Ainda sobre a possibilidade de um mundo sem violência

Ainda com relação à postagem do dia 06/10/2009, sobre a possibilidade de não mais existir violência no mundo, tinha dito lá que pessoas autoritárias sempre existiriam, e por sua própria natureza, sempre conseguiriam ter algum sucesso em sua busca por poder e controle. Disse também que com essas pessoas o diálogo é impossível, pois eles podem transformá-lo num mero instrumento para ganhar tempo.

Um exemplo bem concreto é o do Movimento dos Sem Terra. Há alguns dias a Rede Globo tem mostrado um vídeo de um trator destruindo pés-de-laranja em uma fazenda. Na reportagem, a coordenadora do MST fala – com um ar de quem acredita estar fazendo um bem – que os pés de laranja só foram destruídos para que fosse plantado feijão no lugar. E ainda sublinha: “ninguém vive só de laranja”.

Alguns comentários se fazem pertinentes antes de seguirmos adiante. Primeiro, ninguém vive só de laranja. Mas ninguém também vive só de feijão! Além do mais, o vice-presidente da federação paulista de agricultura afirma, no mesmo vídeo, que a destruição dos pés-de-laranja não era necessária, e que poderia haver uma alternância de culturas. Acontece que o feijão evoca muito mais facilmente a idéia de comida, de alimento, do que a laranja. Assim, fica aquela impressão ligeira de que eles estão destruindo algo que não serve para matar a fome, para plantar algo que serve para matar a fome. É uma estratégia para influenciar o pensamento dos menos atentos. É o primeiro sinal do autoritarismo dessa gente. Mas não para por aí!

Havia outras opções mais produtivas do que simplesmente destruir o trabalho da Cutrale. E menos violentas do que expulsar famílias tão pobres e que dependem tanto da produção agrária quanto as famílias do MST. As laranjas poderiam ser vendidas para comprar feijão. Haveria também a cultura alternada já citada. Mas, reparem, se foi feita a escolha totalmente deliberada de destruir desnecessariamente mais de cinco mil(!!!) pés-de-laranja, e ainda se dá como “justificativa” um argumento que se pretende humanitário sem dizê-lo às claras, é óbvio que foi uma ação de terrorismo. Por falar nisso, alguém reparou os caminhões, que são propriedade da empresa, que foram marcados com as iniciais “MST”, o que indicam que foram apropriados pelo movimento? No meu mundo peculiar, isto se chama roubo. Como a invasão de uma fazenda, que ainda por cima de improdutiva não tem nada.

Vejam bem: que argumentos usar contra pessoas que não têm escrúpulos de roubar caminhões, expulsar famílias pobres que não têm condições de se defender e destruir muita comida, com o ar beato de que está apenas lutando por uma melhor distribuição de terras? Além do mais, que em outras frentes usa argumentos totalmente diferentes, procurando sempre adaptar o seu discurso ao destinatário, não importando a verdade objetiva, importando apenas que o ouvinte seja convencido? Podemos ver isto que eu acabei de falar nesta entrevista concedida pelo sr. João Pedro Stedile à Folha de São Paulo, e “clipada” no Blog do Reinaldo Azevedo.

O mais irônico de toda esta situação é ver uma entidade que se diz pacifista, como a CNBB, ter em seu seio a Comissão Pastoral da Terra, que defende a destruição da plantação. O Jorge do blog Deus lo Vult mandou uma carta à CNBB a respeito disto tudo. Vamos ver se vai ter resposta…

Como se pode ver de tudo o que foi dito acima, apesar de ter opções pacíficas, um movimento que diz ter um propósito bom (a melhor distribuição de terras para a cultura agrária), preferiu usar a violência e outros meios baixos e cruéis para conseguir seus objetivos. E preferiu, justamente porque acredita que seus alegados objetivos, sua alegada causa, justifica qualquer ato de terrorismo.

Com o MST à solta, alguém ainda acredita que um mundo sem violência seja possível?

3 opiniões sobre “Ainda sobre a possibilidade de um mundo sem violência

  1. Lembrei-me de um artigo do Olavo de Carvalho, publicado em 28 de setembro no site, que leva o título de “Honduras contra a mentira global”. Trechos relevantes e pertinentes em consonância com seu texto Captare:

    “Não sei quantas décadas ou séculos de experiência e de sofrimento inútil a humanidade ainda precisará para compreender que indivíduos contaminados pela mentalidade revolucionária não são pessoas normais, confiáveis, das quais se possa esperar lealdade, gratidão, bondade ou acordo racional, mesmo em doses mínimas. (…) A mentalidade revolucionária não admite leis ou valores acima do poder revolucionário, não conhece caridade ou humanitarismo exceto como expedientes publicitários a serviço da revolução, não admite lealdade senão ao aparato revolucionário, não aceita a existência da verdade senão como simulacro de credibilidade da mentira revolucionária.”

  2. Realmente, filhote, acho difícil … pois, ao que parece , por este e por outros atos do MST, não existe uma intenção real de “lutar para conseguir uma vida melhor para as famílias de agricultores sem terra”… é bem mais uma luta política … e uma tentativa de confundir a opinião pública . Agora,o que não dá pra entender é o seguinte: as famílias pobres que fazem parte do MST não podem ficar sem terra pra plantar…mas outras famílias igualmente pobres ou mais ainda ….podem! Isso é, no mínimo , senão uma grande ignorância, uma enorme incoerência que nenhuma liderança do MST consegue explicar…
    Afinal…a terra é para todos ou só pra quem faz parte do MST????
    Esta é a pergunta que não quer calar…

  3. Pois é marido, também achei desnecessário eles derrubarem os pés de laranja, para plantar feijão, dizendo que o feijão é mais importante que os pés de laranja, ele é tão importante quanto o feijão.
    Achei também muito importante o que a sua mãe disse acima “Agora,o que não dá pra entender é o seguinte: as famílias pobres que fazem parte do MST não podem ficar sem terra pra plantar…mas outras famílias igualmente pobres ou mais ainda ….podem! Isso é, no mínimo , senão uma grande ignorância, uma enorme incoerência que nenhuma liderança do MST consegue explicar…” Eles acham que só eles merecem a terra…
    Isso não pode continuar assim temos que fazer o possível para mudar.

    Que DEUS te abençõe.
    Te amo

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