ID

(Aviso: Este post foi publicado no antigo Captare’s Battle Site. Portanto, muitas idéias aqui expressas podem não corresponder ao que penso atualmente, podendo até mesmo contradizer meu modo de pensar atual).

“Diogo está no jardim do sanatório, recostado em uma parede. De manhã deixam todos os internos no jardim para tomar ar e pegar sol. Estavam todos vestidos de branco e espalhados pela grama. Alguns eram amparados pelos enfermeiros, também de branco. Era uma manhã um pouco fria e o sol batia fraco e triste na copa das árvores, apesar do céu limpo. A visão de tudo isso faz mal a Diogo. Para ele, o jardim parece mais uma espécie de Paraíso distorcido, com loucos felizes saltitando pela grama, como almas de santos, e enfermeiros servindo como anjos deste Éden grotesco.

Desde que acordara no sanatório, o doutor que o estava dando assistência recomendou que ficasse, uma temporada, em observação, internado pois sua crise tinha sido muito grave e violenta. Não sabiam se podia acontecer de novo. Desde então, Diogo ficava sempre sozinho pelo lugar. Pôde andar solto pelo sanatório depois de alguns dias. Estava lúcido, um dos poucos, ali, que agia normalmente e o único, de fato, que não tinha nenhum problema crônico ou mesmo aparente. Os enfermeiros vinham conversar com ele e alguns não entendiam por que ele estava ali. Diogo lhes contava a história e eles pareciam não acreditar. É claro! Até ele próprio achava aquilo tudo um absurdo! Às vezes pensava que era tudo parte de uma conspiração contra ele, mas ele sabia que não havia motivos para conspirarem contra ele. Ele era muito pouco perigoso, ou mesmo importante para isso.

Nesta manhã, no entanto acontece algo diferente: Um homem se aproxima e se senta ao seu lado. Diogo nem olha para ele, continua com o olhar distante. O homem olha em volta e depois fala calmamente:

– É inútil…

Diogo resolve aceitar a companhia e a conversa que se inicia:

– O que é inútil?

– Esse lugar. Não funciona. Se você tem algum problema mental, não se cura. Se você não tem, acaba adquirindo um aqui. Não é, de fato, um hospital. É uma prisão. Só serve para mantê-los afastados do que eles consideram “normal”.

Diogo concorda em pensamento. Os humanos inúteis são bem capazes de coisas assim para manter as pessoas diferentes afastadas. É o maldito medo do que é diferente! Ele mesmo já tinha pensado, antes, em algo parecido sobre os sanatórios. Diogo olha para o homem. É um pouco calvo e com cabelos brancos. Deve estar na casa dos cinqüenta.

– Mas… o senhor não se inclui nesse meeio…

– Eu não sou como a maioria deles… É cclaro que eu tenho meus problemas, do contrário não estava aqui… – Diz olhando para os próprios pulsos.

Diogo olha para os pulsos do homem e vê que tem cicatrizes de cortes bem feias ali, mas não fala nada. O homem continua falando:

– A maioria está aqui porque sucumbiu, hhá muito ou há pouco tempo, a uma forma de vida quase animal, como bebês de colo, porque era um jeito muito mais fácil de fugir dos seus problemas. Mas perceba, que não há só esse tipo de louco. Tem esses que eu acabei de citar e aqueles que simplesmente tinham atitudes ou pensamentos estranhos, diferentes. Isso assusta muito as pessoas “normais”, principalmente quando elas vêem que começam a fazer sentido.

Diogo vê que é verdade. Ele tem isso claro em algum lugar da sua mente, mas num “acesso de normalidade” se sente tentado a argumentar:

– Mesmo assim não adianta nada, porque….

– Porque eles são minoria! Porque algunss são até mesmo únicos! Mas veja você que adianta sim! Alguns tem habilidades que a grande maioria das pessoas considera extraordinárias. Me acompanha: Aquele homem ali, – E apontou um cara que rolava no chão – vive em outro mundo, mas, por estar tão distante ele pensa muito rápido! Já o vi fazer multiplicações com sete algarismos de cabeça sem nem pensar direito, e acertar o resultado. Ele sempre acerta; Aquela mulher, – uma senhora de cabelos brancos dançava valsa sozinha – também não liga muito para a realidade e por isso consegue prestar atenção no tempo e prevê-lo como ninguém. Você pode achar que isso não é tão impressionante assim, pois algumas pessoas também têm certa afinidade com o clima…bem, eu já a vi dizer que ia chover em um dia de céu claro e acertar! Veja aquele homem, – havia um senhor magro, encolhido num canto, de olhos arregalados – é totalmente paranóico, e por isso muito observador. Quando ele consegue controlar um pouco o medo, ele pode falar muitas coisas sobre sua personalidade e sobre a sua vida, sem nunca ter te visto antes!

Diogo reflete sobre isso e sente raiva dos seres humanos: Essas pessoas estão aqui só por causa do medo de outras pessoas! É muita limitação!!!

– Não deve sentir raiva…vai dificultarr sua saída…

– Mas e o senhor? – Diogo fala tentando se acalmar – Por que o senhor está aqui?

O homem se recosta mais:

– Hum. Eu já fui padre, sabe? Conhecia ccomo ninguém a natureza de muitas pessoas. Pessoas até demais, eu poderia dizer. E via nelas muitas limitações. Via que não davam muita atenção a meus conselhos. Até mesmo nas homilias, eu via que pouquíssimas pessoas realmente se interessavam pelo que eu dizia, e menos pessoas ainda entendiam ou mesmo concordavam. Não via mais jeito de salvá-las. Tudo o que eu era, era um padre… e nem isso eu conseguia ser direito! Não conseguia mais absolver as pessoas de coração. En- fim, fui começando a entrar em depressão e comecei a querer me matar. E eu via nisso um modo de chamar a atenção de todos. E funcionava, e começava a fazer sentido para eles. E eles começaram a ter medo. Então meus familiares me internaram. Vê: Me encaixo na segunda categoria que eu citei. Desde que eu cheguei aqui, eu piorei e já tentei suicídio várias outras vezes. Mas você… – o homem se inclina para a frente – Você não se encaixa em nenhuma dessas classes. Não tem, de fato, um problema. Os enfermeiros me contaram sua história, e eu digo que você fez algo que ofendeu a sociedade, a sua própria consciência e, talvez, a Deus. Mas funcionou. E talvez faça sentido! Mas não está dominado por isso. Você TEM controle sobre si mesmo! E está no caminho certo! Só precisa ser um pouco mais humano…

Diogo se lembra que sua melhor amiga, Marcela, já havia dito que seus pensamentos andavam muito agressivos. É, precisava ser mais tolerante…Não terminou de pensar. Sua mãe e o médico que cuidava dele estavam se aproximando. Sua mãe estava com um sorriso meio apagado:

– Você vai embora hoje!

Diogo olha para o homem com quem estava conversando e este sorri e acena com a cabeça. Minutos depois, Diogo esta sentado em um leito, vestido com suas próprias roupas e está terminando de calçar seus tênis. O médico estava contando que não haveria problemas para Diogo. Segundo seu irmão, ele tinha atacado os caras em legítima defesa. A polícia falou que, de fato, os caras estavam armados! Quanto aos enfermeiros que o socorreram e a ambulância, eles estavam acostumados com alguns loucos fora de controle e viram que Diogo estava definitivamente fora de si, sem ser responsável por seus atos e por estar daquele jeito. A ambulância tinha seguro. O médico também falou que ele deveria passar duas semanas em casa de repouso, porque se a crise tivesse mesmo sido devido ao estresse como o doutor achava, duas semanas deveriam ser suficientes para se recuperar.

Diogo vai embora de carro com sua mãe, seu pai, e seu irmão. Ninguém fala nada. Estão meio abalados apesar de estarem mais tranqüilos. Seu pai olha o retrovisor e comenta:

– É melhor a gente procurar um psicólogo…

Diogo continua olhando para o chão:

– É…talvez…

– Tem certeza – Sua mãe vira para trás e fala – que você não tinha nenhum problema que ainda não tinha contado?

Diogo conhecia aquela conversa. Problemas tinha, mas quem disse que eram coisas que efetivamen-te pudessem compreender. Não que fossem idiotas, ou coisa assim. Mas eram conceitos que Diogo tinha muito para si mesmo e que nem ele entendia direito às vezes. Qualquer tentativa de pessoas normais de dizer qualquer coisa para confortá-lo só o irritariam. E é o que está acontecendo.

– Não! Será possível que é tão difícil confiar em mim depois disso?

– Calma cara – Bruno fala de maneira brusca – ela só tá perguntando…

– É Dioguinho – sua mãe continua – se for isso pode ser que nem precise de um acompanhamento…

– O meu único problema é que eu ainda não tou entendendo direito essa história toda! Quanto mais cedo eu puder simplesmente esquecer isso vai ser melhor…

Sua mãe vira para frente, com uma expressão contrariada e desanimada. Diogo controla a raiva que via que estava nascendo de novo. Ninguém fala mais nada sobre esse assunto e começam a conversar sobre coisas mais normais. Diogo faz questão de passar na igreja, no caminho, para se confessar. O padre o absolve porque ele, como já era sabido, não respondia por si mesmo quando matou os dois homens..

Mais Diogo ainda não está satisfeito: Sabe que ele, seu ID, ainda é forte e que ele precisa vencê-lo, mas não sabe como…

(ID – Diogo Linhares)

**********

E>Alô!<3

E quem poderia dizer que Captare também é escritor de contos?! O trecho acima faz parte de um conto escrito por mim chamado “ID”. Este, por sua vez, faz parte de uma trilogia ainda não terminada. O Conto “ID 2 – Alter Ego”, ainda está sendo terminado e logo estará disponível aqui no Battle Site. A trilogia fala de questões relativas ao psicológico humano, como o preconceito, a violência, e até mesmo o eterno antagonismo entre o bem e o mal e suas mais diversas faces. Quem quiser pode lê-lo online na sessão de contos, ou mesmo baixá-lo em versão .DOC para lê-lo offline, com mais tranqüilidade.

Volto a pedir que vocês divulguem este Campo de Batalha, para que outras pessoas possam vir tembém colocar sua opinião sobre a realidade. Peço tembém que vocês leiam os comentários das pessoas e coloquem os seus também, sobre cada postagem. É fácil, é só clicar no link ali embaixo(que pode ser “Fale Anjo terrestre!”, ou “Um Anjo Terrestre nos falou!”, ou “Tantos Anjos Terrestres falaram!”).

E já que hoje eu tou muito pidão, eu peço que vocês visitem o site da Falange e baixem as duas músicas que tem lá, ouçam-nas com carinho e votem na enquete do lado direito do site. Mesmo que vocês não gostem de rock ou de heavy metal, ela é uma banda nacional que precisa de uma força. Ah, e divulguem, principalmente se vocês conhecem alguém que curte rock!!!

Quanto a mim, eu tou até bem. Só com algumas marcas roxas pelo rosto. No último fim-de-semana eu fui ao Garage(Quem curte rock aqui no rio ou leu a postagem de 23 de Dezembro de 2003 sabe do que eu estou falando), e um moleque cismou que eu tinha dado um soco na cara dele, ficou me pertubando a noite inteira me mandando ir embora de lá, ficou grudado na garota em quem eu tava dando uma idéia, dizendo que ia me bater e como eu não tava dando a mínima pro fedelho, ele me bateu, eu bati nele, o pessoal separou a briga e ele continuou a noite inteira mandando eu ir embora até que outras pessoas começaram a tomar partido na briga, começou um quebra-pau generalizado e de repente tava todo mundo querendo me bater enquanto meus colagas me arrastavam pra longe dali. Nesse meio-tempo eu levei duas porradas ou três e tive que dar um tempo lá num bar isolado. Foda, por causa da criancisse de um moeque eu quase tomei a maior surra da minha vida e quase que ele estragou a minha noite. A sorte é que eu me diverti a beça antes da confusão, então valeu a pena!

Recomendo que vocês visitem o Blog “Fênix“, que fala como às vezes nós somos falsos com nós mesmos(e tá com uma foto de tamanho quase real da Monalisa). Passe também no “Legado do andarilho“, e descubram porque o nosso Andarilho não tem andado pelos caminhos internéticos(essa foi infame!)!

E>Câmbio e desligo!<3
Captare

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