Declarações políticas das conferências episcopais: Qual a desvantagem?

Caríssimos, o artigo a seguir estava linkado na página inicial do site NewAdvent.org. Na minha humilde opinião, o site NewAdvent.org é O Site católico na internet. Isto porque logo na página inicial estão relacionados vários artigos de formadores de opinião com posições católicas de verdade. Além disso, o site conta com a Enciclopédia Católica completa, a Suma Teológica de São Tomás de Aquino completa, os escritos dos Padres da Igreja, e uma biblioteca vastíssima, com muitíssimos documentos da Igreja sobre os mais variados assuntos. Pena – não pra mim, que leio bem inglês! – que está tudo em inglês.

O artigo fala sobre as desvantagens de a Conferência dos Bispos dos EUA emitir declarações tão freqüentes, sobre uma gama tão variada de assuntos políticos e que, além disso, são meramente prudenciais, não havendo nenhum ensinamento certo do Magistério sobre estas questões, isto é, elas podem ser objeto de livre debate. Mas apesar de ser direcionado para os bispos daquela conferência episcopal, este artigo cai como uma luva para a conferência episcopal de nosso próprio país!

A razão sinal-ruído na USCCB

Durante as várias últimas semanas os bispos dos EUA estiveram engajados numa batalha política crítica sobre o mandato de contracepção da HHS (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA), e a USCCB (Conferência dos Bispos dos EUA) emitiu uma série de fortes declarações sobre este assunto. Bom.

Durante estas mesmas semanas, contudo, a USCCB também emitiu declarações sobre corte de taxas e benefícios de desemprego, o código de direitos do consumidor, a política dos EUA no Oriente Médio, armas nucleares, e agora política agrícola. Aqui eu estou incluindo apenas declarações lançadas pela conferência episcopal. Bispos individuais adicionaram suas próprias opiniões em matéria de políticas públicas, variando de imigração a mudança climática.

Não é óbvio por que os bispos se sentem obrigados a falar sobre todos estes assuntos. Há uma clara posição “Católica” sobre política agrícola? Não. Os bispos tem alguma autoridade especial de ensino em relação a política agrícola? Novamente, não.

Mas porque USCCB continua pondo em marcha recomendações sobre política, políticos podem “se ligar” ou “se desligar”, ouvindo aos bispos onde quer que convenha a seus interesses partidários. Um legislador pode dizer a seu bispo: “Eu posso ter desapontado você em relação ao mandato de contracepção, mas lembre-se, eu estava com você em relação aos benefícios de desemprego e ao código de direitos do consumidor. Então eu estava com você mais vezes do que eu estava contra você”.

As linhas-guias dos bispos para a chamada Faithfull Citizenship compõem o problema por encorajar tanto políticos quanto eleitores a considerar uma ampla gama de questões – algumas absolutamente críticas, outras relativamente menores; algumas, claros imperativos morais, outras, questões de juízo prudencial. Alguém que leia as declarações dos bispos cuidadosamente, honestamente buscando orientação, reconhecerá que algumas questões tomam precedência. Mas alguém que já tem sua opinião formada, e vasculha por Faithfull Citizenship procurando meios de justificar suas decisões, pode facilmente sacar citações para usar em defesa de suas escolhas.

Por falar tão freqüentemente, numa tal ampla variedade de questões públicas, os bispos Americanos estão jogando por água abaixo sua própria autoridade de ensino. Se eles emitissem declarações públicas menos freqüentemente e se confinassem a questões importantes sobre as quais eles poderiam falar com clareza e autoridade, eles teriam muito mais impacto. Com isso em vista, eu tenho duas sugestões:

1. Em questões morais importantes, quando o ensinamento da Igreja Católica é claro, uma declaração preparada pela USCCB deveria vir carimbada com uma mensagem em que se lê:

Nesta questão, bispos Católicos falam com autoridade e os fiéis estão obrigados em consciência a seguir sua orientação.

2. Se uma declaração preparada pelo pessoal da USCCB não se qualifica para este carimbo autoritativo, ela não deve ser publicada.

Update: Parece que eu escrevi muito rápido. Tão logo eu apontei que a USCCB emite opiniões em demasiadas questões políticas discutíveis, uma nova declaração da USCCB apareceu para nos dar as perspectivas dos bispos sobre orçamento federal, tributação, déficits, bem-estar, gastos com defesa, auxílio-moradia, ajuda externa, treinamento profissional, créditos de taxa, programa Pell Grant, e o Programa de Auxílio-Nutrição Suplementar. Ah, sim, e sobre escolha de escola para os filhos, que é uma questão sobre a qual a Igreja tem um ensinamento claro e distintivo. Mas a maioria dos fazedores-de-leis provavelmente não vão nem notar os comentários dos bispos sobre o Programa de Oportunidade de Bolsa-de-estudos do DC, porque eles estarão muito ocupados arando através do resto da retórica. Então outra oportunidade de levantar um ponto preciso, sobre uma questão em que a USCCB poderia possivelmente influenciar, foi sacrificada pelo intento de uma prolixa “abordagem de cesto-de-bugingangas”.

Q.E.D.
(Autor: Phill Lawler. Fonte: http://www.catholicculture.org/commentary/otn.cfm?id=896)

Aqui no Brasil nós ainda temos um agravante seriíssimo. Lá nos EUA o problema é apenas o desperdício de declarações de bispos sobre assuntos discutíveis. Aqui estas declarações não são só sobre assuntos inócuos, como quase sempre vêm acompanhadas de doutrinas anticristãs ou heréticas.

Os católicos do Brasil deveriam conhecer melhor coisas como estas que são veiculadas no NewAdvent.org!

3 opiniões sobre “Declarações políticas das conferências episcopais: Qual a desvantagem?

  1. O problema, pelo que pude perceber, é que ao invés de formar consciência política em seus rebanhos, para que a força do posicionamento católico emane de dentro da Igreja para “fora dos muros”, os bispos da USCCB estão buscando um caminho inverso inóquo: dar declarações na mídia que _supostamente_ é acompanhada pelos fiéis de seus rebanhos para que estes tomem ciência do que “a Igreja pensa”.

    Os bispos anseiam expôr na mídia opiniões sobre os mais variados assuntos políticos para “mostar que a Igreja está atenta ao que ocorre fora dos muros” e só o que conseguem assim é fazer os políticos enxergarem que a USCCB _exclusivamente_, ou seja, os bispos pessoalmente, possuem opiniões, quando a necessidade é mais precisamente que o clero oriente os fiéis acerca dos assuntos políticos, baseando-se na Doutrina Social da Igreja, de modo que estes possam manifestar-se através de voto consciente e demais formas de mobilização.

    Nota-se bem que aqui no Brasil o fenômeno é já de natureza bastante diferente: a CNBB emite as declarações de conteúdo proposto e quiçá definido pelo governo que justamente é quem cria as situações passíveis de condenação sob a ótica cristã e que deve ser combatido.

  2. Captare”‘s, bom eu penso que a Igreja tem que ter conexão sim com os demais setores de uma estrutura social de uma cidade , de um país e assim por diante.
    Mas sempre no intuito de direcionar suas ovelhas.
    A igreja ficará forte se agir assim, pois estamos em uma grande tribulação social e espiritual.
    Há mais de 70 anos a humanidade, não tem uma guerra mundial.
    Hoje está em ênfase o terrorismo aquele que mata e não deixa o nome do autor e penso que as igrejas todas Católicos (significa: UNIVERSAL) e os nossos irmãos separados cristãos, devem sim participar de todos assunto de uma sociedade no que tange ao setor político, religioso, comercial, ecológico…até no incentivo de uma doação de sangue ou de instruir um adolescente a economizar, desde o seu primeiro salario, ter um bom comportamento alimentar e físico (exercícios)…porque este jovem quando tiver com seus 45 anos estará com uma econômica financeira estabelecida e física também porque excesso de comida leva morte (obesidade-diabetes, problemas cardíacos) é está a igreja que procuro.
    Pois tudo que há no mundo foi criado por DEUS e tudo amigo tem que ter uma harmonia para que possamos caminhar de mãos dadas não só com o nosso semelhante mas também, com as outras criaturas é assim que o homem percebe-se DEUS.
    A sobrevivência de uma família leva todos ao estres devido tudo ser falta de tempo, ninguém para para pensar.
    Assim é no mundo todo ai que entra o bom pregador mostrar para cada ovelhas novos horizontes em um domingo no banco de uma igreja aonde ficamos algumas horas sentados esperando o que Emanuel ( DEUS CONOSCO) tem para falar.
    UM ABRAÇO,
    AH, EU ME BATIZEI ONTEM CHOREI MUITO JOVEM i ALTO
    A paz de Jesus Cristo o amor de Maria e a plenitude de DEUS PAI JAVÈ esteja em sua família.
    iunes.batista@hotmail.com

    • Caríssimo Iunes, Laudetur Dominus!

      A conexão com os setores políticos da sociedade não pode ser feita através de pronunciamentos como se eles tivessem autoridade, a não ser em casos que se trate de uma questão claramente moral. Se os bispos falam de qualquer assunto como se tivessem autoridade pastoral sobre tudo eles acabam banalizando e enfraquecendo sua prórpria autoridade.

      Meus parabéns pelo seu batismo! Que Deus te abençoe enormemente através dele!

      Pax et Salutis

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s