Como podemos conseguir o que queremos?

É importante tomarmos consciência da importância das nossas escolhas. Tudo o que queremos em nossa vida e boa parte do que nos acontece é consequência daquilo que escolhemos. O fato é que atualmente a grande maioria das pessoas ou passa a maior parte do tempo culpando outras pessoas, ou passa a maior parte do tempo em “piloto automático“, sem muita atenção a detalhes que os fariam tomar melhores decisões. E a vida se torna cada dia mais injusta e entediante para quem age assim.

Eu tive um professor de filosofia no ensino médio que disse em uma aula que “Querer é poder” era apenas uma ideologia. Isso me incomodou um bocado, mesmo que na época eu não soubesse exatamente por quê. Outra pessoa importante para justificar este incômodo foi minha amiga Rafaela. Por volta desta época tivemos um debate em que eu afirmava que tudo o que nós fazemos é fruto de escolha direta nossa. Ela afirmava que nem tudo: havia outros fatores que nos levavam a fazer certas coisas que não a escolha. Hoje eu diria melhor: é claro que existem outros fatores que determinam nossas ações, mas eles são apenas etapas intermediárias, numa sequência que começa e termina com escolhas nossas.

Por exemplo: se um pai diz para uma criança fazer o dever de casa e ela faz mesmo não querendo, pode-se dizer que ela fez porque foi obrigada. Não foi uma mera escolha da criança, que se pudesse não faria o dever, mas uma obrigação. Só que, reparem, existem crianças desobedecem seus pais. Se tanto uma, quanto outra coisa são possíveis, então em algum ponto esta escolha teve de ser feita. A cadeia é mais ou menos assim: a criança escolheu não mais apanhar após isto ter acontecido em certa ocasião. Devido a esta escolha, ela escolhe respeitar seu pai. Seu pai determina que sinal deste respeito é ela fazer a lição. Enfim, ela escolhe fazer a lição. Como se vê, o pai determinou um padrão, mas ainda foi escolha da criança seguí-lo.

O que me incomodou no tempo do ensino médio, e que fosse eu mais esperto teria respondido ao meu professor, é que tudo bem que não é o simples querer que é poder. Não é a simples escolha que me faz alcançar um objetivo, mas sim um conjunto articulado de escolhas. Isto é o “pé no chão”, é a realidade: não basta querer, tem que saber “o que querer”, o que devemos querer fazer em cada etapa do processo. Aí sim, querer se torna poder, porque contornamos os fatores externos, impossíveis de serem mudados, com uma série de escolhas que vão aos poucos moldando a nossa realidade em direção àquilo que realmente queremos.

Se algo nos incomoda ou prejudica, nem sempre se trata de uma injustiça. Na maioria das vezes é apenas uma questão de perceber o que realmente é possível e o que não é, e saber exatamente como lidar com um e com outro.

4 opiniões sobre “Como podemos conseguir o que queremos?

  1. Oi marido!
    Me chamou a atenção quando você falou sobre o pai que manda a criança fazer o dever. Eu realmente não tinha pensado que a criança fez o trabalho por obediência ao pai e não por obrigação, pois ninguem a forçou a fazer o trabalho, Mas eu pensava justamente ao contrario, que a criança fazia o trabalho por obrigação, que o pai obrigava ela a fazer…

    Bom então é isso pessoal. Até logo…

  2. Quando li o título deste post, eu logo imaginei algo no estilo ‘The Secret’, lei da atração e coisas do tipo, rs.

    O texto é interessante e está bem escrito, aliás, quando li isso aqui: “não basta querer, tem que saber “o que querer”; eu logo lembrei de Sêneca: “Se o homem não sabe a que porto se dirige,
    nenhum vento lhe será favorável.”

    Att!

    • Caro Luiz Fernando, Laudetur Dominus!

      Obrigado por suas gentis palavras, que são fruto mais da sua caridade do que de algum mérito meu! Que todos os que acessarem estas páginas possam ter a mesma grata supresa que você teve.

      Sua citação do Sêneca é interessante e resume bem a situação das pessoas que vivem exigindo que seus desejos sejam realizados, mesmo sem saber direito o que querem.E eles são muitos…

      Pax et Salutis

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