política, políticos podem “se ligar” ou “se desligar”, ouvindo aos bispos onde quer que convenha a seus interesses partidários. Um legislador pode dizer a seu bispo: “Eu posso ter desapontado você em relação ao mandato de contracepção, mas lembre-se, eu estava com você em relação aos benefícios de desemprego e ao código de direitos do consumidor. Então eu estava com você mais vezes do que eu estava contra você”.

As linhas-guias dos bispos para a chamada Faithfull Citizenship compõem o problema por encorajar tanto políticos quanto eleitores a considerar uma ampla gama de questões – algumas absolutamente críticas, outras relativamente menores; algumas, claros imperativos morais, outras, questões de juízo prudencial. Alguém que leia as declarações dos bispos cuidadosamente, honestamente buscando orientação, reconhecerá que algumas questões tomam precedência. Mas alguém que já tem sua opinião formada, e vasculha por Faithfull Citizenship procurando meios de justificar suas decisões, pode facilmente sacar citações para usar em defesa de suas escolhas.

Por falar tão freqüentemente, numa tal ampla variedade de questões públicas, os bispos Americanos estão jogando por água abaixo sua própria autoridade de ensino. Se eles emitissem declarações públicas menos freqüentemente e se confinassem a questões importantes sobre as quais eles poderiam falar com clareza e autoridade, eles teriam muito mais impacto. Com isso em vista, eu tenho duas sugestões:

1. Em questões morais importantes, quando o ensinamento da Igreja Católica é claro, uma declaração preparada pela USCCB deveria vir carimbada com uma mensagem em que se lê:

Nesta questão, bispos Católicos falam com autoridade e os fiéis estão obrigados em consciência a seguir sua orientação.

2. Se uma declaração preparada pelo pessoal da USCCB não se qualifica para este carimbo autoritativo, ela não deve ser publicada.

Update: Parece que eu escrevi muito rápido. Tão logo eu apontei que a USCCB emite opiniões em demasiadas questões políticas discutíveis, uma nova declaração da USCCB apareceu para nos dar as perspectivas dos bispos sobre orçamento federal, tributação, déficits, bem-estar, gastos com defesa, auxílio-moradia, ajuda externa, treinamento profissional, créditos de taxa, programa Pell Grant, e o Programa de Auxílio-Nutrição Suplementar. Ah, sim, e sobre escolha de escola para os filhos, que é uma questão sobre a qual a Igreja tem um ensinamento claro e distintivo. Mas a maioria dos fazedores-de-leis provavelmente não vão nem notar os comentários dos bispos sobre o Programa de Oportunidade de Bolsa-de-estudos do DC, porque eles estarão muito ocupados arando através do resto da retórica. Então outra oportunidade de levantar um ponto preciso, sobre uma questão em que a USCCB poderia possivelmente influenciar, foi sacrificada pelo intento de uma prolixa “abordagem de cesto-de-bugingangas”.

Q.E.D.
(Autor: Phill Lawler. Fonte: http://www.catholicculture.org/commentary/otn.cfm?id=896)

Aqui no Brasil nós ainda temos um agravante seriíssimo. Lá nos EUA o problema é apenas o desperdício de declarações de bispos sobre assuntos discutíveis. Aqui estas declarações não são só sobre assuntos inócuos, como quase sempre vêm acompanhadas de doutrinas anticristãs ou heréticas.

Os católicos do Brasil deveriam conhecer melhor coisas como estas que são veiculadas no NewAdvent.org!

A vida eclesial do nosso tempo

O modelo atual de atividade eclesial é perfeitamente estéril. Estamos há tanto tempo neste estado que já não temos mais idéia de qual seria o modelo frutífero. Os elementos principais da Religião são o Dogma, a Lei Moral e o Culto. Frutíferas seriam as atividades que nos fizessem crescer nestes três âmbitos: que nos fizessem conhecer melhor a nossa Fé, que nos dessem boas orientações morais e apoio para seguí-las, e que nos levassem a um culto cada vez mais piedoso.

O modelo estéril, evidentemente, é o baseado em pastorais, equipes e conselhos, sob a coordenação das comissões da CNBB, com suas reuniões, assembléias e showmícios. Isso pra não falar das infames dinâmicas de grupo e os rituais heterodoxos, como os ofícios das CEBs ou as vias-sacras da fraternidade.

As pastorais existem hoje pra cumprir a agenda da ONU e da CNBB, e não a agenda da Tradição Católica. Suas reuniões são grandes perdas de tempo, pois servem apenas para reforçar a agenda daquelas duas entidades. Quando alguma coisa de Doutrina Católica é falada nessas ocasiões é apenas para servir de pano de fundo para doutrinas heterodoxas. Os planos de pastoral, que são elaborados nestes mesmos princípios heterodoxos, não trazem nenhum incremento naqueles elementos principais, estão mais preocupados com coisas secundárias como “acolhimento”, “método ver-julgar-agir”, “estrutura política dos grupos e pastorais”, “partilha de experiências” e coisas do tipo.

As pastorais que lidam com família estão fazendo o contrário do que deviam: querem atenuar o chamado “conflito de gerações”, ao invés de apoiar e instruir os pais que devem educar moralmente os filhos. As pastorais que lidam com os jovens também estão ao contrário: estão preocupadas com o que os jovens querem, quando deveriam estar dando o que eles precisam, isto é, apoio psicológico para que eles se tornem mais piedosos.

A Liturgia é cada vez mais bagunçada pela criatividade das equipes litúrgicas, pela euforia dos “ministérios” de música e poluída visualmente com os milhares de ministros da Comunhão Eucarística. Todos se empenhando em fazer as Missas mais participativas, quando na verdade elas deveriam ser mais piedosas.

As homilias não falam mais de moral, nem do inferno, nem das virtudes. Quando não falam de política, falam de sentimentos açucarados e para isso recebem materiais abundantes das Campanhas da Fraternidade, dos eventos carismáticos e dos discursos dos bispos da CNBB.

A espiritualidade é um caso à parte. Tratada do modo como deve ser tratada ela dá uma grande contribuição ao comportamento moral e à participação no culto. Mas do jeito que ela é tratado hoje, apenas em grupos da RCC ou em outros fortemente inspirados na mesma RCC, elas estimulam mais aquele sentimentalismo e aquela anarquia litúrgica, de um lado, e em alguns lugares um certo laxismo moral do outro.

Por todas essas coisas, e mais algumas, é que digo que não há remédio para o atual modelo de atividade eclesial. Ainda há remédio para a Igreja do pós-concílio, mas só se Ela abandonar este modelo de atividades.

Muita gente já percebeu há muito tempo essas coisas que eu tou falando, principalmente jovens e adultos conservadores e tradicionalistas. E é por isso que hoje temos trabalhos como o modelo Juventutem, que como o nome pode deixar entrever, lida com os jovens ensinando-os a serem católicos de coração; existem grupos de estudo, como o SPES Santo Tomás e, aqui no Rio, o Regina Angelorum, que além de proporcionar o conhecimento da Doutrina Católica, através do estudo dos documentos do Magistério, também proporciona uma espiritualidade correta, através da devoção do Terço de Nossa Senhora; outro exemplo de como a doutrina católica pode ser melhor conhecida são os vários sites e blogs de apologética como o Veritatis, a Montfort, o Sociedade Católica, o Deus Lo Vult, o blog do Angueth e muitos outros; hoje, muitos destes apostolados falam de temas de Moral, como modéstia, castidade, bioética e prática das virtudes; na Liturgia temos o excelente Salvem a Liturgia, além de todos os movimentos e grupos pela celebração da Missa Tridentina.

É nesses grupos, e não no atual modelo de atividade eclesial, que encontramos a verdadeira Identidade Cristã. Não devemos mais perder tempo tentando salvar esse modelo ao qual estamos acomodados. Nossos tempos exigem atitudes um tanto mais radicais. Se queremos ter uma Igreja no Brasil dando frutos, o único caminho é abandonar as nossas atividades atuais exatamente do jeito que estão e começarmos a apoiar, ou imitar, os exemplos citados acima.

A Igreja em sua perene Tradição nos dá materiais suficientes para “fazermos um bom bolo”. Mas se este que estamos fazendo há algumas décadas “desandou”, é hora de o jogarmos fora e fazermos outro bolo…

Ainda sobre a possibilidade de um mundo sem violência

Ainda com relação à postagem do dia 06/10/2009, sobre a possibilidade de não mais existir violência no mundo, tinha dito lá que pessoas autoritárias sempre existiriam, e por sua própria natureza, sempre conseguiriam ter algum sucesso em sua busca por poder e controle. Disse também que com essas pessoas o diálogo é impossível, pois eles podem transformá-lo num mero instrumento para ganhar tempo.

Um exemplo bem concreto é o do Movimento dos Sem Terra. Há alguns dias a Rede Globo tem mostrado um vídeo de um trator destruindo pés-de-laranja em uma fazenda. Na reportagem, a coordenadora do MST fala – com um ar de quem acredita estar fazendo um bem – que os pés de laranja só foram destruídos para que fosse plantado feijão no lugar. E ainda sublinha: “ninguém vive só de laranja”.

Alguns comentários se fazem pertinentes antes de seguirmos adiante. Primeiro, ninguém vive só de laranja. Mas ninguém também vive só de feijão! Além do mais, o vice-presidente da federação paulista de agricultura afirma, no mesmo vídeo, que a destruição dos pés-de-laranja não era necessária, e que poderia haver uma alternância de culturas. Acontece que o feijão evoca muito mais facilmente a idéia de comida, de alimento, do que a laranja. Assim, fica aquela impressão ligeira de que eles estão destruindo algo que não serve para matar a fome, para plantar algo que serve para matar a fome. É uma estratégia para influenciar o pensamento dos menos atentos. É o primeiro sinal do autoritarismo dessa gente. Mas não para por aí!

Havia outras opções mais produtivas do que simplesmente destruir o trabalho da Cutrale. E menos violentas do que expulsar famílias tão pobres e que dependem tanto da produção agrária quanto as famílias do MST. As laranjas poderiam ser vendidas para comprar feijão. Haveria também a cultura alternada já citada. Mas, reparem, se foi feita a escolha totalmente deliberada de destruir desnecessariamente mais de cinco mil(!!!) pés-de-laranja, e ainda se dá como “justificativa” um argumento que se pretende humanitário sem dizê-lo às claras, é óbvio que foi uma ação de terrorismo. Por falar nisso, alguém reparou os caminhões, que são propriedade da empresa, que foram marcados com as iniciais “MST”, o que indicam que foram apropriados pelo movimento? No meu mundo peculiar, isto se chama roubo. Como a invasão de uma fazenda, que ainda por cima de improdutiva não tem nada.

Vejam bem: que argumentos usar contra pessoas que não têm escrúpulos de roubar caminhões, expulsar famílias pobres que não têm condições de se defender e destruir muita comida, com o ar beato de que está apenas lutando por uma melhor distribuição de terras? Além do mais, que em outras frentes usa argumentos totalmente diferentes, procurando sempre adaptar o seu discurso ao destinatário, não importando a verdade objetiva, importando apenas que o ouvinte seja convencido? Podemos ver isto que eu acabei de falar nesta entrevista concedida pelo sr. João Pedro Stedile à Folha de São Paulo, e “clipada” no Blog do Reinaldo Azevedo.

O mais irônico de toda esta situação é ver uma entidade que se diz pacifista, como a CNBB, ter em seu seio a Comissão Pastoral da Terra, que defende a destruição da plantação. O Jorge do blog Deus lo Vult mandou uma carta à CNBB a respeito disto tudo. Vamos ver se vai ter resposta…

Como se pode ver de tudo o que foi dito acima, apesar de ter opções pacíficas, um movimento que diz ter um propósito bom (a melhor distribuição de terras para a cultura agrária), preferiu usar a violência e outros meios baixos e cruéis para conseguir seus objetivos. E preferiu, justamente porque acredita que seus alegados objetivos, sua alegada causa, justifica qualquer ato de terrorismo.

Com o MST à solta, alguém ainda acredita que um mundo sem violência seja possível?