Identidade Católica 2 – Por que preferir o Catecismo de São Pio X

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Na primeira postagem desta série eu havia dito que quando eu falo de Identidade Católica, me refiro especialmente a duas definições, expostas naquela postagem, e que uma delas – “Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos pastores da Igreja” – é tirada do Catecismo de São Pio X. Na página Religião Cristã pode-se ver também que eu dou preferência a definições e explicações contidas neste Catecismo. Alguém poderia se perguntar por que, afinal, eu prefiro usar o Catecismo de São Pio X se existe um catecismo mais atualizado – o Catecismo da Igreja Católica. Quando eu escrevia para o Apostolado Digitus Dei eu cheguei a iniciar uma série de artigos de comparação entre os dois catecismos e lá eu expus algumas razões pelas quais eu prefiro o de São Pio X. Nesta postagem eu vou colocar as razões novamente, pois estas razões são o fundamento da minha preferência pela definição de “verdadeiro cristão” que encontramos no Catecismo de São Pio X.

Primeiramente, o Catecismo de São Pio X é mais conciso. Ele consegue dizer em poucas palavras o que o Catecismo da Igreja Católica diz com muitos rodeios, muitas explicações que na maior parte das vezes estão acima do nível cultural e acadêmico do público-alvo geral e muitas repetições desnecessárias. Compare-se, por exemplo, o que o Catecismo de São Pio X fala sobre a Sagrada Escritura (Quinta Parte, Capítulo I, §4) e o que diz o Catecismo da Igreja Católica (Primeira Parte, Primeira Seção, Capítulo Segundo, Artigo 3). O poder de síntese do Catecismo de São Pio X fica evidente.

Em segundo lugar, o estilo dialético em que o Catecismo de São Pio X é escrito facilita o entendimento e a memorização. Ele desenvolve a doutrina cristã através de perguntas e respostas, que é o modo pelo qual a mente humana naturalmente trabalha, principalmente porque é comum uma resposta levar a novas perguntas. E é mais fácil lembrarmos respostas a perguntas específicas do que um ponto específico de um longo texto expositivo

Uma vantagem do Catecismo de São Pio X especialmente útil nos dias de hoje é que as fórmulas usadas por ele são pensadas de modo a evitar ambigüidades e praticamente cada palavra dessas fórmulas é um conceito que é desenvolvido em questões posteriores do próprio catecismo, ou são conceitos tão conhecidos da Tradição Católica que basta olhar outros escritos católicos para encontrar a explicação para o uso de tal ou qual palavra das fórmulas mencionadas. Nesse ponto o estilo do Catecismo de São Pio X é bem escolástico. E a maior vantagem que o pensamento escolástico tem em relação ao pensamento moderno é justamente essa unidade lógica, em que nenhuma das partes da explicação fica solta. O pensamento moderno é fragmentado, o que dá brecha pra que erros doutrinários sejam inseridos sutilmente em explicações que podem até parecer ser corretas. A unidade lógica do pensamento escolástico é uma proteção firme contra essas armadilhas do pensamento moderno.

Mas a principal vantagem do Catecismo de São Pio X é que ele não busca ser “diplomático”. Suas expressões são diretas e não dão espaço para dúvidas, parecendo até mesmo um pouco duras demais para os ouvidos sensíveis dos “católicos jujuba” de hoje em dia. O Catecismo atual parece ter sido redigido com essa preocupação de “não ofender ninguém”, como se fosse possível agradar a Deus e ao mundo. Nele não se encontram expressões como “verdadeiro cristão”, “obrigação de aprender a doutrina cristã”, “única Igreja de Jesus Cristo”, não é feita a identificação da doutrina católica com o próprio ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, etc. Estas coisas fazem parte das coisas básicas que devemos saber e professar para podermos dizer que temos fé e, se o Catecismo atual esconde essas coisas é por causa da ilusão bem disseminada hoje em dia de que esconder as palavras mais duras da doutrina católica é “mudar apenas o modo de expressar a mesma doutrina” e não mudar a mesma doutrina para agradar os inimigos da Igreja.

Uma curiosidade: ao ser perguntado em 2003 por um repórter da Zenit se o Catecismo de São Pio X seria definitivamente superado quando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica fosse lançado, o então Cardeal Ratzinger disse: “A fé, como tal, é sempre a mesma. Logo o catecismo de S. Pio X sempre retém seu valor”. Além disso, ele disse: “O texto foi fruto da experiência catequética pessoal de Giuseppe Sarto (o Papa São Pio X), cujas características eram a simplicidade da exposição e a profundidade do conteúdo. Também por causa disso, o catecismo de S. Pio X terá amigos no futuro”.

Por estas razões, eu prefiro o Catecismo de São Pio X ao Catecismo da Igreja Católica, e sempre que eu preciso mostrar a alguém qual é a doutrina católica sobre determinado ponto, a primeira fonte a que eu recorro é ele.

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Identidade Católica 1 – A defesa da Identidade Católica


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Eu fico feliz em ver a quantidade de apostolados católicos, de matiz mais conservadora, que têm surgido ultimamente, especialmente na internet (blogs e fanpages no Facebook). É somente em vista dessa realidade que foi possível reunir a Liga dos Blogueiros Católicos. Mas esse despontar de apostolados católicos também serviu para pôr em evidência as divergências que naturalmente acontecem quando se trata de grupos de matiz conservadora. Para efeito deste artigo incluo grosseiramente os tradicionalistas e os neocons no grupo dos conservadores.

O conservadorismo implica uma prontidão, que às vezes parece até exagerada, de defender firmemente o que é certo contra o que é errado. É típico da mentalidade conservadora se preocupar com o que é correto, mais do que com o que é agradável. O conservador é aquele que deve defender o que é certo contra o que é fácil e cômodo. Este tipo de atitude, que parece exagerada e ultrapassada nos dias de hoje, é necessária como um mecanismo de defesa: é comum que o erro se insinue como uma aparentemente inocente tentativa de apaziguar conflitos entre idéias e atitudes que seriam igualmente legítimas. O conservador defende que é necessário sustentar o lado mais correto, mesmo pagando o preço do conflito e de rejeitar uma idéia que às vezes nem é danosa em si, mas que pode dar margem a outras idéias e atitudes danosas no futuro.

Com isso é comum que os conservadores estejam em conflito não só com os progressistas, mas também entre eles mesmos. Eu sou daqueles que defende que, apesar de estes conflitos serem inevitáveis, por serem parte da essência do conservadorismo, os conservadores devem se esforçar continuamente em não deixar que eles atrapalhem a ação conjunta e coordenada que eles devem empreender na atual guerra cultural contra os inimigos de Deus e da Igreja.  E o único modo de não deixar que os conflitos entre os conservadores não atrapalhe esta ação conjunta e coordenada é ordenar esta ação em torno do conceito de Identidade Católica.

Minhas definições favoritas de identidade católica, isto é, do que é ser um católico de verdade, daquilo que é verdadeiramente essencial para alguém poder se chamar católico são, primeiro, a definição do Catecismo de São Pio X: “Verdadeiro Cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos pastores da Igreja”; segundo, a definição baseada nos três “C’s”: o católico é aquele que busca preservar o Credo, o Código e o Culto. Pretendo me aprofundar análise destas definições a as razões da minha preferência em outro artigo. Por agora, basta observar que, se conseguirmos dar mais importância ao que vai nestas definições, e dar menos importância ao que não está nelas, conseguiremos liberdade o suficiente para coordenarmos as diversas convicções dos conservadores. E por quer deveríamos fazer este esforço? Há duas razões principais.

A primeira é que uma opinião ganha força pela quantidade de pessoas que a divulga e pela homogeneidade destes testemunhos. Não estou dizendo aqui que a quantidade seja critério de veracidade. A veracidade da opinião deve ser apurada de outro modo. Mas é fato que quanto mais pessoas difundirem determinada opinião, mais conhecida ela será. Não adianta apenas estarmos certos. Nossas opiniões têm que ser conhecidas.

A segunda razão é que, pelo fato de as divergências fazerem parte da natureza dos grupos conservadores, buscar se concentrar em questões mais centrais e fundamentais, como o que significa de verdade ser cristão, é uma boa estratégia para fazer surgir pistas para a futura solução destas divergências. É ridículo dizer, como os “católicos” delicadinhos de hoje em dia vivem dizendo, que devemos simplesmente esquecer as divergências. Não devemos, não! Até porque as razões pelas quais os conservadores divergem são coisas importantes, que não podem simplesmente ser jogadas para debaixo do tapete. O que devemos fazer é adiar a solução definitiva destas divergências (elas terão que ser resolvidas algum dia, não restam dúvidas) para um momento em que estivermos recebendo relativamente poucos ataques dos inimigos da Igreja. Além disso, focar no essencial, de ajudar a expôr quem são os verdadeiros inimigos em quem todos devem concentrar os ataques nos momentos mais críticos (como os pronunciamentos complicados do Papa Francisco, que acabam sendo distorcidos antes que a maioria dos católicos tomem conhecimento deles).

Devemos dar cada vez mais atenção a esta questão. Se eu pelo menos conseguir convencer os católicos que eu conheço da importância desta mudança de foco poderei considerar que dei a minha contribuição pessoal à defesa da fé.

Boletim Digitus Dei 002

Em meu novo artigo no blog do Apostolado Digitus Dei estou respondendo a um leitor que acusou o apostolado de não estar em comunhão com a Igreja Católica. Leiam lá:

É preciso aceitar o Vaticano II para ser católico?

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Boletim Digitus Dei 001

Em meu novo artigo no blog do Apostolado Digitus Dei estou iniciando uma Comparação entre o Catecismo da Igreja Católica e o Catecismo de São Pio X, dando continuidade à minha análise da crise que nossa Santa Igreja atravessa atualmente. Leiam lá:

Catecismo da Igreja Católica x Catecismo de São Pio X – Parte I

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