Indústria do preconceito enlatado


Esta postagem é uma introdução a uma série de artigos que pretendo redigir sobre toda a questão das relações homossexuais, o suposto preconceito que as pessoas homossexuais sofrem e a relação dessas coisas com a doutrina e a moral católicas. Praticamente cada uma das afirmações do chamado Movimento Gay é uma fraude bem construída com o intuito de angariar cada vez mais poder político para este grupo. Ao contrário do que eles alegam, eles não estão interessados nos “direitos” dos homossexuais, e sim num projeto de hegemonia, de acúmulo de poder e de erradicação dos seus opositores. Por isso, nunca é demais lembrar que os ataques que forem feitos neste site de modo algum se dirigem à pessoa dos homossexuais. Todo homossexual, como pessoa humana, merece ser tratado com respeito. Sou totalmente contra qualquer violência cometida contra homossexuais por motivo de seu desvio de comportamento sexual. Feita esta vênia, que infelizmente parece obrigatória nos nossos dias, prossigamos.

O título usado neste artigo foi escolhido para mostrar que toda essa questão do “preconceito” é fabricada: nem de longe a realidade do convívio das pessoas com o comportamento homossexual é tão ruim como o movimento gay procura pintar. Eles sabem disso. E por isso, ao longo das décadas, foi necessário fabricar esta visão da sociedade. Para isso não foram poupados meios injustos e até mesmo criminosos: engenharia social, fraude metodológica, desrespeito à ordem democrática, chantagem emocional e todo tipo de artimanhas foram usados para fabricar esta imagem da sociedade como um meio de opressão a esta “classe” de indivíduos.

A história desse mascaramento da realidade começa há muitas décadas atrás, com a marxista Escola de Frankfurt, que pregava que não mais o proletariado, mas os marginalizados socialmente deveriam ser os sujeitos da revolução. Para isso, a estratégia revolucionária deveria fomentar os mais diversos tipos de ressentimentos e criar uma sociedade dividida em vários departamentos, cada um acreditando que sua infelicidade era culpa do outro.

Foi quando as idéias desta escola encontraram acolhida pela esquerda Norte-Americana, principalmente a partir do governo Kennedy, é que elas passaram de simples idéias acadêmicas a diretrizes de ação política, no conjunto de medidas que a partir daí ficou conhecido como Affirmative Action. Basta ler os teóricos da Escola de Frakfurt para ver ali descritas todas as idéias políticas que inspiram e guiam a esquerda estadunidense até hoje, e basta olhar para o discurso e as ações dos movimentos de esquerda brasileiros ou em qualquer lugar do mundo para perceber que, ironicamente (pois os movimentos de esquerda brasileiros se jactam de lutar justamente contra o “imperialismo cultural americano”), estes movimentos seguem à risca a cartilha da esquerda Norte-Americana.

Mas em que consiste a Affirmative Action? Ela é um conjunto de ações feito sob medida para amordaçar os opositores, tenham eles razões legítimas ou não, dos mencionados movimentos de esquerda. O uso da palavra preconceito para taxar qualquer crítica ao comportamento homossexual, mesmo aquelas puramente verbais, é o primeiro exemplo. Pois ao taxar qualquer crítica como preconceito, qualquer explicação, por mais elaborada, que se dê não passa de uma racionalização para o dito preconceito enraizado e transforma o crítico imediatamente numa pessoa que não pode ser convencida racionalmente, que deve tão somente ser coagida. Mas nunca nenhuma razão legítima foi apresentada para essa taxação. Simplesmente se age assim, e a própria ação se torna o argumento. Essa é a Affirmative Action!

Outro belo exemplo de Affirmative Action, este mais atual e mais local, é a tentativa de introduzir o chamado Kit Gay no material didático das aulas de educação sexual das escolas públicas. O discurso diz que o material procura ensinar “apenas a tolerância”. Mas na prática seu efeito é uma sexualização precoce e o despertar nas crianças, que ainda não tem seu senso crítico formado e não podem se proteger de uma influência indevida dos seus educadores, de uma curiosidade que invariavelmente vai levá-las à práticas homossexuais. Se trata de Affirmative Action porque o discurso dos movimentos que buscam a inserção do Kit Gay nas escolas diz que se opôr a esta inserção é o mesmo que se opôr a que nas escolas se ensine a tolerância e a igualdade, transformando automaticamente pais preocupados com o que se ensina aos seus filhos em defensores da violência.

Nos próximos artigos desta série, vou procurar ir mais fundo em cada uma das estratégias sujas do movimento gay para fabricar a “sociedade opressora”           na medida certa para assustar os cidadãos, deixando-os dóceis a qualquer medida que prometa acabar com essa opressão. Mas o que essas coisas têm a ver com a moral cristã? É simples: a moral católica é o principal empecilho para a aplicação destas políticas, já que para ela o homossexualismo é pecado e já que ela defende que matrimônio é apenas aquele que acontece de acordo com a lei natural. Logo ela está no caminho dos grupos esquerdistas em sua busca por poder. Então, do ponto de vista cristão, a affirmative Action é uma tentativa de fazer os cristão se sentirem culpados e envergonhados de defenderem os mesmos valores que eles sempre defenderam e que construíram nossa civilização. Assim mostraremos que é a moral cristã que está com a razão quando previne seus seguidores contra o pecado e contra leis feitas para promover a iniqüidade.

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Imortalidade da alma e ressurreição dos mortos – Parte I

Nota do Captare: Este artigo me foi enviado pelo professor Francisco Silva de Castro, o mesmo que me enviou o comentário que originou a postagem Sobre o Cristianismo e o Mitraísmo. O artigo deu início a um pequeno debate sobre a imortalidade da alma e concepções teológicas sobre essa matéria. O prof. Francisco achou interessante que o debate fosse levado adiante aqui no site e eu concordo com ele. Por isso, faremos o seguinte: estou publicando o texto na íntegra, do modo como ele me foi enviado. Na Parte II, vou tentar fazer um resumo do debate até o ponto em que nós o interrompemos e o Prof Francisco vai poder fazer qualquer correção que ele julgar conveniente ao meu resumo no primeiro comentário à postagem. Depois, se for o caso, nós prosseguiremos o debate nos próprios comentários da Parte II.

Eis o artigo:

Imortalidade da alma e ressurreição dos mortos

A CONCEPÇÃO HEBRAICA ANTIGA

As almas dos mortos eram como sombras presas no Cheol. Não tinha uma vida igual a dos vivos. Estavam como que adormecidas, numa semi-vida  sem alegria, sem consciência da vida no mundo e esquecidas de Deus. Só Deus poderia livrar do Cheol e ele livrava impedindo que uma pessoa  morresse . A felicidade consistia em uma vida longa sobre a terra. Cf. 37,33-35;  Gn. 42,38; Ecl.  9,5-6

A COMPREENSÃO NO HEBRAISMO RECENTE

Após o cativeiro dos judeus par a Babilônia o xeol passou a ser a morada dos mortos, mas nestes as sombras, ou pessoa falecidas, estavam separadas. Os bons estavam nas mãos de Deus ou no seio de Abraão e os maus num estado de sofrimento. (Lc. 16, 19-26)  A ressurreição era a esperança  dos que faleciam. E esta ressurreição se daria no dia do julgamento  no final dos tempos.  (Jo. 11, 23-24)

A CONCEPÇÃO DO NOVO TESTAMENTO.

Cristo conhecia a doutrina judaica da Ressurreição. E afirmou a mesma para o povo quando questionado pelos Saduceus que a negavam. Os mortos ressuscitam. Cristo não diz apenas Ressuscitarão. (  Lc. 20, 37-38)  Mas em outras ocasiões Cristo faz também referencia a uma ressurreição no final dos tempos. (Jo 5,28-29; 6,40) Outra entendimento de  ressurreição dos mortos  é a manifestação do caráter de uma pessoa morta em outra viva. Como o poder de fazer milagres de um profeta manifestado por outro.(Lc 9, 7-8. 18-21; 20, 37-38; Mt 16,13-14;Mc 6,14-16) Então este profeta  ressuscitou  reaparece  por sua atuação em outra pessoa. Algo parecido com o o ditado popular “este menino puxou todas as manias do pai ou é tão ruim como a mãe.” Para os judeus as  habilidades de uma pessoa morta presentes em outra viva era uma espécie de ressurreição do espírito daquela pessoa falecida.Por isso o povo diz que Jesus é Elias, João Batista ou outro profeta que ressuscitou.

ALMA PARA O JUDAÍSMO

A doutrina dos judeus não entendia a alma como independente do corpo. A alma era necessária ao corpo e  junto corpo e alma formavam o homem. A alma não habitava  o corpo e o conduzia como faz um motorista em um veiculo. Corpo e alma estavam permanentemente unidos e um não poderia existir sem o outro. O ser humano era uma alma vivente e não um ser que tinha  alma. Cf. Gn 2,7.

A ALMA NA CONCEPÇÃO GREGA

Esta não dependia do corpo. Era por natureza imortal e alguns até entendiam que precedia o corpo. Este era como a vestimenta da alma.  Por ser espiritual era imortal por natureza a alma podia mudar de corpo quanta vez quisesse. Como entidade livre a alma poderia animar o fazer viver vários corpos com que trocando de roupa.

IMORTALIDADE DA ALMA E RESSUREIÇÃO.

IMORTALIDADE EM JUSTINO (Sec II)

Justino  já professa a fé de que os mortos  estão consciente e são punidos ou  recompensados  logo após a morte. Escreve no Diálogo com Trifão: “ As almas dos homens piedosos fuçarão  num lugar bom , as  dos ímpios  e malvado noutro muito mal, esperando o tempo de juízo. E assim as primeiras, se forem julgadas dignas diante de Deus, nunca mais hão de morrer, as outras, serão punidas por tanto tempo quanto   Deus quiser  que existam e seja castigadas. (Antologia dos Santos Padres, Folch Gomes, Cirilo,São Paulo, Paulinas, 1979 p. 74) Com efeito, para Justino, a morte das almas seriam uma grande injustiça para os bonés e uma vantagem para os maus que não sofreriam imediatamente pro seus atos.

IMORTALIDADE DA ALMA NA IGREJA ANTIGA E  MEDIEVAL.

Logo após a morte as almas ganham um destino eterno. No céu ou no Inferno. A ressurreição é apenas uma confirmação desta situação. O corpo ressuscitado será o mesmo que temos, mas não haverá mudança de estado após a Ressurreição. Há quase uma  autonomia absoluta da alma semelhante à  concepção grega. Esta é imortal porque foi criada para ser imortal. Faz parte da sua natureza a imortalidade. Por isso a ênfase em salvar a alma. Nesta compreensão a ressurreição da carne é secundária. O corpo ressuscita apenas para se unir alma e compartilhar de seu  sofrimento ou  da glória. Mas a alma por si mesma é que detém todas as propriedades da pessoa: Consciência, vontade, inteligência e absoluta autonomia em relação ao corpo.

IMORTALIDADE DA ALMA NA TEOLOGIA MODERNA.

Aqui há uma retomada da concepção hebraica. Alma e corpo formam uma unidade. Um não vive sem o outro. Alguns teólogos afirmam  que a ressurreição se dá logo na norte. Como não haveria mais o tempo na outra vida, logo após a morte, se daria o juízo final e alma se veria  no fim dos tempos. Difícil conciliar com o que pregou e acreditava Jesus. Em todo o Novo Testamento o fim dos tempos é  um evento  cósmico universal e que se identifica com a volta do Cristo. Dá-se no tempo e progressivamente. (Cf. Jo5,29; Mt  25,31-46;) Alem disso se todos que morrem ficam livres do tempo então eles se tornam iguais a Deus. Pois só Deus não é preso ao tempo. A Eternidade e Deus são uma e mesma realidade. “Para o cardeal Ratzinger, a eternidade, como posse total e simultânea do todo, é própria apenas de Deus. Somente Deus há o eterno presente.” Pe. Elílio de Farias Matos Junior, artigo Entre a morte e Ressureição Parte III. Outros entendem que a alma  sozinha não está completa. Reafirmam com ênfase a Ressurreição do  corpo para se refazer esta unidade que forma a pessoa humana,  pois esta é  composta de corpo e alma. Mas entendem  a alma como  o motor de um automóvel.

“Para poder desabrochar  na plenitude do seu ser , para ser inteiramente aquilo que deve ser , a alma precisa do corpo, porque foi criada para  estar unida a ele e estaria incompleta sem ele (…)Com perdão da comparação , um tanto rudimentar ,estamos diante de algo semelhante a motor de um automóvel  que está projetada para funcionar  em conjunto com o corpo desse automóvel. A Sabedoria do Cristão,  Trese, Leo J.  Tradução de  Roberto Vidal da Silva Martins, Rei dos Livros, Lisboa, 1992 p. 27

Neste caso a alma está viva apenas para Deus, na mente do Eterno ou não teria uma vida espiritual plena. Como bem continua o autor no mesmo livro “É bem possível retirar um motor e pô-lo a funcionar sob uma bancada,  isolado do chassi…” A Sabedoria do Cristão,  Trese, Leo J.  Tradução de  Roberto Vidal da Silva Martins, Rei dos Livros, Lisboa, 1992 p. 27 Mas que utilidade teria um motor de automóvel sem o automóvel? E porque colocá-lo para funcionar sem o próprio automóvel?  Neste caso a alma não teria o pleno domínio de seus atributos que são a consciência, a vontade e a relação  com outros e  com Cristo e Deus. Seria inútil e desnecessário sobreviver à morte.

REUSSUREIÇÃÃO E IMORTALIDE DA ALMA: UMA CONCILIAÇÃO POSSIVEL

Compreendendo que sendo o ser humano composto de alma e corpo, ele não é só a alma e nem muito menos só corpo. Então a morte desfaz esta unidade. A sobrevivência da alma não implica na sobrevivência da pessoa. A alma está para o corpo como um chip está para um celular.  Ou um programa de computador  está para  a CPU, a parte material do mesmo. Posso ter o chip ou programa, mas este só funciona se eu tiver o aparelho. No entanto se tanto a alma e o corpo se destroem com morte, a ressurreição consistiria em uma nova criação da pessoa. Uma espécie de clone da pessoa morta. E desta foram não seria uma verdadeira ressurreição. Sendo alma que possui todas as faculdades espirituais tais como racionalidade, vontade e consciência, a Ressurreição individual se dá na hora  morte e não depois da morte, num sentido de uma morte total da alma e do corpo. Neste caso a alma forma um veículo sutil ou provisório substancialmente idêntica à si mesma. Este “corpo” não é o nosso corpo humano atual ressuscitado. É um “veículo”  da alma e para a alma . Um meio para a sua plena manifestação no mundo espiritual. Nem tampouco é um corpo espiritual, o corpo sutil ou astral,  no sentido como  o  entendem os esotéricos e os  espíritas ( o Peri – espírito)  já que não está unindo   o nosso corpo mortal à alma e não é um terceiro composto da natureza humana. É um veículo que possibilita alma manter relação com Deus e  com as outras almas. Que lhe dá a possibilidade de manifestar-se no mundo físico porem de forma indireta, provocando sensações  aos  sentidos dos vivos, que são ocasionados pela alma com a permissão de Deus. Esta é a razão das aparições dos muitos santos. Este “corpo da alma” difere do corpo da ressurreição final porque na ressurreição teremos  o  nosso próprio corpo material idêntico ao nosso que já se desfez no tumulo.”Ele vai transformar o nosso corpo frágil  tornando-o semelhante ao  seu corpo glorioso.” (Fl 3,21). O corpo ressuscitado no último dia será um corpo substancialmente idêntico ao corpo humano biológico. Terá a possibilidade de assumir neste mundo todas as propriedades do corpo  atual e ao mesmo tempo todas as propriedades de um corpo espiritual como o descreve São Paulo. (Cf. 1Cor. 15, 12-15; 2Cor 5, 1-5;)  Na verdade este corpo glorioso  é fruto do nosso corpo atual pois nosso corpo humano é como uma semente para o outro corpo ressuscitado.Não poderemos chegar à ressurreição sem passar primeiro por este corpo mortal e este será um corpo apto a  viver em dois mundos. O material e o espiritual.  Tal e qual Jesus que se apresentou comendo e podia ser tocado e sentido com carne e osso. (Cf. Lc 24, 36-43; Jo 20, 27; Jo 21, 1-14)) Não foi uma visão  provocada pela alma. Foi uma relação física verdadeira. Jesus se quisesse e fosse conveniente poderia viver agora aqui na terra tal como viveu antes de morte. Todas as faculdades físicas do seu corpo funcionariam normalmente. Da mesma forma no mundo espiritual Jesus tem como manter  comunicação real com todos os mortos inclusive com aqueles que ainda não ressuscitaram no corpo glorioso do final dos tempos. Pois ele é o Senhor dos mortos e dos vivos. (Rm 9,14). Isto em vista da alma ter um “pré- corpo” um corpo psíquico com o diz São Paulo em 1Cor 15, 44) De ter Deus dotado a alma da imortalidade na hora da morte  e esta possuir outra tenda nos céus  logo depois da morte. (2Cor 5, 1-8) Mas se é assim então porque ressuscitar o corpo humano material e idêntico ao que a  pessoa tinha antes de morrer? Muito simples. Este “corpo” substancialmente idêntico à alma não é um corpo humano. Não é substancialmente idêntico ao nosso que se desfez no túmulo. (Jo 5,29).”Não vos admireis com isto: vem a hora em que todos os que repousam no sepulcro ouvirão a sua voz e sairão.” Jo 5,28. Os que repousam no sepulcro são apenas todos os que morreram. O texto não indica que os mortos estejam literalmente nas sepulturas, já que este repouso se refere ao corpo e não a alma, ou à consciência individual. No caso, esta espécie de corpo ou veículo da alma é o meio para  que esta  possa  estabelecer relações umas com as outras e com o Cristo Ressuscitado. Seria como um  Hardware provisório, para um software (alma) que não foi destruído com a morte. Na verdade ele é criado em vista da ressurreição do corpo glorioso e se desfará neste com a ressurreição da carne  no ultimo dia..  Por isso Jesus diz que os mortos ressuscitam logo na hora da morte e também no final dos tempos. Cf. Mt  22, 29-32; Lc 20,34-36; Jo  11, 25) Além  disso nunca uma alma poderá  se manifestar  como uma pessoa ressuscitada neste mundo  e nem tampouco viver nele. A ressurreição se dá no  final dos tempos porque teremos  uma outra Terra livre do mal  e do pecado, em que habita a justiça  e em que os ressuscitados poderão  viver como antes da morte.Um mundo vindouro como refere Jesus ou um mundo renovado como se ler em  certas traduções do Novo Testamento. (cf. Luc 20,34) em que os maus não estarão mais presentes. Serão cidadãos de um novo mundo e de dois mundos . É neste sentido  que São Pedro diz que haverá um novo céu (onde os corpos ressuscitados manifestam suas faculdades espirituais e  outro onde os ressuscitados podem viver  normalmente em uma nova Terra como pessoa,  com  corpo e alma. .( 2Pd 3, 13 ). O Universo estará  preparado para as duas realidades  que constituem a pessoa humana. Esta é a liberdade da natureza de que fala o Apostolo Paulo.(Rm 8, 19-21) O corpo e a  alma  juntos para sempre num universo incorruptível manifesta a  absoluta vitória sobre a morte.(1Cor 15, 26.50-55) É uma vitória absoluta  já que a morte não será mais necessária  nem mesmo do ponto de vista da matéria e da vida. Sem a morte de outros seres se  extinguiria  também a  vida na terra  porque um ser  depende da morte dos outro para sobreviver. A morte é um fenômeno puramente natural em relação à vida. Mas para seres racionais-nós humano- os únicos que possuem a consciência da própria mortalidade a morte é uma tragédia inaceitável. Uma verdadeira punição, pois aspiramos à imortalidade sem passar pela morte.Assim como na terra temos o instinto de sobrevivência nossa alma traz em sim o instinto de imortalidade. Nenhum ser racional aceita a morte como um bem, se estiver física e psicologicamente saudável. Nem mesmo a esperança do céu após a morte motiva um ser humano a morrer. Bem gostaria de ir para o céu, alem de bem idoso,sem precisar morrer.Por isto a própria morte é a verdadeira punição pelo pecado, que só poderia ser cometido, por seres racionais e livres.Desejaríamos ser revestidos do corpo imortal sem morrer como disse o Apostolo São Paulo. (2Cor 5,4).

Também não haverá  com a  ressurreição,  a  necessidade de alimento material . Viver-se-á da gloria de Deus e de sua luz. Não haverá transformação da matéria pela morte  na nova terra.  Porque ressuscitado e mantendo as faculdades próprios de um corpo físico, estão livres da dependência destas necessidades físicas. Poderão se alimentar por  prazer  e devido a sua real materialidade porém  nunca por necessidade. Desta forma a imortalidade da alma ou a  sobrevivência desta por uma primeira ressurreição na morte (Ap 20,6) e a ressurreição corporal ao fim dos tempos, ficam conciliadas, eliminando-se as contradições de uma concepção dual do ser humano, como a entendia a filosofia grega  estranha à concepção bíblica do ser humano,excluindo-se  também  a  recriação da pessoa se a ressurreição da se desse depois da destruição do corpo e da alma na hora da morte e fazendo-a  igual a Deus, concedo-lhe uma eternidade absoluta, por esta entrar no final dos tempos ao morrer, ou então concedendo à  alma   uma liberdade absoluta em relação ao corpo, relegando  a ressurreição da carne a  um mero complemento, sem necessidade, ou simples acréscimo à alma, que por si mesma constituiria a pessoa;  quando na verdade  esta é uma unidade indissolúvel  de corpo e alma.

A ALMA É IMORTAL POR SUA PROPRIA NATUREZA?

A Rejeição da imortalidade da alma entre os teólogos modernos decorre do fato de que esta concepção seria uma infiltração da concepção grega sobre a pessoa humana. No entanto a Doutrina da imortalidade da alma foi definida pela Igreja é esta fundamenta o juízo particular ocorrido logo após a morte. Muitos teólogos entendem que ao morrer, tanto morre a alma como o corpo. E a ressureição se dá logo após a morte e o morto já está na ressureição final. Esta teoria teológica é defendida entre outros, pelo Teólogo Leonardo Boff. E não se harmoniza como a doutrina tradicional da Igreja.

A alma poderá sobreviver à morte, porque  a pessoa humana  foi criada para a imortalidade e a morte entrou  no mundo por causa do pecado. E não é imortal por sua natureza espiritual. Se assim o fosse não teria sido criada para unir-se a um corpo feito  para ela e dessa forma constituir a pessoa humana. E  dessa forma seriamos iguais aos anjos em natureza, quando morrêssemos, ou então, nossos espíritos poderiam ser  pré-existentes ao corpo, como crerem muitas doutrinas espiritualistas.

A imortalidade da alma decorre da futura ressureição e não de sua própria natureza espiritual. Pois sendo, a alma, a forma do corpo de acordo com Santo Tomás de Aquino, se esta morresse junto com o corpo, não teríamos verdadeira ressurreição, pois tanto a alma como corpo seriam novamente criados. E o corpo unido novamente a esta alma, não seria substancialmente, idêntico àquele que se decompôs no sepulcro. Estaríamos de fato perante a uma recriação da pessoa humana; algo como que um clone daquele que morreu; mas não uma verdadeira ressureição. Nem nos tornaremos iguais a  Deus,  possuindo a eternidade absoluta,  se a ressureição e juízo final  fosse  logo após a morte,  como a entendem os teólogos modernistas. Além disso, teríamos por toda eternidade dois mundos paralelos e jamais a vida de um novo mundo, onde se manifestaria o triunfo de Cristo e a derrota do mal.

A doutrina daí imortalidade da alma, mesmo influenciada pela  concepção dualista grega, da natureza humana, foi providencial para que o mistério da ressureição dos corpos implicasse num verdadeiro  ressurgimento da pessoa humana. Não haveria  de fato ressureição se desta nada não é conservado. Então a alma deve à sua imortalidade por causa da ressurreição do corpo e da reconstituição da pessoa e não é um direito decorrente de sua própria natureza espiritual.

O CASO DOS QUE MORREM ANTES DA IDADE DA RAZÃO

Nosso Senhor é bem claro no que se refere aos meios da Salvação eterna. O fundamental é professar a fé nele como o único nome por meio do qual temos a salvação da condenação eterna, renunciar ao mal e praticar o bem. No entanto muitos morrem sem a capacidade de fazer esta escolha, como é o caso dos que falecem antes de crer ou de fazer o bem e renunciar ao mal; Isto ocorre com os   que são abortados ou morrem logo depois de nascer. Até o presente nunca li uma teoria teológica ou pronunciamento do magistério da Igreja que solucionasse esse problema. Em relação aos que morrem sem batismo a Igreja indica o limbo (Estado de bem aventurança sem a contemplação de Deus) ou conforme o  Novo Catecismo da Igreja Católica, esta em sua liturgia os entrega à misericórdia de Deus. (CIC Nº 1258-1283). Outros entendem que a salvação estaria garantida a todos os que morrem antes da idade da razão porque nunca pecaram. Mas seriam injusto que uma pessoa criada para salvar-se em Cristo obtenha a salvação por haver morrido antes de realizar esta escolha e exercer o livre arbítrio, preferindo  o bem e evitando o mal. Mais  vantajoso  seria  morrer  no ventre materno ou logo ao nascer, que crescer e correr  o risco de perder-se para sempre. Não deixa de se apontar neste caso uma injustiça de Deus, que sendo onisciente por certo saberia os que morrem antes de chegar à idade de poder realizar escolhas morais e desta forma já os criaria com a salvação garantida. Perante  esta situação os  que  crêem na reencarnação se apóiam para tornar evidente que Deus nunca criaria almas para deixá-las sem a possibilidade de desenvolvimento e que se as criou para Terra, justo seria que as enviasse novamente a terra para que tal e qual os outros tivessem a possibilidade de desenvolver todas as faculdades inerentes à alma: Racionalidade, liberdade e vontade. Porem como definimos anteriormente, a alma não é um hóspede num corpo destinada a mudar de corpos. A alma é parte  fundamental da  pessoa humana e forma uma unidade com o corpo de modo que cada alma foi criada para um corpo e o corpo para ela. A morte desfaz esta unidade que a Ressurreição final Irá refazer. Porem como fica  o caso dos que morrem antes da idade adulta ainda incapazes de discernir entre o mal e o bem? Entre a fé e a infidelidade  a Cristo? Deus ao criar todas as criaturas juntamente com estas criou todas as possibilidades possíveis a estas criaturas. Em relação aos seres vivos, as possibilidades de não crescer, de procriar ou não reproduzir-se, de morrer antes de desenvolver-se, de adoecer, das deficiências físicas; de nascer apenas para um dia ou um minuto na terra. Alem daquelas que originadas por causa do pecado. No que se refere aos seres racionais- os humanos- Deus na sua onisciência eterna previu que muitos morreriam antes da idade da razão e definiu para estas um estado espiritual em conformidade com o seu desenvolvimento. Jesus afirmou: ”Na casa de Meu Pai há muitas moradas” Jo 14,2 Estas moradas se referem aos estados de desenvolvimento de cada pessoa na hora da morte. Os que morrem antes de nascer e na infância por certo irão para o estado conveniente ao seu nível de desenvolvimento racional. E podem desenvolver-se espiritualmente porque as faculdades da alma como a possibilidade de conhecer, crescer no amor e na vontade de servir a Deus, não acabam com a morte. São Paulo Apóstolo também indica que foi arrebatado ao terceiro Céu. 2COR 12, 2-4, confirmando as muitas moradas eternas conforme indicara Jesus. Estas almas que deixaram esta vida logo no início de sua jornada na terra, para as quais não foi possível exercer o livre arbítrio, estão confirmadas na glória por uma liberação de Deus, mas podem progredir na gloria pós-morte e alcançar maior felicidade dependendo de sua disposição em voltar-se cada vez mais para Deus, porque também diz o apostolo São Paulo: “ …quer estejamos vigilantes ou adormecidos esforçamos por agradar-lhe.”2 Cor 5,9. Acada nível de desenvolvimento uma morada conveniente. Por isso Jesus disse aos Apóstolos: “Na casa de meu há muitas moradas. Irei preparar um lugar para vós.” Jo. 14, 2 Sem duvida a morada dos mártires, dos apóstolos e confessores, daqueles que muito batalharam para manter a fé,  não será a mesma para um indivíduo que morreu logo no alvorecer da vida na terra, ou para  aquele que chegou a este mundo e viveu apenas alguns minutos; no máximo poucos anos de vida  ou faleceu antes do nascimento. Assim os abortados, os que morrem antes da idade da razão, os que nunca ouviram falar de Cristo, os pagãos que agirem em conformidade com sua consciência, e obedecerem à lei natural, terão a morada peculiar ao seu estado quando saírem deste mundo. Deus é absoluta justiça e não criaria uns para conquistar a vida eterna após muitos perigos, muitas tentações, e outros para a mesma gloria que os primeiros, pelo simples fato de morreram logo no iniciar da vida terrena. Não há uma só possibilidade inerente às criaturas, que Deus não tivesse prévio conhecimento e juntamente com este a solução adequada. Como toda criação é imperfeita por ser criação e ao mesmo manifesta perfeição possível, por haver sido criada por Deus, Deus providenciou  que todas as criaturas chegassem a  receber o que lhes é devido, no caso de nós humanos, o que é adequado a situação de cada pessoa nascida nesta terra. No que se refere aos corpos destes que morrem precocemente, eles ressuscitarão com um corpo material glorioso, que está liberado das limitações do corpo presente e poderão assumir a forma do corpo adulto que não tiveram na terra.

CONCLUSÃO

A alma não constitui uma entidade separada do corpo e independente deste. Tendo sido criada para o corpo e este para esta, um não pode existir separado do outro indefinidamente. Se a alma fosse por natureza própria imortal, a punição pelo pecado seria a sua união com o corpo, a sua descida à matéria, como acreditavam os gnósticos e crêem hoje, os esotéricos e espíritas. A finalidade da existência seria libertar-se da prisão da matéria e não a morte, pois sendo independente em relação ao corpo o ideal de existência da alma seria libertar-se de sua prisão ao corpo.

Porem  a morte do corpo não implica também na morte da alma e a entrada do pessoa no ultimo dia, na ressurreição final em que dois mundos paralelos nunca haveriam de se encontrar e fazendo a pessoa, possuidora da eternidade tal e qual Deus, porque estaria livre do tempo. Deus ao criá-la a fez para uni-la ao corpo e constituir a pessoa. Tendo entrado o pecado no mundo, pela desobediência dos primeiros pais, este trouxe a morte. Sem o pecado, nós em enquanto pessoas,  estaríamos destinados à glorificação sem passar pela morte, Conforme Paulo escreveu em relação aos vivos, por ocasião da segunda vinda de Cristo.”Sim vou lhes dizer um segredo: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados. 1 Cor. 15,51s. Deus nos criou para a ressurreição e não para sermos almas penadas; em vista desta ressurreição a alma possui a imortalidade como dom de Deus.

A imortalidade da alma é, portanto, dom de Deus concedido na hora da morte. Os homens têm o poder para tirar a vida do corpo, mas nada podem fazer à alma. ”Não temam aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma” Mt10,28.Deus poderia destruí-la, mesmo sendo ela espiritual. Mat. “Temam, sim aquele que fazer perecer a alma e o corpo no inferno.” Mt10,28A  imortalidade não vem da própria natureza da alma porque o pecado trouxe a morte da pessoa completa; porém em virtude da ressurreição de Cristo e em vista da ressurreição futura da pessoa, a alma  é preservada da morte. Criada do nada para a existência e unida a um corpo próprio e definitivo, a separação entre alma e corpo é a verdadeira punição do pecado, conforme afirma Paulo “O Salário do pecado é a morte” 1Cor 15, 56 Mas a vitória sobre a morte é a Ressurreição da pessoa, corpo e alma, no ultimo dia ,na renovação do mundo,  quando Deus manifestar a nova terra e o novo céu transfigurados e libertados de toda corrupção,

A alma foi criada para a imortalidade em vista da ressurreição do corpo e o nosso corpo foi criado para a Ressurreição, em vista de reconstituição da pessoa humana e  esta, que é unidade inseparável de corpo e alma, para a Vida Eterna com Cristo.

Prof. Francisco Silva de Castro. ( Licenciado em Ciências Religiosas– Icre-CE.)

A Bondade de Deus

Um anônimo que se identificou apenas como “pe no chão (sic), postou o seguinte comentário:

deus de judiação,permite que pecamos para nos torturar nas mãos de seu filho satanas,se para deus somos todos iguais então porque existe tanta desigualdade social nesta merda de mundo imundo

se este reino não lhe pertence porque colocou o diabo vivendo com o ser humano?

feliz da pessoa que não tenha nascido.
nesta merda de livre arbitro

Antes de responder a este comentário de mais um “corajoso” anônimo, é bom fazer alguns comentários sobre como aceitar a existência de um Deus infinitamente bom em meio a tanto mal no mundo, seja ele físico (ou emocional) ou moral.

Na verdade, este não é nem um problema difícil de se resolver. Tanto que é uma das primeiras coisas que se aprende em Teodicéia, que é a teologia feita apenas com os dados que a razão alcança, ou seja, antes mesmo de entrarmos nas grandes questões que são respondidas pela Revelação. A Teodicéia é como que um preâmbulo da Teologia. Pode-se dizer vulgarmente que não é ainda “Teologia de verdade”. E mesmo assim, responde facilmente a questão Deus infinitamente bom X existência do mal. O problema é que o homem moderno é muito sentimentalóide, e o sentimentalismo distrai a mente do homem a ponto de ele não atinar nem mesmo para a solução dos problemas mais simples.

Primeiro, é de se notar que, diante de Deus, o homem não tem direito nenhum! Isso mesmo! Deus não tem obrigação nenhuma para conosco, seja de nos dar a vida, seja de conservá-la por muito tempo, seja de fazê-la próspera e tranqüila. Não temos direito a nada disso. Se isso acontece com alguns de nós (muitos de nós, na verdade), é por pura bondade de Deus. Pura misericórdia.

Segundo, coisas boas e coisas ruins acontecem com quem merece e com quem não merece. As razões para que Deus permita acontecer coisas ruins com quem acha que não merece são várias: ou a pessoa apenas acha que não merece, mas ainda tem penas temporais a serem purificadas; ou Deus está provando a fé daquela pessoa; ou está pondo à prova a caridade daqueles que tomam conhecimento do mal sofrido por essa pessoa. De qualquer modo, um bem será tirado do mal que esta pessoa está sofrendo. A sabedoria é a virtude que ajuda a enxergar este panorama mais amplo e, por isso, quando alguém se queixa muito de seus problemas isto é um sinal de pouca sabedoria.

Respondendo, então, ao nosso anônimo revoltadinho:

  • Não chame Deus de “deus de judiação”. Isto é blasfêmia, e blasfêmia é um pecado gravíssimo. Se Deus não merece nem nossos pecados menos graves, que dirá os mais graves! Não se jogue voluntariamente nesta teia de condenação e pena, que é só você que sai perdendo com isso…
  • Deus não tortura ninguém e nem quer diretamente o que satanás faz de mal a nós. Só permite. Pelas razões explicadas acima.
  • Existem vários tipos de igualdade. Todos somos iguais no sentido que todos temos a mesma natureza humana. E todos os homens precisam da salvação de sua alma. Neste sentido, Deus dá graças suficientes para todos os homens. Agora, o fato de todos serem humanos não implica em todos serem ricos ou felizes. Deus ama a todas as suas criaturas. Mas não ama a todas do mesmo modo. Se ele diferenciou tanto suas criaturas mais inferiores, como o leão e a corça, que dirá suas criaturas de nível mais superior. Até mesmo entre seus apóstolos teve um que ele amou mais! A desigualdade é um bem em si mesma, pois o bem é diferente do mal e os dois são diferentes de um estado neutro. Sem a desigualdade, tudo seria igual e nada seria efetivamente bom.
  • Há alguns anos atrás eu também pensava que o livre arbítrio era um problema. Mas com o tempo eu percebi que isso era apenas resultado de um raciocínio débil. Quando se reflete racionalmente sobre o problema do livre arbítrio se percebe coisas interessantes. Sem o livre arbítrio não existiria o amor. Sem o livre arbítrio não existiriam méritos. Sem o livre arbítrio não existe alma humana. E sem o livre arbítrio não existe semelhança com Deus. Remover o livre arbítrio é remover isto tudo. É um preço muito alto a se pagar pelo benefício aparente da inexistência do pecado daqueles que causam as injustiças entre os homens.

Portanto, caríssimos, não há dúvidas de que Deus é bom e de que tanto o livre arbítrio quanto a desigualdade sejam bens em si mesmos.  O que há é a arrogância do homem moderno acostumado com bobagens como “direitos dos animais”, “direitos dos homossexuais”, etc., a ponto de achar que o homem tem algum direito de ser bajulado por Deus.

Uniões homossexuais e o 4º Mandamento

A discussão sobre o homossexualismo foi reavivada recentemente com o caso da Argentina, cujo Senado Federal aprovou, na madrugada de 15 de Julho último, uma lei que finge que as uniões entre homossexuais são iguais a um casamento de verdade.

Muito me espanta que os cristãos ainda hoje, com toda a informação que temos à disposição, não saibam o que pensar e como agir em relação a isso. Ou pior: que acabem ficando do lado errado, contra a Igreja e contra a posição que Ela tradicionalmente assume em relação a este assunto e da qual ela não pode – ela não tem poder para isso – se afastar.

Hoje eu não vou entrar no mérito da licitude moral do homossexualismo. Trato aqui tão somente da questão do absurdo de se querer igualar o “amigamento” de uma dupla homossexual ao matrimônio verdadeiro.

A Igreja nos ensina que o 4º Mandamento da Lei de Deus (Honrar Pai e Mãe) nos manda não só respeitar os nossos pais, como a própria realidade da paternidade, isto é, a família e o fim a que ela se destina. Conforme podemos ler no Catecismo: “De inicio, pois, devemos explicar a natureza e as propriedades do Matrimônio. Uma vez que os vícios costumam disfarçar-se em aparências de virtude, é preciso tomar precauções, para que os fiéis não se iludam com simulacros de casamento, e não manchem a alma com torpezas e excessos pecaminosos.” (Catecismo Romano, Parte II, Capítulo 8º, §3); Também: 2209. A família deve ser ajudada e defendida por medidas sociais apropriadas. Nos casos em que as famílias não estiverem em condições de cumprir as suas funções, os outros corpos sociais têm o dever de as ajudar e de amparar a instituição familiar. Mas, segundo o princípio da subsidiariedade, as comunidades mais vastas abster-se-ão de lhe usurpar as suas prerrogativas ou de se imiscuir na sua vida. / 2210. A importância da família na vida e no bem-estar da sociedade (7) implica uma responsabilidade particular desta no apoio e fortalecimento do matrimónio e da família. A autoridade civil deve considerar como seu grave dever «reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimónio e da família, defender a moralidade pública e favorecer a prosperidade doméstica» (8).” (Catecismo da Igreja Católica); A teologia moral explica este ensinamento da Igreja argumentando que: “A família não deve a nenhuma lei civil o direito à sua existência, nem o direito aos filhos e à educação dos mesmos; ela é perfeitamente livre na consecução de seus fins naturais. / O seu direito natural é superior e anterior ao do Estado, embora, para alcançar certos importantíssimos fins da vida social terrena e sobrenatural não baste a si mesma” (DEL GRECO, Teodoro da Torre, OFM. Cap. Teologia Moral, P. 211) Ou seja, o fim com o qual Deus criou a família é tão excelente que isto confere uma dignidade a ela que é desrespeitada quando se tenta igualá-la com qualquer outro tipo de união. Dizer o que é casamento e o que não é, é um direito que o Estado não tem e nem pode ter!

Portanto, caríssimos, toda a discussão sobre “se os componentes da dupla homossexual se amam de verdade”, “se eles são capazes de educar bem as crianças que adotarem”, “se os homossexuais sofrem preconceito”, é totalmente secundária, e só serve para tirar o foco do real problema no que toca a postura da Santa Igreja de Deus. A união homossexual, apesar de todos os enfeites retóricos que a militância queira pendurar nela, nunca será um casamento, nunca será uma família, pois dela estão ausentes todos os elementos que dão dignidade à mesma instituição familiar.

Milagres

O Leitor Iunes Batista me pediu por e-mail que eu falasse sobre Milagres: o que eu penso e se já vi algum. Mas antes, eu devo imensas desculpas ao Iunes, pois o estudo para falar de um tema importante como esse e as tarefas que eu tenho fora do Battle Site fizeram com que este artigo demorasse demais. Perdoe-me por isso.

Primeiro, devemos distinguir três graus de fenômenos, o que é necessário para entendermos o que é um milagre. Existem os fenômenos naturais, que acontecem meramente devido às leis estabelecidas por Deus para a natureza; Existem os fenômenos preternaturais, que são feitos através da ampliação de algumas leis da natureza; E existem os fenômenos sobrenaturais, que estão acima da capacidade de qualquer ser criado.

A título de comparação, podemos dizer que, por exemplo, um animal que ataca quando ameaçado é um fenômeno natural. Já quando um animal faz algo contra seus instintos (como a manada de porcos possuídos pela legião de demônios em Mc V: 1-13 e em Lc VIII: 27-33; ou como a manada de “elefantes cruzados” que vingou a morte de cristãos da Índia, conforme pode ser visto neste artigo do In Prælio), trata-se de um fenômeno preternatural. Porém se um animal fala (como a mula de Balaão em Num XXII: 21-35), isto é um fenômeno sobrenatural. Do mesmo modo, a cura de uma doença (como resfriado, catapora, etc.) é algo natural. A cura acelerada de uma doença que seria curada naturalmente, ou o alívio dos sintomas sem a cura são fenômenos preternaturais. Já a cura instantânea de uma doença ou a cura de uma doença incurável são fenômenos sobrenaturais. E ainda: quando um homem faz pão, com farinha fermento e um forno, isto é algo natural, pois a natureza intelectual do homem permitiu a criação desta técnica. Agora, transmutar pedras em pães é algo preternatural. Já criar pães do nada, como na multiplicação dos pães dos Evangelhos, é algo sobrenatural. Os anjos são capazes de realizar coisas preternaturais, pois têm controle sobre as coisas naturais. Da mesma forma, os demônios também podem com a permissão de Deus, pois conservaram esta capacidade mesmo com a queda. Mas nem os anjos, nem os demônios são capazes de coisas sobrenaturais: só Deus é capaz de atos sobrenaturais.

Com esta distinção bem clara, vamos aos milagres. Os milagres são fenômenos sobrenaturais, que Deus realiza para confirmar alguma intervenção Sua na história. Eu acredito neles primeiro porque a Igreja ensina que eles existem. E segundo porque existem muitas evidências de grandes milagres pelo mundo.

De cara podemos lembrar do Milagre Eucarístico de Laciano, cuja explicação se pode achar aqui e em vários outros lugares na internet. De acordo com esta notícia, um pedaço da carne resultante deste milagre foi analisado em laboratório pelo especialista Dr. Linoli, tendo os resultados sido publicados na revista Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório. Anos depois estes resultados foram confirmados por uma comissão da OMS.

Outro milagre bem documentado foi o da Dança do Sol em uma das aparições de Nossa Senhora de Fátima, diante de 70 000 pessoas (setenta mil!) e que foi inclusive documentado em jornal da época. O texto da notícia, assim como o scan das páginas do jornal, podem ser vistos aqui. Outro Milagre notório e que acontece todo ano, desde o século VIII, é a liquefação do Sangue de São Genaro, bispo de Benevento que foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano. A pedra de sangue está na Catedral de Nápoles e se torna líquida todos os anos no dia 19 de Setembro, festa do santo mártir. Aqui pode ser lida uma notícia sobre isso.

Outro milagre relativamente fácil de ser comprovado é o de alguns corpos de santos que, apesar de terem morrido há muito tempo, não entraram em decomposição. O exemplo mais notável é o do Papa São Pio V, cujo corpo está incorrupto há 438 anos (quatro séculos!) e está exposto em um altar na Basílica Santa Maria Maggiori, em Roma. Outros santos cujos corpos não se decompuseram: Papa São Pio X (exposto num altar na Basílica de São Pedro, no Vaticano), São João Maria Vianney (o Santo Cura D’Ars, exposto em Ars na França) e Santa Bernadeth (exposto no Convento de Gildard, em Nevers na França). Fotos dos corpos destes santos podem ser vistas aqui. E estes são só alguns.

Embora haja todas essas evidências, temos que ter em mente que a discussão sobre a existência dos milagres pode ser muito influenciada pelo modo de pensar das pessoas. Se uma pessoa presume que milagres são impossíveis, se armará de teorias para explicá-los à luz de acontecimentos naturais. O modo como isto acontece é muito bem explicado no livro que eu estou lendo de C. S. Lewis – que a maioria das pessoas conhece como o autor da série infanto-juvenil As Crônicas de Nárnia; poucos sabem que C. S. Lewis foi um grande pensador de inspiração cristã – chamado Milagres: Um estudo preliminar. Além disso, a Igreja ensina que devemos ter cuidado com todos os acontecimentos extraordinários e que milagres só podem acompanhar pessoas verdadeiramente unidas a Deus, conforme está exposto no Compêndio de Teologia Espiritual do Padre Tanquerey. O Papa São Gregório Magno, um dos Pais da Igreja, nos alerta numa Homilia sobre o Evangelho de São Marcos que mais valem os prodígios feitos espiritualmente do que aqueles que são feitos fisicamente, pois os primeiros só podem ser feitos pelas pessoas virtuosas, enquanto os segundos podem ser realizados até prlos maus com a ajuda do demônio.

O que posso dizer da minha experiência pessoal é que eu já estive no Convento da Penha, em Vitória-ES e na Basílica de Aparecida, em São Paulo; e uma coisa em comum entre estes dois lugares que me chamou a atenção é a sala reservada às evidências de pessoas que receberam graças extraordinárias, entre as quais certamente encontram-se alguns milagres. Conheço também um homem que levou um tiro no rosto e sobreviveu de modo admirável. Antes de ser atendido pelos bombeiros ele foi consolado por uma mulher, que ele não conseguiu ver devido ao seu ferimento e que ninguém soube depois quem era. Acreditamos que foi Nossa Senhora que cuidou dele e algo que reforça esta crença é o fato de ele ter se convertido e se tornado um bom católico, juntamente com sua esposa e filhos. Ele foi meu padrinho de casamento, inclusive. Houve também uma vez em que tive que preparar as meditações e os cantos de uma hora santa diante do santíssimo na Igreja. Durante a cerimônia eu não comunguei, porém quando eu cheguei em casa, ao sentar na cama reparei que eu estava com um pedaço da Comunhão na boca.

Quero deixar claro que não tenho interesse em fazer ninguém acreditar que estes dois últimos relatos foram milagres, principalmente porque só quem pode afirmar o que é milagre ou não é a Igreja, e porque eu não merecia presenciar um milagre com a Santíssima Eucaristia naquela época como não mereço hoje. Quero apenas chamar a atenção para o fato de que coisas extraordinárias – entre elas os milagres – realmente acontecem. Mas seu real valor está em nos levar para Deus: o atentado sofrido por meu padrinho foi uma ponte para sua conversão, e o acontecimento com a Eucaristia fez com que eu prestasse especial atenção ao estudar o Catecismo de São Pio X, na parte em que ele fala das disposições para receber a Comunhão, e constatar tristemente que hoje muitas pessoas não atendem estas disposições.

Espero que meu humilde artigo tenha ajudado. Qualquer dúvida ou comentário é só falar.

Sobre o Cristianismo e o Mitraísmo

O leitor Francisco Silva Castro postou na página O Reino dos Céus a seguinte consideração:

Muitas semelhanças encontramos entre o Mitraísmo ou culto a Mitra, que havia na roma pagã, e o Cristianismo. Mitra é apresentado como tendo nascido de uma virgem em uma gruta e visitado por pastores. Teriam os cristãos sido influenciados pelo culto a mitra e atribuído a Jesus o que era dito dele? Explicações tradicionalistas procuram entender estas semelhanças como artifícios do demônio para confundir os cristãos. Mas como o culto a Mitra é anterior o cristianismo, neste caso seria este a plagiar o de Mitra e não o contrário. Ora Deus, não imitaria o demônio em nada. Entendo que Deus ao criar o ser humano deixou inscrito em seu inconsciente a necessidade de redenção e o desejo de ser redimido. Por isto este aspecto está presente em todas as religiões. Sacrifícios e consciência de impotência de salvar-se por si mesmo. Marcados pelo pecado, os homens deturparam esta ânsia de sua própria natureza divinizando animais e os astros. Mas o que era Eterno perante Deus, a salvação pela encarnação do Verbo, foi vislumbrado imperfeitamente pelos homens. Só em Jesus os mitos se tornaram históricos e fatos. Então o que no Mitraísmo era apenas expressão mitológica, em Cristo se fez realidade. O demônio só pode deteriorar o que conhece posteriormente. Neste caso o muçulmanismo seria uma verdadeira deturpação do judaísmo e do cristianismo para desviar pessoas de Cristo. E nesta categoria entram todas as crenças e religiões que se apresentam como novas revelações em substituição ao cristianismo.

O comentário do Francisco é pertinente por duas razões que explicarei nesta postagem.

A primeira razão é que este comentário me dá ocasião de estrear a seção Explicando o Cristianismo, que será a seção de apologética – ou mais propriamente de Teologia Fundamental – do Battle Site. Nela eu vou tratar das polêmicas envolvendo a Verdade Cristã e o melhor modo de resolvê-las.

A segunda razão é que a solução proposta pelo Francisco para as supostas semelhanças entre Cristianismo e Mitraísmo é algo que faz muito sentido, inclusive teologicamente. Apesar do que um ou outro possam pensar, a idéia de que “existem elementos verdadeiros em outras religiões” não é uma novidade do Concílio Vaticano II. Esta idéia já se encontrava exposta na obra de São Justino, um dos Pais da Igreja que viveu lááá no século II. Em São Justino, estes elementos são chamados de “sementes do Logos”. Mas no caso do Mitraísmo, talvez não seja preciso recorrermos à idéia das sementes do Logos por causa das seguintes razões:

  • As fontes de informações mais significativas de que dispomos sobre o Mitraísmo, são de uma época em que ele já era quase uma coisa do passado. Ao contrário de todo o material de que dispomos sobre a Religião Cristã.
  • O que vemos mesmo assim neste material é que o Mitraísmo, assim como a maioria das religiões pagãs, era altamente sincrética, e que já na época do suposto contato com o cristianismo ela já contava com elementos da religião Hindu, Persa, Caldéia e Frigia. O Cristianismo, ao contrário, sempre teve grande aversão a qualquer tipo de sincretismo como bem o atestam a Bíblia Sagrada e a Tradição Católica, especialmente a obra dos Padres Apologistas que fazem parte da Tradição Constitutiva da Igreja (isto é, foram escritas enquanto a Tradição estava sendo formada). A escassez de material sobre o Mitraísmo não nos permite precisar quais elementos já estavam presentes de sua mitologia quando do contato com o Cristianismo, e a atitude típica dos cristãos torna mais fácil que tenha sido o próprio Mitraísmo a ter incorporado elementos da Religião do Cristo do que o contrário.
  • Mesmo sobre alguns elementos a que se atribui uma suposta semelhança entre o Cristianismo e o Mitraísmo não se tem certeza, como o fato de Mitra ter nascido de uma virgem.

De qualquer modo eu não sou historiador. Para me ajudar na minha tarefa recorri a uma enciclopédia e à ajuda do Luiz Fernando (do blog Lúdico Medieval) que é estudante de história e, apesar de não ter estudado especificamente o assunto, me ajudou com dicas metodológicas preciosas como:

“(1)É preciso que o cristianismo necessariamente tenha entrado em contato com a outra religião no séc. I d.C. e não depois de se universalizar.”

“(2) É preciso que exista uma comparação do ensinamento cristão antes e depois de ter entrado em contato com alguma religião não-cristã, para tentar encontrar alguma mudança, e isso é algo que, sinceramente, é dificílimo de demonstrar.”

“(5) A inteligência humana, embora obscurecida pelo pecado original, é capaz de compreender muitas verdades – segundo a visão cristã. Assim, praticamente todas as religiões tiveram alguma noção de sacrifício, e. g., os astecas. No entanto, ninguém que pense seria capaz de estabelecer uma analogia entre o rito asteca e o rito católico da Missa, dizendo que o último teria sido inspirado no primeiro, por razões evidentes, dentre elas a de que as religiões se desenvolveram em continentes diferentes. Por isso é preciso sempre verificar o grau de honestidade do indivíduo que tenta lançar tais suposições.”

Notem que este último item, inclusive, tem muito a ver com a tese do próprio Francisco, sendo algo de domínio racional geral.

Concluindo: Sim, existem princípios universais que estão inscritos no espírito de todos os homens e dos quais todas as correntes espirituais – entre elas o Mitraísmo e o Cristianismo – se valem para formular suas doutrinas. Mas no caso específico destas duas, a questão é um pouco mais complexa e assume contornos retóricos se aproveitando da ignorância da própria Academia (e, claro, da sua incapacidade de compreender algumas coisas próprias da religião) sobre o Mitraísmo. A religião Cristã pode ter inculturado alguns elementos até mesmo do mundo pagão (como a própria filosofia), mas esses elementos nunca seriam incorporados se viessem a alterar a essência mesma da Doutrina e do Culto cristão. Só isso já basta para que a possibilidade de um “plágio cristão” seja quase nula.

Espero que meu humilde artigo tenha ajudado. Qualquer dúvida ou comentário é só falar.