O sacerdócio feminino e o Patriarca que não sabe teologia
Publicado por Captare em quarta-feira, 3 agosto 2011 - 18:41
Por esses dias saiu no Fratres in Unum a notícia que D. José Policarpo – Cardeal, Patriarca de Lisboa – foi chamado pela autoridade do Vaticano para dar explicações sobre sua declaração desastrada. Acontece que o bispo disse em entrevista ao tal que não havia “nenhum obstáculo fundamental” para a ordenação de mulheres ao sacerdócio.
De cara, esta notícia ressalta a doutrina cristã segundo a qual todos os bispos devem estar em comunhão com o papa. Ora, nenhum bispo ou padre pode emitir uma opinião pública que contrarie a Doutrina da Igreja – que a propósito eles juraram defender em sua ordenação – principalmente se tal doutrina tem sido confirmada pelos papas mais recentes. E mesmo que o patriarca não tivesse conhecimento desta doutrina milenar – o que já é bastante grave – ele teria obrigação maior de saber o que ensina o papa atual.
O Patriarca de Lisboa, ao dar sua desastrada declaração, agiu como todo pretenso “reformador” da Igreja: disse o que agrada ao público, algo que consiste basicamente em dizer que não há motivos – apesar de havê-los – para uma proibição milenar e que por isso, ela deve ser suspensa. Ou pelo menos ela deve ser “posta em debate”. Sobre isso, existe um comentário do Chesterton que, apesar de tratar de outro assunto, cabe como uma luva no assunto desta postagem:
“O paradoxo assenta-se no mais elementar senso comum. O portão ou a cerca não cresceu ali. Não foi construído por sonâmbulos que o fizeram enquanto dormiam. É altamente improvável que ele tenha sido posto lá por loucos fugidos que por alguma razão vagueavam pelas ruas. Alguém teve alguma razão para pensar que ele seria uma boa coisa. E até que saibamos qual foi a razão, nós realmente não devemos julgar se a razão foi razoável. É muito provável que tenhamos deixado de levar em conta todo um aspecto da questão, se algo construído por seres humanos como nós parece ser inteiramente absurdo e misterioso. Há reformadores que superam esta dificuldade supondo que todos os nossos pais tenham sido tolos; mas se for assim, podemos apenas dizer que a tolice parece ser uma doença hereditária. Mas a verdade é que ninguém tem razão em destruir uma instituição social até que a tenha realmente visto como uma instituição histórica. Se sabe como ela surgiu, e a que propósitos ela supostamente serviria, ele pode realmente ser capaz de dizer que aqueles foram propósitos maus, ou que eles se tornaram, desde então, propósitos maus, ou que são propósitos que já não são mais servidos. Mas se ele simplesmente fita a coisa como uma monstruosidade inconseqüente que de alguma forma tenha subitamente surgido em seu caminho, é ele e não o tradicionalista que está sofrendo de uma ilusão.”
O sacerdócio feminino não é possível. Os pretensos reformadores dizem que não há nenhuma palavra de Nosso Senhor o proibindo e que “só é assim porque sempre foi assim”. Mas o fato de “sempre ter sido assim” é justamente a principal razão para que continue a ser assim, pois em questões teológicas e pastorais, a antigüidade da instituição garante sua legitimidade, pois de acordo com o critério de São Vicente de Lérins, assumido por toda a Igreja (“quod ubique, quod semper, quod ab omnibus credituni est”), o que foi sempre ensinado é objeto de verdadeira tradição.
E ninguém diga que esta é uma tradição que “discrimina” e “desvaloriza” as mulheres, porque simplesmente não é verdade. O fato é que Deus escolheu uma mulher para desempenhar o papel mais importante de um ser humano na História da Salvação: o de Co-Redentora. Além disso, a História da Igreja cita muitas mulheres – Santa Teresa D’Ávila, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Catarina de Sienna, Santa Mônica, Santa Faustina, Santa Joana D’Arc, Santa Gianna Beretta… – que foram aclamadas por toda a Igreja por serem justamente o que foram: mulheres!
Os cristãos têm a obrigação de prestar a máxima atenção a notícias como esta. Além de tratar de temas importantes que dizem respeito à fé cristã e a tradições milenares, ela nos permite formar uma idéia mais precisa de em quem podemos confiar nestes tempos tão sombrios: quem realmente está em comunhão com o papa e quem não está.





António Amaro disse
Tolo é todo aquele que repete o que os osutros dizem, por falta de juizo próprio.
Parece que a maior parte dos nossos pseudo teólogos, que aceitaram que lhes colocassem as “palas”, para só verem em frente e não se assustarem com as visões laterais, se esquecem do contexto da história da salvação, em que as mulheres, segundo a tradição judaica, não tinham voz activa e eram relegadas para segundo ou quinto lugar, como se de vulgar mercadoria se tratasse. Num contexto histórico destes, atrever-se-ia até o próprio Deus a contrariar a tradição? E não a contrariou mesmo?
O que é Igreja? Hierarquia religiosa ou Povo de Deus, simples e sem pergaminhos?
Actualizem-se!… E não tenham medo dos fanáticos católicos!
Jesus Cristo não quis fundar nenhuma nova Igreja, mas sim transformar a do Seu tempo. Quem se lhe opôs? Precisamente os “supra-sumos” de então: sumos-sacerdotes, escribas e fariseus.
Não será tarde já demais para se adaptar a história da salvação judaico-cristã ao contexto das civilizações ocidentais, em que a mulher sempre desempenhou um papel preponderante?
Acabem com os eunucos e capados mentais!…
Apoio e aplaudo D. José Policarpo e todos os “Policarpos” com a mesma coragem de testemunho das suas convicções.
Captare disse
Prezado Antônio, Laudetur Dominus!
Seja bem-vindo ao Battle Site!
Nunca vi tanta bobagem junta em um único texto! Isso é mais curioso vindo de alguém que deve se achar muito ajuizado, já que você julga (sem conhecer!) que outros não têm juízo, aponto de chamá-los de tolos. Lembre-se que Nosso Senhor disse que aquele que chamar seu irmão de tolo “será castigado pelo Grande Conselho”(Mt V: 22) Aqui não há pseudo-teólogos porque ninguém aqui se denominou teólogo. Não é necessário ser teólogo para falar de teologia. Basta alguém ser estudante desta ciência. Principalmente quando se trata de coisas que se aprendem no primeiro, no máximo segundo período do ensino superior de teologia. Creio que D. policarpo fez esse curso também, não?
Esse espantalho de que as mulheres eram discriminadas pelos judeus é coisa que só fica bem em panfletos progressistas feministas. E há poucas coisas mais anti-cristãs que a ideologia progressista e a feminista.
Sua pergunta: “O que é Igreja? Hierarquia religiosa ou Povo de Deus, simples e sem pergaminhos?” é bem estúpida! A Igreja é Povo de Deus <> Hierarquia Religiosa. Porque raios essas duas coisas deveriam estar de lados opostos? Seria aquela bobagem dos “poderosos contra os oprimidos”?
Essas palavras de ordem de “Actualizem-se”, “Mi-mi-mi”, etc., são ridículas: não há nada mais atual que a Doutrina Católica, pois ela é eterna. E o que é eterno não muda, sendo sempre novo, sempre atual (no sentido corrente e no sentido metafísico, também). E essa coisa de chamar os católicos conservadores de fanáticos é coisa que só diz quem não tem mesmo argumento nenhum. Lamentável…
Não preciso discutir com você se Nosso Senhor quis ou não fundar uma Nova Igreja. A Bíblia dá incessantes e claros testemunhos disso: Nosso Senhor disse a Pedro que sobre ele construiria a sua Igreja; o mesmo Senhor mandou que os Apóstolos fizessem de todas as nações Seus discípulos (e não dos judeus); o mesmo Senhor prometeu enviar o Espírito Santo aos Apóstolos e quando ele o enviou o que aconteceu? Isso mesmo, adivinhão! Os Apóstolos começaram a pregação que deu origem a uma Nova Igreja. Essas coisas não se aprende nem na faculdade: a catequese que alguém faz para a Primeira Comunhão dá conta disso.
Mesmo com esta mentalidade que você deve considerar tão atrasada, a mulher sempre desmpenhou um papel preponderante na Igreja. E elas nem precisaram vir com esse ganido de que eram “excluídas” e “marginalizadas”. O texto dá vários exemplos. Respire fundo, se acalme e leia o texto de novo e você descobrirá!
Dom Policarpo não teve “coragem” coisa nenhuma! Quem ele desafiou? Só uma Igreja cuja maior preocupação ao chamá-lo para se explicar é que ele não ficasse chateado com isso(“[...] o patriarca foi bem tratado, pois o Vaticano temia que D. José pudesse reagir mal a uma advertência severa”). Quanta resistência ele enfrentou, não foi? Do lado de fora da Igreja, todos os poderes do mundo o apóiam: a mídia, a ONU, o show business, os políticos, as ONGs de apoio à mulher, todas as religiões que se venderam às idéias progressistas, etc., etc. etc. Ora, desafiar apenas aqueles que só lhe oferecem uma resistência tímida não é coragem, é cara-de-pau!
Eu nem deveria responder seu comentário. Ele devia ir direto pra lixeira. Além desse amontoado de bobagens sem sentido, você não tentou refutar uma linha que fosse do meu texto. Entrou aqui metendo o pé na porta e gritando slogans, frases prontas e palavras-de-ordem. Que feio, senhor Antônio! Que vergonha!
Eu só público e respondo seu comentário porque eu tenho esperança em Deus que dar uma chance e ter um pouco de paciência com os insensatos pode fazer alguns deles pensarem melhor e se emendarem. Não serei tão generoso na próxima, porque até a minha paciência – que é muito grande – tem limites.
Esperando que esta te encontre bem, me despeço.
Pax et Salutis
IUNES disse
Captare, eu li e sabia até a passagem nas escrituras sagradas, fica depois dos evangelhos uma mulher que os apóstolos madaram pregar a palavra de Jesus Cristo. Eu não vejo nada demais penso que a cabeça da mulher é o homem, mas esse homem quando se trata de espiritualidade é JESUS CRISTO. É que se todos seguirem a cabeça de um padre ou papa ou pastor, se ele cair todos vão juntos. Não vejo mau algum. Mas tem que ser pessoas entendidas não leigos.
Captare disse
Caríssimo Iunes, Laudetur Dominus!
Não sei a que passagem você se refere. Mas se eles a mandaram simplesmente “pregar”, isto não é a única atribuição de um sacerdote. Qualquer um pode pregar, desde que conheça razoavelmente a Palavra de Deus, isto é, a Doutrina Cristã. O sacerdote ordenado também deve governar e oferecer o Sacrifício. E estas tarefas foram confiadas a Nosso Senhor somente aos doze apóstolos, que eram todos homens. Ou seja, isto é de Tradição Divina e de Direito Divino, logo, não pode ser mudado nem pela Igreja.
O sacerdote não é um mero líder social. Ele é alguém separado do meio do povo para se santificar e santificar o povo. Deste primeiro múnus é que vêm os outros dois de governar – que também só cabe ao sacerdote dentro da comunidade cristã – e de ensinar. O ensinar tem duas partes: a pregação e a interpretação do depósito da Fé. Pregar é algo que qualquer um que conheça a Doutrina pode fazer, pois é mera repetição da Doutrina com talvez um, ou outro enfeite retórico. Mas interpretar o depósito da Fé só cabe ao sacerdócio no seu grau mais alto: o de Bispo.
Por isso, não basta ser entendido para ser sacerdote.
O papa não vai cair. Isto é promessa de Nosso Senhor. Pelo menos no que toca o assunto que estamos falando podemos confiar nele. Mas você tem razão em dizer que se formos pela cabeça de um padre, ou daqueles que hoje em dia se chamam “pastores” – especialmente se formos pela cabeça destes últimos! – se eles caírem todos os seus seguidores caem juntos.
Pax et Salutis
Francisco Silva de Castro disse
“Santa Teresa D’Ávila, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Catarina de Sienna, Santa Mônica, Santa Faustina, Joana D’Arc, Santa Gianna Beretta”
Por apenas Santa Joana d´Arc foi citada sem o título de Santa, nesta relação de santas mulheres?
Captare disse
Caríssimo prof. Francisco, Laudetur Dominus!
Desculpe. Falha minha. Já corrigido.
Obrigado pelo aviso.
Pax et Salutis
Francisco Silva de Castro disse
No que se refere a ordenação de mulheres é preciso entender que Jesus Cristo ao escolher homens para ficarem com ele, os escolheu porque estes representam a paternidade espiritual sobre os fieis. Ora, uma mulher não pode ser chamada de pai. Não compete à mulher exercer a paternidade espiritual na Igreja já que o Cristo encarnou sob o sexo masculino e é como esposo da Igreja que é mostrado. A mulher se ordenada assumiram uma simbologia sem nenhum significado teológico e ainda mais perderia o que é próprio dela na comunidade Igreja. O dom da maternidade, do doar-se, de acolher próprio da psicologia feminina. Não entendo porque numa sociedade que defende tanto a diversidade e o papel próprio de cada um, vejam como discriminação à mulher ter um papel diferente dentro da Igreja em nada inferior ao homem enquanto membro da Igreja, já que ambos foram redimidos por Cristo e são filhos de Deus pelo mesmo batismo. Igualar todos, conceder a todos todos os mesmos ministérios é o mesmo que defender um corpo humano onde todos os membros fossem a cabeça. Onde ficariam os outros membros? E por não serem a cabeça são estes menos necessários? Que sacerdote ou papa, não se arrolharia ao pés da virgem Maria ao vê-la em pessoa? E ela não foi padre. Na verdade nem sabemos se acompanhou as mulheres que seguiam Cristo. O evangelho não a indica no grupo das mulheres que ajudavam (Lc 8, 1-3) e vejam bem: JESUS NÃO CHAMOU NENHUMA PRA O GRUPO DOS DOZE. Mas a Virgem, em dignidade e santidade supera todos os apóstolos e padres e papas que já houve ou haverão. E era um mulher. Se não o fosse não teria gerado o autor da vida o filho de Deus. Cada mulher é filha da Virgem Maria. Deve espelhar-se nela. Na sua doação. O sacerdócio é um ministério não é um poder, um privilegio. É uma tarefa confiada por Jesus ao sexo masculino porque representa a paternidade espiritual dos pastores sobre o rebanho. Assim como um homem não poderá nunca ser mãe, um mulher nunca poderá ser pai, já que nasceu para ser mãe. E esta diversidade é a verdadeira riqueza da Igreja e a que mostra a maior dignidade da mulher. Não é igualando tudo e todos que se irá valorizá o indivíduo. Na diferença é que se percebe a necessidade e importância de cada um.