Captare recomenda: Lúdico Medieval

Estou inaugurando mais uma seção no Battle Site. Nela, eu recomendarei outros blogs e sites que deveriam fazer parte do roteiro cultural de vocês pela internet. Como está dito em outras partes deste site, o objetivo aqui é contribuir para a construção de uma comunidade de verdadeiros pensadores no nosso país, coisa que definitivamente não existe hoje. O que existe é a massa de pessoas que se auto-intitulam intelectuais sem o ser, e ficam apontando outros pretensos pensadores, tão intelectuais quanto eles mesmos.

Esta tarefa é árdua e muitas vezes ingrata, pois devido ao estado de decadência da nossa cultura as pessoas simplesmente não conseguem alcançar a importância ou mesmo o conteúdo de questões que, apesar de estarem diretamente ligadas aos problemas do dia-a-dia, parecem se tratar de reflexões filosóficas que pairam no sétimo céu das coisas puramente teóricas. Parecem não ter a ver com nossa vida prática. Algumas mentes mais tacanhas dirão que estão totalmente fora da realidade, quando na verdade somente estão acima da compreensão da maioria das pessoas devido ao mesmo sucateamento criminoso a que nossa cultura tem sido submetida à décadas. Eu tenho medo que mesmo a maioria de vocês infelizmente não consiga se concentrar na leitura desta simples introdução por muito tempo…

E a nova seção? Trata-se de blogs e sites que eu recomendo, por se tratarem de verdadeiras mentes pensantes, que não se conformam mais com a mediocridade do pensamento brasileiro e nem com a decadência cultural que grassa em nossa pátria mãe gentil. Estas mentes pensantes geraram estas publicações que, Deo Gratias, têm surgido mais e mais neste lodo pantanoso que é a internet.

O primeiro blog que eu recomendo aqui é o Lúdico Medieval, do Luiz Fernando, que regularmente nos brinda com artigos sobre verdadeiro cristianismo, filosofia saudável e arte coerente com os bons valores. Em especial, hoje estou recomendando o artigo Ser e devir. É um artigo sobre filosofia e, por isso mesmo, diz respeito a tudo o que nos acontece. É apenas uma questão de atentarmos para os elemento que ligam a teoria àquilo que ingenuamente chamamos de realidade. Por exemplo, a palavra “devir” no título: pouquíssimos vão atinar ao que ela se refere, e porque deveríamos ficar atentos ao lê-la ou ouví-la. O devir pode ser definido como o “vir a ser”, ou seja, a mudança, o movimento, a transformação. Se considerarmos uma estátua, enquanto o escultor a está esculpindo, ela está em devir, isto é, ela ainda não é uma estátua, mas está “vindo a a ser”, está em trânsito entre o “pode ser uma estátua” e o “é uma estátua”.

Mas, e daí? Acontece que muitos filósofos ao longo da história, assim como algumas correntes religiosas, advogam que não há nada fixo, apenas a mudança, apenas o devir. A importância disto é que, muitas idéias que pretendem nortear as ações do homem hoje são influenciadas ou mesmo estão baseadas nesta teoria do eterno devir. A citar:

  • O Evolucionismo: a academia científica é obcecada por esta teoria a ponto de tentar ridicularizar todos que a questionam em algum nível. É o verdadeiro dogma da ciência moderna. Mas poucos páram para pensar que esta teoria desvaloriza o ser humano, pois se não existe “o ser”, apenas “a mudança”, o homem não tem nenhuma dignidade natural e o intelecto, que nos diferencia dos outros animais, é apenas um efeito da evolução que pode ser desenvolvido nos outros animais. Esta mentalidade também nos traz a dúvida de quando a vida se inicia, pois não existe o ser humano, mas apenas um organismo que vive mudando de embrião para feto, de feto para bebê, etc., sem uma unidade essencial que obrigue defender este “organismo”em todas as etapas do seu desenvolvimento.
  • A Evolução: Não apenas no campo da ciência se fala de evolução, mas esta idéia já foi transportada para muitos outros campos, tornando-se uma ideologia. Com isso temos gente advogando a evolução de coisas que não mudam, a não ser na aparência, como os princípios morais, o papel do homem e da mulher na sociedade, a importância da família, o dogma religioso, etc. Então agradeçam a esta idéia de que tudo evolui a decadência moral da sociedade e as dificuldades que a Igreja enfrenta hoje em dia.
  • Cultura e arte: A decadência cultural que vivemos hoje também tem seus débitos com a idéia do eterno devir, pois se não existem culturas ou formas de arte que sejam melhores, pois a referência do que é “melhor” muda o tempo todo, então não devemos acusar “pixação de vandalismo”, “pornografia de imoralidade”, pois são apenas formas de arte que atendem aos “valores dos novos tempos”. Caminhamos para o caos cultural com a impressão ingênua de que estamos apenas “seguindo o bom senso e nos adaptando”.

Enfim, leiam o artigo do Luiz. Não se dêem por vencidos se tiverem dificuldades de se concentrar ou de entender algo do que ele diz: releiam, procurem no google melhores definições de certas palavras do texto, conversem com pessoas que possam explicar melhor certas idéias, pois este artigo nos ajudará a entender muito por que temos tantas mazelas aumentando com o passar do tempo quando, segundo a idéia da eterna evolução, deveria ser o contrário.

Boa leitura! E não deixem de postar seus comentários lá!

Uma opinião sobre “Captare recomenda: Lúdico Medieval

  1. Olá, Captare!
    Salve Maria!

    O texto é do meu amigo Ivan Chudzik. Surgiu depois de algumas conversas nossas sobre um texto budista. Eles ora negam o ser, ora aceitam. Que o budismo é niilista eu não tenho dúvidas, ainda que um ou outro procure argumentar contrariamente. Os budistas por vezes tentam defender com aquele conceito de impermanência que não existe um eu, um self, ou ego, como alguns chamam. O que fica é a ilusão das aparências que evidentemente pode ser superado pela ‘iluminação’. O mundo e até o próprio budismo seriam ilusões. E essas conclusões abstrusas eu obtive por uma mulher budista. Meu desejo é que o texto alcance seu objetivo principal.

    Eu que sempre estou por aqui lendo seus relevantes textos e até mesmo já fiz notar sua linguagem sempre apurada, fico imensamente feliz e agradecido por seus elogios ao humilímo Lúdico Medieval. Fico assustado, com quanta gentileza e claro quanta coragem a sua em indicar meu blog, rs. Obrigado, novamente!

    Fique com Deus!
    Abraço!

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