Um Santo Natal a todos!!!

Amanhã é a véspera do Natal do Senhor. Em nossos tempos sombrios, esta data é conhecida apenas por Natal, e passou a ser apenas uma ocasião em que se dão presentes, em que se enfeita um pinheiro com bolas coloridas e luzes que piscam, em que se come peru e panetone e, principalmente, em que se divulgam slogans que estimulam sentimentos tão adocicados quanto sem sentido e a benevolência esporádica para com as pessoas.

O Natal do Senhor não é isto! Esta data serve para nos lembrar deste que foi um dos dois acontecimentos mais importantes da história da humanidade (o outro acontecimento foi a Paixão do mesmo Senhor), que foi o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. A importância deste acontecimento é aquela que podemos ver difusamente nos primeiros versículos do Evangelho Segundo São João: Deus, na pessoa do Filho, que vive na Eternidade e tem poder sobre todas as coisas, assumiu nossa natureza e se encarnou, tornou-se humano como nós, sujeito a todos tipo de sofrimentos e até à própria morte. Esta sujeição, Deus a suportou para nos trazer a Salvação, para nos tirar debaixo do império do pecado e nos dar o conhecimento de d’Ele.

As próprias condições do nascimento do Senhor têm uma carga simbólica muito forte: nasceu na pobreza e rejeitado por aqueles que lhe deviam dar abrigo. Deus aceitou estas condições indignas de Sua Infinita Majestade, para nos unir novamente a Ele!

É claro que não há nada errado em montar árvores de Natal, comer peru e trocar presentes. Mas, os cristãos têm que fazer mais do que isso, pois são os guardiões da boa notícia do Natal do Senhor, e como guardiões são obrigados a participar das celebrações instituídas pela Igreja para distinguí-los como estes guardiões.

O papa São Pio X nos ensina, de modo simples e preciso, a maneira mais apropriada de comemorarmos o Natal do Senhor:

Do santo Natal

4. Que festa é o santo Natal?
O santo Natal é a festa instituída para celebrar a lembrança do nascimento temporal de Jesus Cristo.

5. Que tem de particular o santo Natal, entre todas as outras festas?
O santo Natal, entre todas as outras festas, tem duas coisas de particular. 1ª. que se celebram os ofícios divinos na noite precedente, segundo o uso antigo da Igreja nas vigílias; 2ª. que cada sacerdote celebra três Missas.

6. Por que quis a Igreja consagrar o uso de celebrar na noite de Natal os ofícios divinos?
A Igreja quis conservar o uso de celebrar na noite de Natal os ofícios divinos para renovar com vivo reconhecimento a lembrança daquela noite, em que, nascendo o divino Salvador, começou a obra da nossa Redenção.

7. Quais são as coisas que a Igreja propõe à nossa consideração nas três Missas do Natal?
No Evangelho da primeira Missa faz-nos considerar que a Santíssima Virgem, tendo ido de Nazaré a Belém, em companhia de São José, para aí fazerem registrar o nome, conforme a ordem do imperador, e, não tendo encontrado outro lugar, deu à luz Jesus Cristo dentro de um estábulo de animais, e depois o reclinou numa manjedoura de animais. No Evangelho da segunda, propõe à nossa consideração a visita feita a Jesus Cristo por alguns pobres pastores, a quem um Anjo anunciara o seu nascimento. No Evangelho da terceira, faz-nos considerar que este Menino, que no tempo se vê nascer de Maria Virgem, é desde toda a eternidade Filho de Deus.

8. Qual é a intenção da Igreja ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas do Natal?
A intenção da Igreja, ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas do Natal, é que agradeçamos ao divino Redentor o ter-se feito homem para nos salvar, que O reconheçamos juntamente com os pastores, e O adoremos como verdadeiro Filho de Deus, acolhendo as instruções que Ele tacitamente nos dá através das circunstâncias do seu nascimento.

9. Que nos ensina Jesus Cristo com as circunstâncias do seu nascimento?
Com as circunstâncias do seu nascimento Jesus Cristo ensina-nos a renunciar às vaidades do mundo e a apreciar a pobreza e os sofrimentos.

10. Na festa do Natal somos obrigados a ouvir três Missas?
Na festa do Natal somos obrigados a ouvir só uma Missa mas é bom ouvir as três para nos conformarmos melhor com as intenções da Igreja.

11. Que devemos fazer no santo Natal, para nos conformarmos plenamente com as intenções da Igreja?
No santo Natal, para nos conformarmos plenamente com as intenções da Igreja, devemos fazer quatro coisas: 1ª. preparar-nos na vigília, unindo ao jejum um recolhimento maior que o de costume; 2ª. purificar-nos por meio de uma boa confissão, e ter um vivo desejo de receber a Nosso Senhor; 3ª. assistir, se for possível, na noite precedente, aos ofícios divinos e às três Missas, meditando no mistério que se celebra; 4ª. empregar este dia, quanto nos for possível, em obras de piedade cristã.

Além do ensinamento de São Pio X, no blog Download Católico tem uma novena composta por Santo Afonso Maria Ligório para o Natal. No site do Apostolado Veritatis Splendor há um artigo interessante, defendendo que Nosso Senhor teria de fato nascido no dia 25 de Dezembro.

A todos vocês um Santo e Feliz Natal do Senhor!!!
Captare

O Dogma e a linguagem dos nossos dias

O Pedro Ravazzano, membro do Apostolado Veritatis Splendor, levantou recentemente a questão da necessidade de uma urgente correção na tradução do Missal Romano para a língua portuguesa. Esta questão tem ligação com outra relativa à linguagem. É um ponto muito defendido por teólogos e figuras públicas da Igreja dos dias de hoje que a mensagem cristã deve ser expressa de modo que os homens de cada época e cultura a entendam e que, para isto, a Igreja deve procurar atualizar seu modo de expor a Sagrada Doutrina. Teria sido este espírito o animador do Papa Beato João XXIII ao convocar o Concílio Vatricano II. Ou pelo menos, é o que dizem os defensores do CVII.

É verdade que a maneira de expressar certas idéias mudam de cultura para cultura e, dentro de uma cultura, de época para época. Também é verdade que a Igreja, devido à sua própria vocação missionária, deve procurar se expressar de modo que todos os homens de todas as épocas e culturas entendam a mensagem do Evangelho. O problema é quando estas verdades servem de ponto-de-apoio a algum Zé-corneta mal-intencionado, como os progressistas, que dizem que o dogma evolui; ou os relativistas, que dizem que não existe uma verdade absoluta e sim “verdades” que variam de acordo com o ambiente cultural. O artifício retórico usado para dar aparência de verdade a este tipo de distorção é o de que a rigidez e a erudição das fórmulas tradicionais não passam de pura vaidade. Se por um lado, existem aqueles legalistas e pedantes que se apegam às formulas como se fossem “roupas de grife” e, como tal, indicadores de um certo status, do qual se valem para olhar os que não possuem o mesmo apego de cima para baixo, por outro lado, e é o que eu pretendo mostrar aqui, erudição não é uma simples ancilla vanitatis. A verdade é que nem todos os modos de expressão são suficientes para expressar as verdades necessárias à nossa salvação. Isto vale principalmente para a linguagem usada nos nossos dias, que incorporou ao vocabulário corrupções como formas supostamente legítimas de desenvolvimento histórico de algumas expressões.

Mas, como eu dizia, a linguagem dos nossos dias não é suficiente para expressar as verdades da nossa fé. Por duas razões: primeiro, algumas palavras se tornaram ambíguas em sua evolução; segundo, algumas idéias passaram a ser expressas por palavras que não alcançam todo significado das que eram usadas antes.

No primeiro caso, temos o exemplo da palavra “substância”. Ela nasceu na filosofia, e seu sentido completo é aquele que a filosofia lhe deu, isto é, aquilo que permanece o mesmo em meio às mudanças. O corpo de uma pessoa muda e evolui, mas a pessoa é sempre a mesma. Mas a idéia mais comumente evocada por esta palavra hoje em dia é a de substância material, que nos foi introduzida pela Química. Se pegarmos, por exemplo, o dogma de que Deus Filho é consubstancial a Deus Pai, temos aí um grande problema, pois a divindade não possui matéria nenhuma, é puro espírito. O conceito filosófico de substância é adequado para preencher de sentido a palavra. O conceito químico, mais atual, mas fácil de alcançar, não é.

No segundo caso, temos o exemplo do padre da minha paróquia, que – vejam bem – na Missa das crianças, na hora da Consagração diz que Jesus estava “ceiando com seus amigos, ao invés de “ceiando com seus discípulos. Amigos é uma palavra mais acessível do que discípulos, mas não expressa totalmente o que significa ser discípulo, pois amizade não evoca a idéia de aprendizado. Também não seria apropriado usar palavras como alunos, ou aprendizes, pois a idéia de discipulado é maior do que os significados destas palavras, pois envolve a imitação do mestre, envolve também o serviço ao mestre, à causa do mestre. Discípulo é uma palavra difícil de pronunciar, com um conceito distante – quem hoje se diz discípulo de outra pessoa a não ser alguns mais eruditos? – mas é a única apropriada para exprimir a relação do Senhor com aqueles que conviveram com Ele.

Devemos ter esta insuficiência sempre em mente, pois às vezes a nossa boa intenção de entendermos melhor a nossa fé pode nos fazer cair na armadilha de absorver um conceito atual, mas pobre, com a ilusão de termos tido sucesso na nossa busca de um melhor entendimento. O Sagrado Magistério, isto é, os bispos que estão efetivamente em comunhão com o Papa, está aí para interpretar o depósito da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição, e para exprimir da maneira mais acessível as verdades que devem alimentar nosso espírito. Se às vezes esta maneira de se expressar ainda não é tão simples quanto esperamos é pelas razões apontadas acima, e por outras, mas nunca por mera vaidade.

Por isso, tomemos cuidado para que, no afã de entendermos melhor a nossa fé, não acabemos sendo rebeldes, desrespeitando a Tradição e aceitando idéias que servem mais para confundir do que para ensinar.

Por que tanta raiva dos tradicionalistas?

No dia 3 de Outubro terminou a novela Paraíso da Rede Globo. Nela, a atriz Cássia Kiss fazia o papel de uma fervorosa senhora católica, que cometia seus extremismos, como qualquer ser humano normal. Porém os extremismos dela tinham motivações religiosas e, por alguma estranha razão isso causava revolta. Chegou ao ponto de a atriz ter que explicar, em uma entrevista ao programa Mais Você, que a sua personagem não era uma vilã, era apenas uma religiosa fanática. O que acontece é que o imaginário coletivo colocou a “beata” no rol dos vilões simplesmente por ser “beata”.

Em uma certa sexta-feira, numa aula de Introdução às Sagradas Escrituras na minha faculdade de Teologia, o professor – um padre – comentou que “havia até mesmo na Internet um ‘site horrível’(sic), aquele Montfort”. A grande maioria dos alunos concordou. Mas curiosamente, a única razão patente para eles dizerem que o site era horrível, era o fato de ser tradicionalista.

Voltando um pouco no tempo, em certo período, aconteceu no Supremo Tribunal Federal uma série de audiências e sessões com a finalidade de votar a permissão jurídica para a pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil. É claro que isto suscitou um debate, mas o mais curioso foi o fato de que todos os argumentos contra a destruição de embriões sob o pretexto de descobrir curas para doenças eram encarados como fruto de uma visão religiosa, obscurantista e atrasada. Não importava que fossem médicos falando em termos médicos, como a dra. Lenise Garcia, ou conhecedores da lei falando daquilo que conheciam, como o ministro Carlos Alberto Direito. Um único fator era utilizado para desqualificar suas opiniões: eram católicos e… só!

Voltando ainda mais no tempo, numa certa tarde, conversando com uma amiga minha, a ouço dizer que o papa Bento XVI era maluco, um nazista e que estava querendo “fazer com que a missa voltasse a ser celebrada em latim”. Passados  quase quatro anos daquele episódio, não há sequer um breve sinal de que o rito antigo possa ser obrigatório para todos os católicos. Pelo contrário: o que o papa fez foi oferecer a oportunidade de tê-lo celebrado a quem o quer. Mas, provavelmente, a postura do papa mais voltada para a Tradição sugeriu que ele fosse aquele tradicionalista tirano e fanático que só existe mesmo no imaginário coletivo. Uma peça do nosso folclore avesso à rigidez de caráter.

Estes quatro exemplos são ilustrativos de uma postura que é tão comum quanto prejudicial nos nossos dias: a desconfiança generalizada do pensamento e do modo de vida tradicionalista, ou mesmo simplesmente austero. Não se trata de uma reserva baseada em traumas, em experiências ruins. Trata-se de uma exclusão a priori: estas pessoas simplesmente não têm o direito de serem levadas a sério.

A grande questão que eu trago para cá é: por que tanta raiva dos tradicionalistas? Por que suas opiniões não podem ser encaradas como um ponto-de-vista válido? Pois existe um grande prejuízo para o debate racional quando se exclui um ponto-de-vista antes mesmo de analisá-lo. Isto sem falar do julgamento baseado na aparência que às vezes encaixa sob o rótulo do “mal-tradicionalismo” quem às vezes não é nem mesmo tradicionalista.

Não seriam os tradicionalistas as atuais verdadeiras vítimas do preconceito?

Música de Deus?

“Faz um milagre em mim”, é um fenômeno pop. “Faz um milagre em mim” é só isso: um fenômeno pop. A prova de que é um fenômeno pop é a quantidade de versões em vários ritmos que foram feitas em cima dela, a frase “o show mais esperado do ano” em um cartaz do Regis Danese e a quantidade de pessoas não-religiosas que cantarolam ela por causa de sua melodia e sem a mínima vontade de se converter. A prova de que é apenas um fenômeno pop é sua letra, que menciona Deus de leve, mas faz muitas referências à condição do homem e sua necessidade de ter atenção.

Os Brasileiros têm um vício terrível: aproveitar o que já virou lixo lá fora. Os católicos adquiriram um vício terrível nas últimas décadas: em respeito (humano) às opiniões dos protestantes, usam suas músicas como se fossem “músicas de Deus” sem prestar atenção direito nas suas letras; basta que sejam bonitinhas, que “toquem o coração” e falem um pouquinho de Deus. Os brasileiros católicos acumularam os dois vícios: há muitos católicos que se derretem ao ouvir “Faz um milagre em mim”, um dos maiores sinais da decadência da religiosidade do homem contemporâneo, e podem até discutir com aqueles que apenas falam a verdade, dizendo que esta não é uma música cristã.

A verdade está lá, escondidinha, já no começo da letra:

Como Zaqueu eu quero subir,
O mais alto que eu puder.

Só pra te ver, olhar para Ti,
E chamar sua atenção para mim […]

Porém, na Bíblia Sagrada, em nenhuma parte está dito que Zaqueu quis chamar a atenção do Senhor. Confiram a passagem abaixo:

E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico.
E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.
E correndo adiante, subiu numa figueira brava para o ver; porque haveria de passar por ali.
E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque convém pousar em tua casa.

A passagem – Lc 19, 2-5 –  é da Tradução “Almeida Revisada e Corrigida” publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, ou seja, uma Bíblia protestante. As Bíblias católicas também não mencionam a intenção de chamar a atenção do Senhor. Então, por que será que alguém quereria “como Zaqueu” chamar a atenção do Senhor? A resposta é a decadência da religiosidade já mencionada.

Com a abertura da mentalidade cristã para a filosofia moderna, iniciada no séc. XVIII pelo protestante Schleiemarcher, o homem e toda sua mesquinhez passaram a ter importância dentro da religiosidade. O homem se pôs no centro, tirando Deus de lá, onde era o lugar d’Ele. Não mais a Vontade de Deus e sua Majestade, mas os anseios do homem, suas feridas e sua prosperidade passaram a ser a preocupação daqueles que falavam de Deus.

“Faz um milagre em mim” é uma compilação de todas estas demandas. O resto da canção só pode ser entendida nesse contexto da espiritualidade antropocêntrica e em função daquele quarto verso. Pois todos trechos que passam por máximas cristãs, podem ser reinterpretadas à luz de ideologias bem disseminadas no meio protestante, possíveis apenas devido à influência da mesma filosofia moderna. Senão vejamos:

  • “Sou pequeno demais” – Parece uma demonstração de humildade, o reconhecer que se é pequeno diante de Deus Altíssimo. Mas na prática, esta frase pressupõe a idéia do “Deus que combate em nosso lugar”, típica da teologia da prosperidade, que costuma confundir os “sonhos dos homens” com os “sonhos de Deus”, a “vitória de Deus” com a “prosperidade do homem”.
  • “Largo tudo pra te seguir” – Na prática se trata do formalismo puritano, que rejeita apenas palavras e termos mundanos, chegando a ter gente que ouve apenas música gospel, mas que adota as mesmas coisas disfarçadas, com novas palavras, como a necessidade de fazer uma música como essa com um ritmo popular, os “bailes gospel”, etc.
  • “Sara todas as feridas” – Ao contrário do Senhor, que curava feridas e enfermidades que simbolizavam as doenças da alma, esta frase fala das feridas emocionais, que pessoas que acham que espiritualidade é falar das dores dos homens, estão cheias.
  • “Me ensina a ter santidade” – Esta oração seria muito boa se correspondesse à realidade, pois todas as pessoas devem se esforçar para ser santas, mas a santidade da música é o conceito muito particular de santidade do protestantismo, que envolve apenas o fechamento da pessoa no mundo das ideologias e práticas protestantes, naquele puritanismo já mencionado.

Os católicos precisam entender que não se trata de rejeitar uma música só porque ela vem dos protestantes. A verdade é que nós devemos evitar estas músicas por causa dos motivos citados acima. Uma música bem feita mexe com os sentimentos das pessoas, e quando elas se dão conta dos erros que elas apóiam podem preferir dar vazão ao seu sentimento a exigir a clareza que deve haver em músicas religiosas, é a Fé que sai perdendo com isso tudo.

Não adianta pedir com os olhos marejados para o Senhor entrar na sua casa se, quando Ele quiser te mostrar a verdade, você preferir ouvir seus sentimentos.

Ele vai precisar realmente fazer um milagre em você para você ouví-Lo…

A Existência de Deus

A existência de Deus é a questão mais importante com a qual a inteligência humana já se deparou e vai se deparar algum dia. É lógico que uma questão assim não pode ficar na mão de palpiteiros. Existem sutilezas nesta questão que não estão ao alcance de todos. Não porque não sejam capazes, mas por que deixam suas mentes serem nubladas por distrações infantis, como formalismos “científicos”, simplificações estúpidas ou a tentação de reduzir a “crença” em Deus ao âmbito privado com a desculpa de “apaziguar” o ambiente, que pode realmente ficar pesado quando macaquinhos amestrados se propõem a tagarelar sobre “se Deus existe ou não”.

A Verdade é que temos este universo todo: o mundo, as pessoas, nosso corpo, nossa mente; e não sabemos o que fazer com isso tudo. A prova disto são os acidentes, às vezes grandes desastres, que causamos na tentativa de descobrir o que fazer com o universo que nos foi dado de presente. O jovem que bate o carro após beber, o casal de adolescentes que engravida mesmo sem ter condições de educar e alimentar seu filho, o tirano que mata milhões de pessoas para construir um futuro melhor para a nação, todos eles são estúpidos que perderam a noção dos limites no aprendizado do que fazer com o universo. É necessário que haja quem nos ensine a viver de modo a aproveitar o universo da maneira correta. É Deus que Se apresenta como este instrutor e guia. E quem melhor do que quem criou os mecanismos, para explicá-los?

A primeira sutileza à qual devemos prestar atenção é que a Bíblia Sagrada é uma grande coleção de relatos de acontecimentos didáticos. Os exegetas são concordes em dizer que a Bíblia conta uma história cujo personagem principal é Deus. Ela narra Suas ações. E Suas ações são sempre didáticas: de Gênesis a Apocalipse Deus sempre está ensinando algo a alguém, seja uma pessoa, um grupo ou um povo. É só abrir uma Bíblia e conferir. Portanto, quem não está disposto a abaixar a cabeça e aprender não deveria falar sobre Deus, pois estaria sendo tendencioso, está em um conflito de interesses.

A segunda sutileza é que é necessário haver um infinito para que haja algo finito. Pois o conceito de finitude implica o limite do que seja finito. E se há um limite no finito, tem que ser a fronteira dele com o infinito. E tem que ser algo de positivamente existente, pois não se não tem fim é porque existe. Não se pode dizer do que “não existe” que isto “não tem fim”, pois se “tem” algo, existe. Então na fronteira com o infinito há algo positivo que transcende esta coisa finita. Transcendente e infinitamente bom (ou positivo), por uma mera obra do acaso, são duas características de Deus que não se aplicam a nenhum outro ser.

A terceira sutileza é que se percebemos ordem no universo, deve haver um ordenador. Pois do caos não surge a ordem. Se jogarmos areia no chão, por mais que façamos isto bilhões de vezes, ela nunca se transformará em um castelo. Se quisermos que alguém veja o castelo, é necessário que ordenemos a areia de modo a parecer um castelo. Se uma coisa age sempre da mesma maneira, mesmo que nada a impeça de agir de modo diferente, e consegue um resultado positivo e ordenado é porque houve esta finalidade. E como nenhuma flecha se dirige a um alvo restrito sem que o arqueiro a direcione, é necessário que haja um ordenador na natureza ciente do resultado que obterá ao mover as coisas.

O motivo pelo qual os tagarelas não levam em consideração estas pequenas sutilezas e, assim, julgam que Deus não existe ou O imaginam de maneira errada, é que simplesmente eles ignoram estas sutilezas. E isto acontece porque se ignoramos o que está além alcance da nossa vista, podemos superestimar o pouco que podemos ver. As distrações infantis citadas acima podem fazer com que alguns achem que não vale a pena ir além do que é óbvio em busca de sutilezas. E muitos não vão mesmo, preferindo a aparente segurança de seus dogmas pessoais.

Não se deixa de perceber a Verdade, óbvia, bem diante de nossos olhos, apenas com uma decisão individual. É necessário ignorar informações importantes e cometer erros de raciocínio. Debater a existência de Deus é algo que exige inteligência, coerência e principalmente atenção aos detalhes, ou seja, honestidade intelectual. Portanto, vamos parar de dar palpites e vamos debater seriamente esta questão. Quem sabe juntos não podemos encontrar um caminho de contornar estas e outras dificuldades?