A vida eclesial do nosso tempo

O modelo atual de atividade eclesial é perfeitamente estéril. Estamos há tanto tempo neste estado que já não temos mais idéia de qual seria o modelo frutífero. Os elementos principais da Religião são o Dogma, a Lei Moral e o Culto. Frutíferas seriam as atividades que nos fizessem crescer nestes três âmbitos: que nos fizessem conhecer melhor a nossa Fé, que nos dessem boas orientações morais e apoio para seguí-las, e que nos levassem a um culto cada vez mais piedoso.

O modelo estéril, evidentemente, é o baseado em pastorais, equipes e conselhos, sob a coordenação das comissões da CNBB, com suas reuniões, assembléias e showmícios. Isso pra não falar das infames dinâmicas de grupo e os rituais heterodoxos, como os ofícios das CEBs ou as vias-sacras da fraternidade.

As pastorais existem hoje pra cumprir a agenda da ONU e da CNBB, e não a agenda da Tradição Católica. Suas reuniões são grandes perdas de tempo, pois servem apenas para reforçar a agenda daquelas duas entidades. Quando alguma coisa de Doutrina Católica é falada nessas ocasiões é apenas para servir de pano de fundo para doutrinas heterodoxas. Os planos de pastoral, que são elaborados nestes mesmos princípios heterodoxos, não trazem nenhum incremento naqueles elementos principais, estão mais preocupados com coisas secundárias como “acolhimento”, “método ver-julgar-agir”, “estrutura política dos grupos e pastorais”, “partilha de experiências” e coisas do tipo.

As pastorais que lidam com família estão fazendo o contrário do que deviam: querem atenuar o chamado “conflito de gerações”, ao invés de apoiar e instruir os pais que devem educar moralmente os filhos. As pastorais que lidam com os jovens também estão ao contrário: estão preocupadas com o que os jovens querem, quando deveriam estar dando o que eles precisam, isto é, apoio psicológico para que eles se tornem mais piedosos.

A Liturgia é cada vez mais bagunçada pela criatividade das equipes litúrgicas, pela euforia dos “ministérios” de música e poluída visualmente com os milhares de ministros da Comunhão Eucarística. Todos se empenhando em fazer as Missas mais participativas, quando na verdade elas deveriam ser mais piedosas.

As homilias não falam mais de moral, nem do inferno, nem das virtudes. Quando não falam de política, falam de sentimentos açucarados e para isso recebem materiais abundantes das Campanhas da Fraternidade, dos eventos carismáticos e dos discursos dos bispos da CNBB.

A espiritualidade é um caso à parte. Tratada do modo como deve ser tratada ela dá uma grande contribuição ao comportamento moral e à participação no culto. Mas do jeito que ela é tratado hoje, apenas em grupos da RCC ou em outros fortemente inspirados na mesma RCC, elas estimulam mais aquele sentimentalismo e aquela anarquia litúrgica, de um lado, e em alguns lugares um certo laxismo moral do outro.

Por todas essas coisas, e mais algumas, é que digo que não há remédio para o atual modelo de atividade eclesial. Ainda há remédio para a Igreja do pós-concílio, mas só se Ela abandonar este modelo de atividades.

Muita gente já percebeu há muito tempo essas coisas que eu tou falando, principalmente jovens e adultos conservadores e tradicionalistas. E é por isso que hoje temos trabalhos como o modelo Juventutem, que como o nome pode deixar entrever, lida com os jovens ensinando-os a serem católicos de coração; existem grupos de estudo, como o SPES Santo Tomás e, aqui no Rio, o Regina Angelorum, que além de proporcionar o conhecimento da Doutrina Católica, através do estudo dos documentos do Magistério, também proporciona uma espiritualidade correta, através da devoção do Terço de Nossa Senhora; outro exemplo de como a doutrina católica pode ser melhor conhecida são os vários sites e blogs de apologética como o Veritatis, a Montfort, o Sociedade Católica, o Deus Lo Vult, o blog do Angueth e muitos outros; hoje, muitos destes apostolados falam de temas de Moral, como modéstia, castidade, bioética e prática das virtudes; na Liturgia temos o excelente Salvem a Liturgia, além de todos os movimentos e grupos pela celebração da Missa Tridentina.

É nesses grupos, e não no atual modelo de atividade eclesial, que encontramos a verdadeira Identidade Cristã. Não devemos mais perder tempo tentando salvar esse modelo ao qual estamos acomodados. Nossos tempos exigem atitudes um tanto mais radicais. Se queremos ter uma Igreja no Brasil dando frutos, o único caminho é abandonar as nossas atividades atuais exatamente do jeito que estão e começarmos a apoiar, ou imitar, os exemplos citados acima.

A Igreja em sua perene Tradição nos dá materiais suficientes para “fazermos um bom bolo”. Mas se este que estamos fazendo há algumas décadas “desandou”, é hora de o jogarmos fora e fazermos outro bolo…

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