Aborto e Eutanásia na Série Sagrado da Globo

Quando eu vi as chamadas da série Sagrado da Rede Globo, eu comentei com a minha esposa que eu tinha medo dela. Toda vez que alguma iniciativa do show business se diz pautado na “diversidade religiosa”, me dá um calafrio na espinha, do cóxi até a nuca. Isto se dá porque eu sei que além de o verdadeiro mediador de toda esta pluralidade (brrr!) ser o demoníaco relativismo religioso, os produtores escolherão sempre os exemplares – reparem que eu não disse representantes, mas exemplares – mais progressistas de cada confissão religiosa. O show business simplesmente não pode agir de outra forma, pois o progressismo está autoritariamente infiltrado em todos os cantinhos e frestas da mídia – televisiva, radiofônica, impressa ou internética. Mas os espectadores têm que ser muito retardados para engolir toda essa propaganda ideológica fantasiada de “diversidade”.

Durante a semana passada, foram exibidos pedaços do vídeo em que o pastor protestante Israel Belo de Azevedo faz comentários sobre o momento em que começa e termina a vida humana. No vídeo, o locutor pergunta: “E para a Religião? Quando se dá o início e o fim da vida?”. Curiosamente, a única opinião a ser expressa é a do pastor. Mas, por quê? A resposta podemos deduzir da própria opinião dele. No vídeo, diz o pastor que “podemos pensar, então, que o início da vida se dá quando o embrião gruda no útero. Até então temos uma expectativa de vida (!). E a partir daí temos a vida propriamente dita. Quanto ao final da vida, podemos pensar que ela termina quando a pessoa, o ser humano pára de pensar, pára de ter consciência de si. Esse é o fim da vida”. Quanta convicção! Mas, afinal, baseado em quê o pastor afirma tudo isso? No exame de sola scriptura?

Parece que não, pois num artigo que ele escreveu para uma revista protestante ele mesmo disse que: “A Bíblia não estabelece quando a vida termina, como não explicita quando ela começa”. E mais adiante na mesma revista ele diz que “escolhe, com tremor” ter as opiniões que tem. Escolhe, baseado em quê? Ele nunca diz. Eu também não vou especular. Mas a convicção que ele parecia ter sobre o tema já foi para o espaço.

Nessa hora as coisas começam a não fazer sentido nenhum. Pois, afinal, por que a produção da série escolhe como único comentarista do tema logo alguém que parece não estar convicto de suas próprias opiniões sobre ele? Creio que o único caminho que resta seria perguntar a quem interessa que apenas a opinião do Belo de Azevedo seja tomada como amostra representativa da opinião “da religião”? Cui Prodest? A resposta é simples: Defender que a vida começa na nidação interessa aos defensores da destruição de bebês em estado embrionário para pesquisa de células tronco e àqueles que insistem contra o parecer dos médicos que a chamada pílula do dia seguinte não é abortiva. Defender que a vida termina com a cessação da consciência interessa aos defensores da eutanásia. Seria uma coincidência estas coisas estarem na agenda progressista?

A propaganda da própria série mente quando diz que ela é pautada na diversidade religiosa. Pois, por que sobre esse assunto não foram consultados outros religiosos, como por exemplo Dom José Cardoso? Ou o Pe. Lodi da Cruz? Ou mesmo a dra. Lenise Garcia, que além de cristã é médica? Eles não “tremeriam” em nenhum momento ao expôr seu pensamento sobre o assunto! Por que, ao invés deles e em nome dadiversidade religiosa, chamar alguém que apóia críticas sem fundamento à postura de Dom José Cardoso no caso da menina que foi estuprada pelo padrasto, como podemos ler aqui e aqui? E por que, em nome da diversidade religiosa, chamar alguém que aproveita um assunto em comum a Igreja Católica para atacá-la baseado em mentiras, como se pode ver aqui?

Eis a seriedade e o respeito às religiões com os quais a Globo trata os assuntos que dizem respeito a elas. É o velho papo furado progressista da “diversidade religiosa”, que esconde ataques velados à Igreja Católica e aos verdadeiros defensores da vida.

12 opiniões sobre “Aborto e Eutanásia na Série Sagrado da Globo

  1. Fico espantada com sua opinião sobre a diversidade religiosa.
    Não vou discutir o inicio ou o fim da vida, pois isso é de foro íntimo de cada pessoa e muita filosofia
    Acredito, que o Pe Lodi e o Jose Cardoso, também têm suas opiniões, e que devemos respeitar todas elas.
    Como você pode viver em sociedade e não respeitar a diversidade?
    Deve ser uma vida muito sofrida a sua.
    Carrehar a “verdade” nas costas e sair protestando contra aqueles que discordam de vc, deve ser um fardo muito pesado.
    Achar que sua opinião ou sua religião ou sua orientaçãso sexual é a certa e o restante está errado deve ter um custo emocional e social muito alto
    Faço parte de uma Paróquia que Graças a Deus respeita a todos.
    Respeitamos a opinião alheia. Nos confraternizamos com as sinagogas as mesquitas e os templos de outras religiões ao nosso redor.
    Um rapaz tão jovem que tem a vida pela frente, tenho certeza que N. Senhora tocará seu coração para te mostrar que somos todos filhos de Deus, e como irmãos, devemos aceitar e conciver xom suas diferenças.
    Te desejo
    Pz de Cristo e o Amor de Maria

    • Prezada Sandra, Laudetur Dominus!

      Seja bem-vinda ao Battle Site!

      Não se apresse em se espantar com minha opinião sobre diversidade religiosa. Até porque você não a conhece. Isso mesmo: o que expus na postagem não foi a minha opinião sobre diversidade religiosa simpliciter, e sim o modo como iniciativas deste tipo, como esta série Sagrado, tratam a diversidade religiosa e o que elas entendem por diversidade religiosa. Releia o texto sem preconceitos e você verá isso.

      O que você disse sobre o sentido da vida é contraditório, pois se é um problema que diz respeito à filosofia – e isto está correto! – não pode ser de foro íntimo. A filosofia, por sua definição, trata de problemas e questões que dizem respeito a todos os homens. Um homem filosofa intimamente, é claro, mas ao encontrar a solução filosoficamente válida de um problema, esta solução passa a pertencer ao patrimônio filosófico universal, ou então ele não fez filosofia coisa nenhuma.

      Não sei o que a minha vida tem a ver com isso (isto sim é de foro íntimo!). Mas você se engana se acha que minha vida é uma vida amarga, sofrida ou algo assim. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito bem humorada e raramente perco a calma mesmo nas situações mais difíceis. As pessoas dizem até que sou calmo demais e isso até mesmo irrita alguns, às vezes.

      Essa visão de que pessoas combativas sejam sisudas ou amargas é um preconceito terrível, uma visão estereotipada que, na grande maioria das vezes não passa nem perto da realidade. Foi o sentimentalismo romântico e o discurso politicamente correto que espalharam estes estereótipos, mas como estas duas visões de mundo estão erradas em quase tudo, elas não poderiam acertar nos estereótipos criados por elas, não é mesmo?

      Outra confusão que o discurso politicamente correto espalhou é em relação à palavra “respeito”. Hoje muitas pessoas confundem “respeito” com “convivência pacífica” ou, pior, com “relativismo”. São coisas diferentes. O respeito, aliás, exige que se trate cada ponto de vista com sinceridade. Senão não é respeito. Além do mais, é contraditório eu respeitar as visões religiosas dos outros, e não respeitar minha própria identidade cristã, que tem doutrinas e práticas bem definidas e prega que elas são necessárias à nossa salvação. Não tem como ser cristão e relativizar estas coisas. São atitudes incompatíveis.

      Posto tudo isto, vamos aos pontos que você colocou: Não é necessário que uma pessoa tenha respeito pela diversidade para viver em sociedade. Existem mesmo sociedades inteiras que não respeitam o diverso, como era o nazismo e como é o comunismo. Mas pessoas isoladas que não respeitema diversidade podem conviver simplesmente não atacando a diversidade todo o tempo. É isto que se chama “convivência pacífica”. É claro que essa pessoa vai ter dificuldades em conviver, mas não é aquela coisa digna de pena também.

      Não é verdade que “Achar que sua opinião ou sua religião ou sua orientaçãso sexual é a certa e o restante está errado deve ter um custo emocional e social muito alto”. Isso é só um slogan.

      Que bom que sua paróquia respeita a todos! Ou será que apenas convive pacificamente? Ou será que apenas relativiza todos os pontos-de-vista? Lembre-se que se não há um debate, não há respeito.

      Nossa Senhora não precisa tocar meu coração neste ponto específico. Eu sei que todos são filhos de Deus. O que também não quer dizer que eu precise tratar a todos com açúcar na língua, nem que eu tenha que ser hipócrita para ignorar aquilo que eu vejo que está errado. E isso não me atrapalha na conviência com as diferenças, ao contrário.

      É bom quando alguém que discorda do meu ponto-de-vista comenta aqui, pois é no debate sincero que se chega à verdade. Por isso, sinta-se à vontade para dar sua opinião sempre.

      Pax et Salutis

    • “Quando eu vi as chamadas da série Sagrado da Rede Globo, eu comentei com a minha esposa que eu tinha medo dela. Toda vez que alguma iniciativa do show business se diz pautado na “diversidade religiosa”, me dá um calafrio na espinha, do cóxi até a nuca. Isto se dá porque eu sei que além de o verdadeiro mediador de toda esta pluralidade (brrr!) ser o demoníaco relativismo religioso…”

      Se isso não é SUA opinião, me desculpe. Como o verbo está ma rimeira pessoa acreditei fui levada a erro.

    • Prezada Sandra, Laudetur Dominus!

      Você está confundindo minha opinião sobre o programa, com minha opinião sobre diversidade religiosa em si. O que é muito estranho, já que meu texto se propõe a demonstrar justamente que o programa desrespeita a diversidade religiosa.

      Você deve ter muitos afazeres, e deve ter lido o texto com pressa. Mas, confie em mim quando digo que a diferença está bem clara no texto.

      Pax et Salutis

  2. Defendo aulas de interpretação de textos para todos! Sem me importar com a religião, com o pensamento ou filósofo favorito dos indivíduos. E isto faz-me sentir numa leveza singular. Não há nada mais nobre que possuir tamanha tolerância neste assunto tão delicado!

  3. Eu não vi a série. Um rede de TV como a Globo falando de religião também me assusta. Haja vista as heresias dos “católicos” representados nas novelas. Uma personagem evangélica de uma novela mais ou menos recente era praticamente uma prostituta. Até mesmo naquela novela “O Proefeta”, uma conhecida minha, espírita, ficava horrorizada com a deturpação da doutrina espírita apresentada no folhetim.

    No mais, a discussão do início e fim da vida humana não pode, nunca, ser questão de foro intímo. Caírimos num relativismo perverso, e o sistema penal seria um caos. Já pensou, a Suzana Ritchoffen poderia dizer que estava mais que na hora dos pais delas morrerem, pois estavam atrapalhando o futuro dela. Ou então os crimes de honra também não deveriam ser punidos, pois para quem os comete, a vida do outro já não faz mais sentido.

    A Sandra vai achar que estou falando abobrinha, mas reflita bem, sandra, reflita se você gostaria que alguém decidice que sua hora chegou.

    • Prezada Karina, Laudetur Dominus!

      Seja bem-vinda ao Battle Site!

      É verdade que a Globo faz esta deturpação com todos. Mas, se todos são iguais, uns são mais iguais que os outros. Pois teve uma novela a pouco tempo que procurou mostrar uma visão um pouco mais realista sobre os protestantes, e mesmo que propague erros na linha espírita, seus praticantes são sempre os heróis da história. Enquanto isso os católicos ou são modernistas, ou são fanáticos, como o “padre sinuqueiro” e a “beata” da novela Paraíso. Se algum católico na globo é herói, ele o é renegando seus compromissos religiosos, como a “santinha” ainda em Paraíso, ou o padre que largou a batina pra se casar em outra novela recente.

      Quanto à discussão do momento do início e do término da vida, sua exposição resume bem a questão. É impressionante que, diante dessa realidade que você expõe tão bem, ainda digam que exagero comparar abortistas e eutanasistas com os nazistas.

      Pax et Salutis

  4. Isso que você falou é verdade… os católicos só são bons quando abandonam sua fé ou características dela. Tudo bem que o “herói” espírita de O Profeta era chato pra caramba, e evangélicos são pouco retratados, só em Duas Caras, que tinha um pastor simpático e uma fanática que eu não sei que fim teve.
    Mas é assim, infelizmente os ataques à Igreja Católica são tão comuns que a gente acaba “acostumando”… aí que mora o perigo!

    • Prezada Lena, Laudetur Dominus!

      Seja bem vinda ao Battle Site!

      Não se irrite tanto com a Sandra. Acredito que ela apenas tenha se precipitado por ler o texto com pressa.

      Obrigado por suas palavras gentis! Elas são mais devido à sua caridade do que ao meu merecimento. De fato, não sou tão culto como talvez possa parecer. Espero que algum dia eu chegue a ser, e para isto eu estou estudando.

      Volte sempre!

      Pax et Salutis

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