Padre Marcelo e o duplo boicote
Publicado por Captare em terça-feira, 26 abril 2011 - 10:21
No último dia 19 o blog de notícias Fratres In Unum publicou uma nota do Vírgula sobre uma entrevista concedida pelo padre Marcelo Rossi à revista Veja. Nela o padre fala sobre a visita do Papa ao Brasil e sobre a condição sacerdotal. Os trechos interessantes desta entrevista são os seguintes:
Pergunto isso pois fato é que há alguns anos, e antes de reativar o Battle Site, eu fazia parte de um Círculo Bíblico com fortes tendências pentecostais (não me orgulho disso, embora também não me arrependa de tudo daquela época). Nas reuniões a gente tocava uma música de autoria protestante que era apresentada no programa de rádio do Padre Marcelo. A letra é esta aí embaixo:
Já na alva luz do dia raiar
Lá estava a cena que me impressionou
Um anjo preso a Jacó
Que por sua benção lutou, jamais desistiu
Não largava o anjo
Ele muito insistiu
Não sairia dali sem suas bençãos nas mãos
De tanto ele insistir o anjo lhe tocou
E abençoado ele foi
Não vou desistir
Sem ela eu não vou sair daqui
Só saio quando o Senhor me tocar
Não posso mais ficar sem te sentir
Nada vai impedir a unção de Deus sobre mim
Não vou comentar exaustivamente esta canção como eu fiz com a musiquinha do Zaqueu. Mas notem que o eu-lírico tem uma atitude insolente diante de Deus – “sem ela [a bênção] eu não vou sair daqui!” – como se fosse direito dele e obrigação de Deus abencoá-lo, exatamente como aquelas pessoas que dizem que não vão sair da loja sem trocar sua mercadoria estragada. Aí algum Zé Corneta pode dizer: “Ah! Mas Jacó também foi insolente!” Foi sim! E foi punido por isso! O toque do anjo de que a música fala foi justamente essa punição: Jacó teve o músculo da côxa paralisado. Convenientemente, a música omite a parte da punição.
Aí está: é próprio da ideologia dos “evangélicos” achar que Deus é obrigado a nos abençoar sem que sejamos punidos por nossas insolências. Todo direito e nenhum dever. Este conceito é a base da “teologia” da prosperidade. E, lógico, é uma contradição gritante com a Doutrina Católica, que diz que a Majestade de Deus é absoluta e que devemos nos contentar com o que Ele se dignar a nos dar.
É óbvio que o Padre Marcelo não seria levado a sério pelo Padre Melo. Como ele quer ser levado a sério quando ele exorta o outro a usar a batina – contrariando a idéia protestante de que o ministro de Deus é um homem comum e qualquer do povo, e por isso não deve usar uma vestimenta distintiva – se ele se derrete todo ao cantar uma música que defende a idéia igualmente protestante de que Deus seria nosso servo?
Como ele quer tirar a trave do olho do Pe. Melo se não tira a trave de seu próprio olho???





Jefferson Nóbrega disse
Estava sentindo falta de seus artigos amigo.
Mas, também não posso falar nada, já que estou na mesmo situação.