#RezemPelaVenezuela


Atualmente está acontecendo uma verdadeira guerra civil na Venezuela. O regime socialista que governa o país está usando meios desproporcionalmente violentos contra a população para reprimir os protestos que estouram em vários locais do país, levando centenas de milhares às ruas para se manifestar contra a situação de inflação galopante, crise econômica e desabastecimento que atinge o povo Venezuelano. As parcas notícias que saem por aqui dão conta de três mortos, mas a julgar pelas fotos que aparecem aqui e ali nas redes sociais, e pelo fato deu que as comunicações estão cortadas, e de que os veículos da mídia e as autoridades do país são levadas em rédias curtas pelo regime Maduro, é possível que este números de mortes seja maior.

Como era de se esperar da mídia brasileira vendida, quase nada sai nos jornais por aqui. Quem quiser se informar tem que recorrer às redes sociais (Facebook, Twitter…), ou a alguns veículos da mídia qua ainda conservam sua independência jornalística. Neste álbum do Facebook podemos ver fotos do que está acontecendo por lá. O álbum está sendo atualizado freqüentemente. A cobertura mais completa e confiável está sendo feito pela jornalista Graça Salgueiro, principalmente em seu programa Observatório Latino pela Rádio Vox. Ela também é responsável pelo blog Notalatina. Um exemplo dos pouquíssimos jornais que está dando uma cobertura decente aos fatos é a Gazeta do Povo.

Nós cristãos temos o dever de ajudar como pudermos. O regime Maduro é socialista e o socialismo foi condenado pelos últimos 10 papas. Além disso, o socialismo é um dos principais erros que da Rússia que Nossa Senhora alertou, quando apareceu em Fátima no começo do século passado, que se espalhariam pelo mundo a não ser que a Rússia fosse consagrada ao Seu Imaculado Coração. Nós cristãos estamos envolvidos na luta contra o socialismo onde quer que ele se encontre.

Como podemos ajudar? Em primeiro lugar rezando. Neste link há uma proposta de rezarmos um terço por dia pela queda do regime Maduro. Eu já adicionei esta intenção ao terço que eu rezo todos os dias. Neste outro link, temos a proposta de fazermos jejum na Sexta-Feira pelo mesmo motivo. Sempre é possível propôr outras ocasiões para rezarmos pela Venezuela como Adorações Eucarísticas, Grupos de Orações, etc. Podemos também protestar. Neste link há a proposta de uma manifestação em frente ao consulado da Venezuela que será realizada no Rio de Janeiro. Manifestações similares podem acontecer em outros lugares do país. Além disso há esta petição online para que a OEA aplique a carta democrática na Venezuela, da qual a própria Venezuela é signatária. E, finalmente, podemos divulgar pelos meios a nosso alcance, para que mais pessoas se unam a esta causa.

Que Cristo Rei reine em todas as nações! #PrayForVenezuela

Identidade Católica 2 – Por que preferir o Catecismo de São Pio X

piox

Na primeira postagem desta série eu havia dito que quando eu falo de Identidade Católica, me refiro especialmente a duas definições, expostas naquela postagem, e que uma delas – “Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos pastores da Igreja” – é tirada do Catecismo de São Pio X. Na página Religião Cristã pode-se ver também que eu dou preferência a definições e explicações contidas neste Catecismo. Alguém poderia se perguntar por que, afinal, eu prefiro usar o Catecismo de São Pio X se existe um catecismo mais atualizado – o Catecismo da Igreja Católica. Quando eu escrevia para o Apostolado Digitus Dei eu cheguei a iniciar uma série de artigos de comparação entre os dois catecismos e lá eu expus algumas razões pelas quais eu prefiro o de São Pio X. Nesta postagem eu vou colocar as razões novamente, pois estas razões são o fundamento da minha preferência pela definição de “verdadeiro cristão” que encontramos no Catecismo de São Pio X.

Primeiramente, o Catecismo de São Pio X é mais conciso. Ele consegue dizer em poucas palavras o que o Catecismo da Igreja Católica diz com muitos rodeios, muitas explicações que na maior parte das vezes estão acima do nível cultural e acadêmico do público-alvo geral e muitas repetições desnecessárias. Compare-se, por exemplo, o que o Catecismo de São Pio X fala sobre a Sagrada Escritura (Quinta Parte, Capítulo I, §4) e o que diz o Catecismo da Igreja Católica (Primeira Parte, Primeira Seção, Capítulo Segundo, Artigo 3). O poder de síntese do Catecismo de São Pio X fica evidente.

Em segundo lugar, o estilo dialético em que o Catecismo de São Pio X é escrito facilita o entendimento e a memorização. Ele desenvolve a doutrina cristã através de perguntas e respostas, que é o modo pelo qual a mente humana naturalmente trabalha, principalmente porque é comum uma resposta levar a novas perguntas. E é mais fácil lembrarmos respostas a perguntas específicas do que um ponto específico de um longo texto expositivo

Uma vantagem do Catecismo de São Pio X especialmente útil nos dias de hoje é que as fórmulas usadas por ele são pensadas de modo a evitar ambigüidades e praticamente cada palavra dessas fórmulas é um conceito que é desenvolvido em questões posteriores do próprio catecismo, ou são conceitos tão conhecidos da Tradição Católica que basta olhar outros escritos católicos para encontrar a explicação para o uso de tal ou qual palavra das fórmulas mencionadas. Nesse ponto o estilo do Catecismo de São Pio X é bem escolástico. E a maior vantagem que o pensamento escolástico tem em relação ao pensamento moderno é justamente essa unidade lógica, em que nenhuma das partes da explicação fica solta. O pensamento moderno é fragmentado, o que dá brecha pra que erros doutrinários sejam inseridos sutilmente em explicações que podem até parecer ser corretas. A unidade lógica do pensamento escolástico é uma proteção firme contra essas armadilhas do pensamento moderno.

Mas a principal vantagem do Catecismo de São Pio X é que ele não busca ser “diplomático”. Suas expressões são diretas e não dão espaço para dúvidas, parecendo até mesmo um pouco duras demais para os ouvidos sensíveis dos “católicos jujuba” de hoje em dia. O Catecismo atual parece ter sido redigido com essa preocupação de “não ofender ninguém”, como se fosse possível agradar a Deus e ao mundo. Nele não se encontram expressões como “verdadeiro cristão”, “obrigação de aprender a doutrina cristã”, “única Igreja de Jesus Cristo”, não é feita a identificação da doutrina católica com o próprio ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, etc. Estas coisas fazem parte das coisas básicas que devemos saber e professar para podermos dizer que temos fé e, se o Catecismo atual esconde essas coisas é por causa da ilusão bem disseminada hoje em dia de que esconder as palavras mais duras da doutrina católica é “mudar apenas o modo de expressar a mesma doutrina” e não mudar a mesma doutrina para agradar os inimigos da Igreja.

Uma curiosidade: ao ser perguntado em 2003 por um repórter da Zenit se o Catecismo de São Pio X seria definitivamente superado quando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica fosse lançado, o então Cardeal Ratzinger disse: “A fé, como tal, é sempre a mesma. Logo o catecismo de S. Pio X sempre retém seu valor”. Além disso, ele disse: “O texto foi fruto da experiência catequética pessoal de Giuseppe Sarto (o Papa São Pio X), cujas características eram a simplicidade da exposição e a profundidade do conteúdo. Também por causa disso, o catecismo de S. Pio X terá amigos no futuro”.

Por estas razões, eu prefiro o Catecismo de São Pio X ao Catecismo da Igreja Católica, e sempre que eu preciso mostrar a alguém qual é a doutrina católica sobre determinado ponto, a primeira fonte a que eu recorro é ele.

Identidade Católica 1 – A defesa da Identidade Católica


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Eu fico feliz em ver a quantidade de apostolados católicos, de matiz mais conservadora, que têm surgido ultimamente, especialmente na internet (blogs e fanpages no Facebook). É somente em vista dessa realidade que foi possível reunir a Liga dos Blogueiros Católicos. Mas esse despontar de apostolados católicos também serviu para pôr em evidência as divergências que naturalmente acontecem quando se trata de grupos de matiz conservadora. Para efeito deste artigo incluo grosseiramente os tradicionalistas e os neocons no grupo dos conservadores.

O conservadorismo implica uma prontidão, que às vezes parece até exagerada, de defender firmemente o que é certo contra o que é errado. É típico da mentalidade conservadora se preocupar com o que é correto, mais do que com o que é agradável. O conservador é aquele que deve defender o que é certo contra o que é fácil e cômodo. Este tipo de atitude, que parece exagerada e ultrapassada nos dias de hoje, é necessária como um mecanismo de defesa: é comum que o erro se insinue como uma aparentemente inocente tentativa de apaziguar conflitos entre idéias e atitudes que seriam igualmente legítimas. O conservador defende que é necessário sustentar o lado mais correto, mesmo pagando o preço do conflito e de rejeitar uma idéia que às vezes nem é danosa em si, mas que pode dar margem a outras idéias e atitudes danosas no futuro.

Com isso é comum que os conservadores estejam em conflito não só com os progressistas, mas também entre eles mesmos. Eu sou daqueles que defende que, apesar de estes conflitos serem inevitáveis, por serem parte da essência do conservadorismo, os conservadores devem se esforçar continuamente em não deixar que eles atrapalhem a ação conjunta e coordenada que eles devem empreender na atual guerra cultural contra os inimigos de Deus e da Igreja.  E o único modo de não deixar que os conflitos entre os conservadores não atrapalhe esta ação conjunta e coordenada é ordenar esta ação em torno do conceito de Identidade Católica.

Minhas definições favoritas de identidade católica, isto é, do que é ser um católico de verdade, daquilo que é verdadeiramente essencial para alguém poder se chamar católico são, primeiro, a definição do Catecismo de São Pio X: “Verdadeiro Cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos pastores da Igreja”; segundo, a definição baseada nos três “C’s”: o católico é aquele que busca preservar o Credo, o Código e o Culto. Pretendo me aprofundar análise destas definições a as razões da minha preferência em outro artigo. Por agora, basta observar que, se conseguirmos dar mais importância ao que vai nestas definições, e dar menos importância ao que não está nelas, conseguiremos liberdade o suficiente para coordenarmos as diversas convicções dos conservadores. E por quer deveríamos fazer este esforço? Há duas razões principais.

A primeira é que uma opinião ganha força pela quantidade de pessoas que a divulga e pela homogeneidade destes testemunhos. Não estou dizendo aqui que a quantidade seja critério de veracidade. A veracidade da opinião deve ser apurada de outro modo. Mas é fato que quanto mais pessoas difundirem determinada opinião, mais conhecida ela será. Não adianta apenas estarmos certos. Nossas opiniões têm que ser conhecidas.

A segunda razão é que, pelo fato de as divergências fazerem parte da natureza dos grupos conservadores, buscar se concentrar em questões mais centrais e fundamentais, como o que significa de verdade ser cristão, é uma boa estratégia para fazer surgir pistas para a futura solução destas divergências. É ridículo dizer, como os “católicos” delicadinhos de hoje em dia vivem dizendo, que devemos simplesmente esquecer as divergências. Não devemos, não! Até porque as razões pelas quais os conservadores divergem são coisas importantes, que não podem simplesmente ser jogadas para debaixo do tapete. O que devemos fazer é adiar a solução definitiva destas divergências (elas terão que ser resolvidas algum dia, não restam dúvidas) para um momento em que estivermos recebendo relativamente poucos ataques dos inimigos da Igreja. Além disso, focar no essencial, de ajudar a expôr quem são os verdadeiros inimigos em quem todos devem concentrar os ataques nos momentos mais críticos (como os pronunciamentos complicados do Papa Francisco, que acabam sendo distorcidos antes que a maioria dos católicos tomem conhecimento deles).

Devemos dar cada vez mais atenção a esta questão. Se eu pelo menos conseguir convencer os católicos que eu conheço da importância desta mudança de foco poderei considerar que dei a minha contribuição pessoal à defesa da fé.

Limitar o número de filhos???

Caríssimos, o Leandro Salvagnane me enviou o texto abaixo por e-mail. O texto critica aquela idéia antinatural e anti-cristã de que os casais devem limitar o número de filhos que devem ter.

Jacques Leclercq foi um padre e teólogo belga que faleceu no início da década de 70. Como podemos ver, sua opinião continua atual, quarenta anos depois!

Quantos filhos?

por Jacques Leclercq

É pelos filhos que os esposos se superam a si mesmos e superam a sua felicidade. A condição da grandeza moral é superar-se. E são principalmente os filhos que estimulam os esposos a esta grandeza.

Os esposos sem filhos correm o risco de fechar-se num egoísmo a dois, por vezes muito mais perigoso que o egoísmo solitário, por mais subtil e mais facilmente colorido duma aparente dedicação pelo outro cônjuge. O filho introduz na comunidade um terceiro membro que obriga continuamente a renunciar a preferências. Introduz, pois, na vida conjugal o elemento de sacrifício que toda a pureza moral postula, mas introdu-lo com um tal potencial natural de afeição que o sacrifício pelo filho se torna um sacrifício amado. Esta é a razão por que muitos daqueles a quem repugna o sacrifício em qualquer outra matéria, o aceitam logo que se trata de um filho seu.

O filho é a escola do sacrifício para a imensa maioria da humanidade, a única capaz de a elevar a um certo nível de pureza.

Mas, para aprender a dar-se deste modo, um único filho é muitas vezes ineficaz. É-o quase sempre, quando é voluntariamente único, porque os pais que só querem um filho, só o querem para si próprios: o filho único é o filho do egoísmo.

Os pais que querem um filho, e não querem mais nenhum, desejam-no para satisfazer a sua vontade de continuar-se, para animar as suas vidas com uma presença jovem. E como estes sentimentos se satisfazem fundamentalmente com o primeiro filho, sem que este lhes imponha muitos sacrifícios, o filho, nestas condições, só oferece vantagens. E o mesmo se pode dizer do segundo. Há muitos esposos que quereriam ter um filho e uma filha, e procuram tê-los, dispostos, porém, a não continuar a experiência se o primeiro resultado não é satisfatório porque, se têm mais de dois filhos, arriscam-se a ter de se arrepender.

O filho único não revolve a vida dos pais; enxerta-se nela. Decora-a e anima-a. Desempenha, de uma maneira incomparavelmente superior, a função que o cão ou o gato desempenham nas casas das pessoas sem filhos, e dão, além disso, aos esposos a alegria de se perpetuarem. Sob o ponto de vista do egoísmo, o filho único, ou mesmo o filho e a filha, são a maior felicidade que o homem pode alcançar, e não obrigam ao esquecimento de si próprio a não ser na medida em que com isso se encontra uma nova fonte de prazeres mais refinados.

É geralmente com o terceiro filho que o peso da paternidade começa a fazer-se sentir, sem a compensação de um prazer proporcionado, porque esse prazer não aumenta apreciavelmente com três filhos em vez de dois, ao passo que o peso continua a aumentar. A alegria de uma família numerosa é uma alegria essencialmente moral, que só pode saborear-se quando se possui um certo nível de pureza. Aqueles que só pensam em si próprios e para quem a felicidade se reduz a prazeres materiais ou a satisfações de vaidade ou de orgulho, não apreciam a alegria generosa de ver multiplicar-se a vida à sua volta, e por meio deles.

Pode dizer-se que o filho só é moralmente útil aos pais na medida em que lhes impõe renúncias. E a vida dos pais de família numerosa pede inúmeras renúncias, a começar, para a mãe, pelos incômodos da gravidez e as dores de parto. Mesmo os pais suficientemente ricos para terem quem os sirva, precisam modificar o seu teor de vida quando têm numerosos filhos.

Certamente, conhecem-se pais que dão filhos ao mundo com prodigalidade e desinteressam-se deles, abandonando-os à rua e à escola, nas classes populares, ou a assalariados, nas classes aristocráticas. São, claro está, maus pais. Mas é impossível que os pais se ocupem dos seus filhos, mesmo que não tenham mais de três ou quatro, sem que sejam obrigados a viver de um modo diferente daquele em que viveriam se os não tivessem.

A família numerosa impõe, por isso, aos pais uma transformação da sua vida. São disso recompensados pelas alegrias que vêm depois, mas, de momento, essa transformação impõe-lhes renúncias, e na trama da existência quotidiana, o sacrifício de mil pequenas facilidades. Mas é isso precisamente o que os obriga a elevarem-se acima de si próprios.

Dizer que o valor moral da paternidade e da maternidade começa quando o filho impõe mais sacrifícios do que as alegrias sensíveis que dá, é apenas verificar que a regra moral habitual da purificação pelo sacrifício se aplica ao matrimônio como a todas as coisas. O filho único é ineficaz para este fim e levanta, como notamos mais de uma vez, difíceis problemas de educação.

Porque a família moralmente salutar para os pais, é-o também para os filhos. Numa família numerosa, se bem que moderadamente, cada um dos filhos tem de acertar o passo pelo passo dos outros e sacrificar os gostos pessoais em cada momento, tem de adaptar-se ao caráter dos seus irmãos e irmãs.

O filho único corre sempre o perigo de ser ao mesmo tempo mimado e asfixiado. Mimado, porque os pais, tendo-o só a ele, curvam-se perante os seus caprichos, e tudo o que fazem por ele fazem-no só para ele; asfixiado, porque vive de maneira demasiado exclusiva com os pais, os quais, desejando tê-lo consigo e podendo levá-lo a quase toda a parte sem se incomodarem, fazem dele o seu companheiro; e porque é prejudicial para a criança viver num ambiente preponderantemente constituído por pessoas crescidas. A educação do filho levanta, por isso, problemas difíceis.

Os que propositadamente não quiseram mais de um filho, raramente vencem estas dificuldades, porque são folgazões e egoístas e, por consequência, muito pouco dispostos a sacrificar-se. Para educar com êxito um filho único, é preciso ter a coragem de afastá-lo de si, de organizar-lhe uma vida entre crianças da sua idade, o que se não pode conseguir no lar. Pais que desejariam fundar uma família numerosa e só têm um ou dois filhos porque lhes foi impossível ter mais, podem, pelo contrário, ter a necessária generosidade; mas também eles terão de lutar contra a inclinação natural do coração, que os leva a desejar os filhos junto de si, a crer que são bons pais na medida em que se preocupam constantemente deles e lhes proporcionam tudo o que eles podem desejar.

O bom amor conjugal aspira à glória da fecundidade e põe nela o seu orgulho. Mas a glória da fecundidade não é uma fecundidade por conta-gotas. É uma fecundidade abundante, que aspira à abundância e pede razões, não para ter filhos, mas para limitar o seu número.

Queremos referir-nos àqueles esposos, tão numerosos nos nossos dias, que, mesmo antes do seu casamento se deixam assaltar pelo temor de vir a ter muitos filhos. É certo que inúmeras circunstâncias podem fazer com que se não tenham tantos filhos como se desejariam, que se deva mesmo em certas circunstâncias evitar tê-los; mas apenas se pode julgar de uma maneira sã acerca destes problemas quando se possui um desejo geral, vivo e generoso, de dar a vida o mais abundantemente possível. Prever com um cuidado excessivo todos os inconvenientes de um novo nascimento ou mesmo de nascimentos ainda afastados, que talvez nunca se venham a dar, é sintoma de uma alma estreita, vergada sobre si mesma, incapaz de generosidade.

Seria mais salutar o receio oposto, o de não ter bastantes filhos, o de não vir a tê-los em número suficiente para satisfazer a ambição de uma família abundante, rica de contato entre personalidades diferentes e desenvolvendo-se no mesmo lar. Porque há muitas causas – físicas, sociais, econômicas (doenças, extrema pobreza)-, que impedem de ter tantos filhos como o exigiria o total desenvolvimento familiar. Mas este mesmo receio leva a admitir nos esposos outras aspirações que não a do estrito cuidado da sua comodidade.

A família numerosa não é apenas fecunda em filhos, mas tambémem alegrias. Nãofalaremos agora da felicidade que é, para os filhos, uma família numerosa.

Para os pais, não há alegrias que se possam comparar à de ver crescer no seu lar filhos que são seus, que reproduzem os seus traços, os seus caracteres, que continuam a sua tradição, segundo os diversos modos de ser dos rapazes e das raparigas, com o contraste de caracteres que se observa a par das semelhanças pelas quais os laços de sangue se manifestam. Esta alegria é acompanhada – como todas as alegrias construtivas – de desgostos e de cuidados, mas não há beleza comparável à do ser humano que se desenvolve, nem orgulho comparável ao de ter sido o seu autor.

A atitude altiva neste domínio vem ligada a todo um estado de alma, misto de altivez e de entusiasmo perante a vida, a uma pureza da alma que deseja realizar neste mundo toda a obra de beleza de que é capaz. A mulher, em particular, que mais do que o homem está ligada ao lar, sente mais do que ele, na sua alma, a perda do orgulho da maternidade e da clara visão da sua grandeza.

Jacques Leclercq

A vida eclesial do nosso tempo

O modelo atual de atividade eclesial é perfeitamente estéril. Estamos há tanto tempo neste estado que já não temos mais idéia de qual seria o modelo frutífero. Os elementos principais da Religião são o Dogma, a Lei Moral e o Culto. Frutíferas seriam as atividades que nos fizessem crescer nestes três âmbitos: que nos fizessem conhecer melhor a nossa Fé, que nos dessem boas orientações morais e apoio para seguí-las, e que nos levassem a um culto cada vez mais piedoso.

O modelo estéril, evidentemente, é o baseado em pastorais, equipes e conselhos, sob a coordenação das comissões da CNBB, com suas reuniões, assembléias e showmícios. Isso pra não falar das infames dinâmicas de grupo e os rituais heterodoxos, como os ofícios das CEBs ou as vias-sacras da fraternidade.

As pastorais existem hoje pra cumprir a agenda da ONU e da CNBB, e não a agenda da Tradição Católica. Suas reuniões são grandes perdas de tempo, pois servem apenas para reforçar a agenda daquelas duas entidades. Quando alguma coisa de Doutrina Católica é falada nessas ocasiões é apenas para servir de pano de fundo para doutrinas heterodoxas. Os planos de pastoral, que são elaborados nestes mesmos princípios heterodoxos, não trazem nenhum incremento naqueles elementos principais, estão mais preocupados com coisas secundárias como “acolhimento”, “método ver-julgar-agir”, “estrutura política dos grupos e pastorais”, “partilha de experiências” e coisas do tipo.

As pastorais que lidam com família estão fazendo o contrário do que deviam: querem atenuar o chamado “conflito de gerações”, ao invés de apoiar e instruir os pais que devem educar moralmente os filhos. As pastorais que lidam com os jovens também estão ao contrário: estão preocupadas com o que os jovens querem, quando deveriam estar dando o que eles precisam, isto é, apoio psicológico para que eles se tornem mais piedosos.

A Liturgia é cada vez mais bagunçada pela criatividade das equipes litúrgicas, pela euforia dos “ministérios” de música e poluída visualmente com os milhares de ministros da Comunhão Eucarística. Todos se empenhando em fazer as Missas mais participativas, quando na verdade elas deveriam ser mais piedosas.

As homilias não falam mais de moral, nem do inferno, nem das virtudes. Quando não falam de política, falam de sentimentos açucarados e para isso recebem materiais abundantes das Campanhas da Fraternidade, dos eventos carismáticos e dos discursos dos bispos da CNBB.

A espiritualidade é um caso à parte. Tratada do modo como deve ser tratada ela dá uma grande contribuição ao comportamento moral e à participação no culto. Mas do jeito que ela é tratado hoje, apenas em grupos da RCC ou em outros fortemente inspirados na mesma RCC, elas estimulam mais aquele sentimentalismo e aquela anarquia litúrgica, de um lado, e em alguns lugares um certo laxismo moral do outro.

Por todas essas coisas, e mais algumas, é que digo que não há remédio para o atual modelo de atividade eclesial. Ainda há remédio para a Igreja do pós-concílio, mas só se Ela abandonar este modelo de atividades.

Muita gente já percebeu há muito tempo essas coisas que eu tou falando, principalmente jovens e adultos conservadores e tradicionalistas. E é por isso que hoje temos trabalhos como o modelo Juventutem, que como o nome pode deixar entrever, lida com os jovens ensinando-os a serem católicos de coração; existem grupos de estudo, como o SPES Santo Tomás e, aqui no Rio, o Regina Angelorum, que além de proporcionar o conhecimento da Doutrina Católica, através do estudo dos documentos do Magistério, também proporciona uma espiritualidade correta, através da devoção do Terço de Nossa Senhora; outro exemplo de como a doutrina católica pode ser melhor conhecida são os vários sites e blogs de apologética como o Veritatis, a Montfort, o Sociedade Católica, o Deus Lo Vult, o blog do Angueth e muitos outros; hoje, muitos destes apostolados falam de temas de Moral, como modéstia, castidade, bioética e prática das virtudes; na Liturgia temos o excelente Salvem a Liturgia, além de todos os movimentos e grupos pela celebração da Missa Tridentina.

É nesses grupos, e não no atual modelo de atividade eclesial, que encontramos a verdadeira Identidade Cristã. Não devemos mais perder tempo tentando salvar esse modelo ao qual estamos acomodados. Nossos tempos exigem atitudes um tanto mais radicais. Se queremos ter uma Igreja no Brasil dando frutos, o único caminho é abandonar as nossas atividades atuais exatamente do jeito que estão e começarmos a apoiar, ou imitar, os exemplos citados acima.

A Igreja em sua perene Tradição nos dá materiais suficientes para “fazermos um bom bolo”. Mas se este que estamos fazendo há algumas décadas “desandou”, é hora de o jogarmos fora e fazermos outro bolo…

Testemunho: Primeira Missa Tridentina do Leandro Salvagnane

NOTA: Recebi este texto por e-mail há alguns dias e o publico na íntegra. Ele é o testemunho do Leandro Salvagnane Correia, leitor do Battle Site, cuja primeira contribuição para este espaço aconteceu na postagem Captare recomenda: In Prælio e que motivou a redação da postagem Esclarecimentos sobre mim e sobre o tradicionalismo. Este testemunho é como que um eco do testemunho que eu mesmo dei em situação semelhante e que vocês podem conferir na postagem Experiências religiosas. Fico muito feliz quando vejo católicos que conseguem romper as muitas barreiras de preconceitos do, por assim dizer, “catolicismo moderno” e conseguem descobrir os magníficos tesouros de nossa Tradição bimilenar!

Pessoal, boa noite.

Gostaria hoje de, na simplicidade de coração, compartir com vocês um pouco da experiência que tivemos domingo último (23/10/2011) na participação pela primeira vez em nossas vidas de uma Missa no rito Tridentino (que tem este nome por ter sido estabelecido pelo Papa São Pio V seguindo o mandato que recebeu no Concílio de Trento, séc XVI, mas cuja forma existe na Igreja Católica desde o século II, conforme atestado por S. Justino, mártir no ano 165 d.C.). Pudemos conhecer mais de perto uma parte da Tradição Católica que não conhecíamos antes.

A Missa Tridentina tem uma estrutura um pouco diferente, há várias orações que não existem na Missa nova que conhecemos (promulgada pelo Papa Paulo VI em 1969), em especial nas partes dedicadas à Oferta, ao Sacrifício (mais conhecido como Consagração) e à Comunhão, onde há algumas orações diferentes das modernas. Mas mais superficialmente notáveis são três diferenças:

Idioma litúrgico: a utilização do latim como a língua da oração da Igreja, e o motivo é que uma vez que o latim é uma língua “morta”, isto é, não sofre mais alterações semânticas e ortográficas como ocorrem nas línguas vernáculas, preserva-se o rito imune de erros litúrgicos ou doutrinais que podem ocorrer por regionalismos ou alteração de significado. As partes que não são orantes (ex. intenções da Missa, leituras e homilia) são feitas em língua vernácula. Nesta Missa que participamos foi assim, em latim,  no folheto havia, lado a lado, as orações em latim e em português, o que nos auxiliou na compreensão.

Posição do sacerdote: o sacerdote faz todo o ritual de Ofertório e Sacrifício versus Deum (vulgarmente conhecido como “de costas ao povo”) onde toda a assembleia em conjunto com o celebrante estão em um mesmo sentido ante o altar, dirigindo orações ao Deus Filho, guardado no Sacrário sob as espécies consagradas. Nesta Missa que participamos foi assim, com o sacerdote versus Deum.

Música: Talvez o ponto que chame mais a atenção é a ausência total de instrumentos musicais, então em todas as partes da Missa que são destinadas à música são usados cantos gregorianos, em latim. Nesta Missa que participamos foi assim, onde um coral de cerca de oito homens entoaram, em geral em uníssono, belos cantos com voz serena e sem estridência.

Minha “turma” nesta aventura do domingo foram nossos amigos (casal) Suzana e Henrique, minha esposa Karina, minha filha de 18 meses Maria Gabriela (a Gabi) e eu.

MAS AO FINAL DAS CONTAS, QUAL O SENTIDO DO RITO TRIDENTINO HOJE QUANDO TEMOS O RITO DE PAULO VI, MAIS MODERNO E – É IMPORTANTE RESSALTAR – NUMA LÍNGUA QUE TODOS COMPREENDEM? Quando recebi o convite do amigo Edwin para participar desta Missa, talvez a primeira imagem que me veio à cabeça é que estaríamos numa igreja cheia de velhas senhoras que resistem à modernidade, e que gostam de ficar em seu “gueto”. Puro engano!

A visão que me surpreendeu no momento da Missa foi a quantidade de jovens, assim como a maioria de nós: casais jovens, menos de 30 anos de idade, com ou sem filhos, além dos solteiros, estes jovens compunham pelo menos 80% da assembleia. Havia crianças também, e muitas. Até tive a graça de presenciar, no decorrer desta mesma Missa, a Primeira Eucaristia de um rapazinho de 8 anos, Rafael, que Deus o abençoe. Quanto aos adolescentes, devo confessar que só vi uma, acompanhada dos pais. No total éramos cerca de 60 pessoas na capela.

Mas voltando um pouco para alguns minutos antes do início da Missa, os jovens lá estavam fazendo um grupo de estudos católicos (talvez seja mais comum ao nosso vocabulário se dissermos “grupo de jovens”) onde foram debatidos temas atuais e o testemunho cristão de vida na sociedade – esta reunião estava acontecendo ao lado da capela no momento em que eu cheguei, havia cerca de vinte jovens reunidos, enquanto seus filhos, umas dez crianças de 0 a 4 anos, brincavam na quadra ao lado. Coloquei a Gabi para brincar com eles… ela se enturmou rapidinho… hehehe.

“Nos reunimos sempre e estudamos porque nos dias atuais o mundo perdeu a referência do que é ser católico”, disse-me o Edwin em outro momento.

Enquanto isso nossos amigos Suzana e Henrique e minha esposa Karina, dentro da capela, recebiam a acolhida e boas-vindas do pessoal que cuida da celebração, juntamente com uma explicaçãozinha rápida de como acompanhar a Missa com o folheto.

Quando a Missa finalmente começou, foi aí que entendemos o porque de haver tantos jovens dentro da igreja: nesta Missa, o que presenciamos foi, ao contrário de muitas Missas que temos visto recentemente, onde ao invés de se educar os jovens para a santidade e valores cristãos, ao contrário, tenta-se imitar o que há lá fora, no mundo, na esperança de agradar ao mundo – o sentimento que tivemos é que a Missa da Igreja, este colosso espiritual que existe há dois milênios e tem em seu centro Jesus Cristo cuja celebração é atualizada todos os Domingos, independe da criatividade do celebrante ou do instinto competitivo das equipes de liturgia (cada uma querendo fazer mais “bonito” e chamar mais a atenção para si que a outra), onde teatros, cartazes e solos de guitarra tentam se colocar no centro da Celebração Eucarística ao invés de apontar para Cristo.

Em uma época em que vivemos num relativismo que tenta contagiar todos os âmbitos de nossa vida, onde a concepção geral é que “tudo é bom e belo desde que alguém consiga assimilar”, foi uma excelente experiência para mim e minha família presenciar o que é belo de verdade, lembrando-se sempre que Deus deixou uma ordem objetiva para as coisas; o “belo” ou “feio” não são questões subjetivas a serem avaliadas independentemente de seu contexto e consequências morais. Muitos católicos ou até padres hoje não fazem questão de lembrar que fazem parte da Igreja Una de Cristo, mas o fato de não se lembrarem não reduz esta verdade objetiva. Sei que há não-católicos lendo isto, mas mesmo assim não posso fugir desta realidade, vocês devem tentar entender o que estou tentando dizer sem apelar para o irenismo.

Foi bom para nós saber que, apesar de haver muitas Missas prejudicadas pela falta de obediência ou de fé de alguns sacerdotes e Bispos (especialmente naquelas Missas transmitidas pela televisão), que mudam deliberadamente as orações da Missa e desobedecem as rubricas do Missal, ainda assim podemos estar em comunhão plena com a Igreja que Cristo, o Filho de Deus, nos deixou e da qual é a Cabeça. E nem foi necessário ir à Praça de São Pedro no Vaticano para perceber isto, não foi necessário ir a uma reunião do Opus Dei, nem mesmo entrar num Mosteiro beneditino. Pudemos conhecer esta Comunhão Eterna (Eterna porque está em todos os lugares e em todas as épocas) ali, numa capela anexa a uma creche de uma esquina da Avenida Campos Sales, da cidade de Americana, e nem precisamos pagar pedágio para isto!

Enfim, nós não tivemos nenhum êxtase durante a santa Missa, não foi aquilo que acontece em uma reunião de espiritualidade onde dizem “foi uma bênção porque eu senti Deus”, mas sim: foi uma bênção para nossas vidas conhecer este âmbito do Catolicismo que nunca deveria ter saído do foco.

Sinceramente, eu ainda não sei responder à pergunta que eu mesmo formulei nove parágrafos acima (está em negrito); gente mais gabaritada do que eu diz que é porque a Missa Tridentina é mais tradicional, ou porque as partes da Missa são mais claramente distinguidas, que a sacralidade é maior, agrada mais a Deus… tudo isso é verdade, mas confesso que ainda não sei a resposta exata.

Só sei que, se for pela graça de Deus, no próximo domingo, dia 30, estarei lá novamente, se Deus quiser, para buscar aprender mais. A Missa acontecerá às 18h, mas vou aproveitar a viagem para participar do início da Novena de Natal que se iniciará uma hora antes, às 17h, na mesma capela. Convido a quem desejar participar conosco, que venha, se desejar fale comigo para saber mais detalhes.

Assim como o Edwin conseguiu me convencer e, por que não dizer, me venceu pela curiosidade até, estou tentando despertar em vocês, caros amigos, quem sabe, uma pequena semente. Não que seja um convite derradeiro (“é agora ou nunca”) e muito menos uma pretensão de exclusividade (“esta Missa está certa e as outras estão erradas”), mas a mensagem que tenho é que vocês não podem passar desta vida sem ter conhecido, ao menos uma vez na vida, uma Missa Tridentina. O fervor com o qual o padre celebra. O ambiente orante no qual se dá todo o processo.

Para completar, sabemos bem que devemos julgar uma árvore pelos frutos, e fiquei sabendo hoje que entre aquelas pessoas que frequentam a Missa Tridentina há três vocacionados: dois rapazes que irão para o Instituto Bom Pastor na França, e uma moça que está ingressando no Carmelo Eremítico de Atibaia. Rezemos, pois, por eles.

A Missa Tridentina acontece todo domingo em Americana, rua Casemiro de Abreu, esquina com a avenida Campos Sales, a partir das 18 horas, na capela São Vicente de Paulo. Eu também não sei chegar lá exatamente, mas o GPS sabe.

Paz e bem.

Gratidão…

Eu nunca fiz nenhum post no dia do meu aniversário. Mas hoje me deu vontade de postar. E a razão para isso é simples: tornar pública a minha gratidão!

Gratidão a Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – por Ele me dar, todos os dias, as graças atuais e habituais de que preciso. Gratidão por ele ter dado à humanidade presente tão sublime que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, à qual eu defendo e da qual eu recebo a Palavra da Verdade e os meios necessários à salvação da minha alma.

Gratidão à Nossa Senhora, a Sempre Virgem Maria Santíssima, por interceder por mim a Deus para que eu continue recebendo d’Ele suas graças mesmo sendo a grande pecador que eu sou.

E gratidão a meus santos de devoção: São Tomás de Aquino, São Pedro de Alcântara – o padroeiro do Brasil – e São Pio X – o papa da Eucaristia – por terem correspondido tão bem à graça de Deus em vida a ponto de se tornarem grandes inspirações e modelos de vida e obra para mim. Não sei se eles rogam particularmente por mim a Deus, mas se o fizerem também sou grato por isso.

Deo Gratias!!!